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17 de agosto de 2011

Plantas e Meio Ambiente

Dica de livro:

A botânica é essencial para compreender as alterações ambientais, uma vez que as plantas formam o maior componente dos ecossistemas e toda a vida do planeta depende delas como fonte de energia e oxigênio. Nesse livro Luciano Esteves aborda a importância da botânica na vida dos humanos (como fonte de matérias-primas, alimentos e medicamentos), e como a sua exploração descontrolada leva a desequilíbrios que afetam todo o meio ambiente. O autor também levanta questões sobre educação, economia, conservação e recuperação ambientais, e discute as influências das plantas geneticamente modificadas no ecossistema.
O autor destaca a profunda relação de interdependência entre as plantas e o meio ambiente e mostra como a botânica contribui para a compreensão e a manutenção do meio ambiente, enfatizando seu papel preponderante para entender os impactos ambientais negativos. Ainda aponta as soluções de recuperação ambiental que vêm sendo feitas para mitigar esses impactos negativos e enfatiza o papel transformador da educação ambiental para o desenvolvimento de uma consciência crítica capaz de dar conta dos desafios que surgem todos os dias.

26 de maio de 2011

2 Lançamentos de Livros nesse Final de Semana !

Ambos na Livraria da Vila em São Paulo. Não percam!

6ª Feira às 19h30: Mistache Malabona da Ana Vieira:





E Domingo às 15h30: Mistério nos Rios de Veredas do Luiz Ribeiro e da Rita Katawamata:

Mais informações aqui: http://www.livrariadavila.com.br/Eventos/Eventos.aspx

6 de maio de 2011

Lançamento do livro da Jane Baruki Ferreira

Mais um lançamento de uma escritora do Bairro Demétria:

Vejam aqui o vídeo (10 min) do lançamento do livro ” O Segredo da Aprendizagem”- transformando a rotina em ritual, de Jane Baruki, moradora do Condomínio Alvorada. Aconteceu em Corumbá no 8º Festival da América do Sul!

31 de março de 2011

Nenhuma pedagogia é necessariamente boa por si só


Em “Clarear” vemos uma proposta de reflexão sobre a prática da pedagogia Waldorf. É a expressão real da experiência de crianças que vivenciaram o dia a dia em escolas Waldorf, e manifesta, por meio de perguntas dos pais, o desejo de renovação e transparência na proposta e na prática pedagógica.

Como diz o escritor e mestre em Educação Ruy Cézar do Espírito Santo em seu prefácio, trata-se de uma obra de relevância para a educação.

“Clarear” busca conscientizar os educadores sobre a importância do trabalho constante de autoconhecimento e autoeducação, além de propor o diálogo com outras abordagens pedagógicas como uma forma de se renovar.

Nenhuma pedagogia é necessariamente boa por si só. São os educadores que a tornam boa ou ruim em sala de aula com os alunos.

Mais informações aqui:

17 de dezembro de 2010

Lançamento de livro de Poesias!


O que sobrevive
poesia de Ana Vieira Pereira
Noite de autógrafos
Terça, 21 de dezembro
20h30


QuintAventura - oficina de processos criativos
Quintino Bocaiúva, 716
Botucatu - SP
3815 2995

9 de dezembro de 2010

O papel que a música desempenhou ao longo da história e pode desempenhar na vida atual

A música é uma das artes que mais profundamente toca o ser humano. Ela está presente em praticamente todas as culturas e sua origem é tão remota quanto a origem da nossa própria história. Investigar a relação que a música tem com o ser humano, em suas múltiplas camadas de significado, é o que se propõe este livro. Para isso é apresentada uma imagem de ser humano fundamentada na Antroposofia e observada sua relação com os diversos elementos da música, como, por exemplo, o tempo, os tons, a melodia, a harmonia, o ritmo, as escalas, os instrumentos musicais, a forma e o silêncio. Deste estudo emerge uma nova consciência acerca do papel que a musica desempenhou ao longo da história e pode desempenhar na vida atual. Espera-se que esta nova consciência traga inspiração tanto para o amante da música, como para o músico criativo, atuante na sociedade como artista, pedagogo ou terapeuta.


Já sabe da novidade?

Se você quer saber como as notícias circulam pelo Reino de Além-Véu, então você precisa conhecer o Ceconofo, Centro de Comunicação de Notícias e Fofocas:

24 de novembro de 2010

"Por que participar da política?"

Recebi hoje um exemplar do livro do Plínio Arruda Sampaio que tem o título acima, irei lê-lo e comentar aqui no Blog e na lista yahoo de discussão política dos moradores do bairro, o "Papo Politico".
Numa primeira olhada me pareceu um livro muito interessante como apoio pedagógico no ensino de 2º grau.
O livro aborda a formação do Estado brasileiro, os sistemas de governo parlamentarista e presidencialista, a Nova República e os impactos cotidianos da ação política na vida dos brasileiros. Dividido em sete capítulos distribuídos em 64 páginas, a brochura é um convite a que os leitores, especialmente a juventude, conheçam e participem da vida política nacional. O questionamento central da obra é: “o que perdemos por nos desinteressar da política e o que ganhamos procurando entendê-la?”





“Por que participar da política?”, pela Editora Sarandi

23 de novembro de 2010

Plantas Venenosas 2

Mais um interessante artigo do professor Gil Felippe, autor do livro citado ontem aqui no Blog em outro post: Venenosas – plantas que matam também curam. A planta que hoje ele nos descreve as características tóxicas é também bastante encontrada em muitos jardins do bairro Demétria.


CAMARÁ

A família Verbenaceae (dicot., 41 gêneros e 950 espécies) é tropical, especialmente da América do Sul, com poucas espécies de clima temperado. Suas espécies são ervas, arbustos, lianas e árvores pequenas. Em geral as plantas têm espinhos. As folhas são simples e as flores hermafroditas.

CAMARÁ
            A ingestão de frutos jovens e folhas de camará, cambará, cambará-de-cheiro, camaradinha ou lantana causa intoxicação. Isto porque apresenta, principalmente nas folhas e frutos, triterpenoides tóxicos, as lantadenas A e B. Os sintomas aparecem algumas horas após a ingestão e incluem náuseas, vômitos, diarréia, fraqueza, letargia, respiração lenta e difícil, cianose, fotofobia e pode chegar ao óbito. No gado causa fotossensibilização hepatógena, quando as toxinas causam lesão no fígado, com consequente distúrbio hepático; não havendo desintoxicação do organismo, as substâncias vão se acumular na circulação periférica e com a incidência de luz solar aparecerão lesões na pele. Assim sendo, o envenenamento por camará causa acentuada icterícia, lesões de fotossensibilização, constipação e edema sub-cutâneo dos membros em bovinos. A intoxicação é leve até10g/kg do boi e com 20g/kg é grave. Há efeito cumulativo. De um modo geral, a intoxicação só ocorre se os animais estão famintos ou são transferidos de pasto; normalmente eles pastam um pouco do camará sem efeitos nocivos. O primeiro sintoma após a ingestão da planta em quantidade alta é a diminuição do apetite, seguida de icterícia e modifiação da urina (que fica amarelo-escura). Os animais mostram grande inquietação quando expostos ao sol; apareceram as lesões de fotossensibilização nas partes despigmentadas do corpo, que se caracterizam por vermelhidão, edema, aparecimento de exsudato e formação de fendas e mumificação da pele nas áreas afetadas.
            Em paisagismo é utilizada para formar maciços e bordaduras ao longo de muros e paredes. É usada também como planta para vasos. É resistente às geadas. O camará deve ser cultivado a pleno sol, em solo fértil enriquecido com composto orgânico, com regas periódicas. Tem grande potencial invasivo, tornando-se daninha.
            Os ramos e as folhas, cobertos de pêlos, quando esmagados liberam um cheiro desagradável, que lembra a urina de gatos.

Lantana camara L. é originária da América tropical, Américas do Sul e Central. É um arbusto pequeno perene, com caule muito ramificado até a raiz, galhos cruzados abundantes, com espinhos nos ramos. Chega a dois metros de altura. Apresenta tanto ramos eretos como reclinados, e as folhas são ásperas. A inflorescência, um mini-buquê, é densa, com flores hermafroditas, pequenas, brancas, amarelas, alaranjadas, róseas, roxas, nas mais variadas combinações na mesma inflorescência. Algumas delas vistas à distância, são alaranjadas, mas se examinadas com cuidado as flores individuais mostram-se brancas, amarelas e vermelhas. Elas também mudam de cor à medida que envelhecem. As flores aparecem o ano todo e são apreciadas pelas borboletas. O fruto é esférico, negro, com uma semente, responsável pela propagação e por estacas caulinares.

Ilustrações
Maria Cecília Tomasi

22 de novembro de 2010

Plantas Venenosas

A colaboração dessa semana do Prof Gil Felippe vem do seu  e livro Venenosas – plantas que matam também curam  da Editora Senac.A planta em questão é extremamente comum nos jardins daqui do bairro Demétria.

 
A família Apocynaceae (dicot., 165 gêneros e 1 900 espécies) é principalmente dos trópicos, com algumas espécies presentes na região temperada. Apresenta látex abundante. A maioria das espécies são lianas, sendo poucas as arbóreas e arbustivas, mas há algumas ervas, às vezes suculentas. Muitas espécies são fonte de substâncias de interesse medicinal, como, por exemplo, a estrofantina e a cortisona, extraídas de espécies do gênero Strophanthus, espécies venenosas usadas em pontas de flechas na África.


BOA-NOITE
A boa-noite é conhecida, também, como vinca ou vinca-de-madagascar. É uma erva conhecida no mundo da língua inglesa como “periwinkle of Madagascar” ou “old-maid”. É cultivada pelo mundo afora como planta ornamental anual. É tratada, no máximo, como bienal, pois acaba perdendo a beleza com o avançar da idade. Esta ornamental foi levada da África para o Chelsea Physic Garden, de Londres, que difundiu esta espécie pelo mundo todo. É cultivada em jardineiras, bordaduras ou maciços em canteiros, em vasos, sempre mantida em locais ensolarados.
            As partes aéreas da boa-noite possuem entre 0,2 e 1,0% de alcalóides. São mais de 80, muitos deles tóxicos e mas também úteis ao homem, mas mesmo assim é preciso prudência. As folhas já foram usadas como fumo, devido ao seu poder narcótico. É planta tóxica e alucinógena se ingerida ou usada como fumo, causando envenenamento em animais herbívoros. Para uso em medicina caseira, a espécie é cultivada na Austrália, África, Índia e sul da Europa.
            Foi e é usada mundo afora para tratar uma infinidade de doenças. Na Europa durante séculos na medicina caseira tratava diabetes. No Havaí a planta era fervida e o material obtido usado para estancar sangramento. Na China era um medicamento para tratar tosse e também utilizado como diurético. Nas Américas Central e do Sul era empregada para tratar resfriados, dor de garganta e problemas respiratórios. Era considerada uma planta mágica, pois os europeus pensavam que podia espantar maus espíritos. É a “violeta dos feiticeiros” dos franceses.
A boa-noite é empregada hoje no tratamento de vários tipos de câncer, propriedades descobertas na década de 50 do século XX, quando foi estudada como tratamento potencial para diabete, pois na Jamaica já vinha sendo usada para substituir a insulina. Quando estudavam esta aplicação, cientistas do Canadá descobriam que os extratos utilizados causavam leucopenia (diminuição do número de leucócitos no sangue) em ratos. Dos alcalóides extraídos, dois demonstraram sucesso no tratamento de câncer: a vincristina e a vinblastina, hoje disponíveis no comércio. A planta é um sucesso atual na procura de drogas naturais para o tratamento de câncer. Extratos da planta são eficazes no tratamento de várias de suas manifestações, como leucemia, câncer de pele, linfático, de mama. Mesmo sob a supervisão de médico durante o tratamento, os produtos derivados da boa-noite produzem efeitos colaterais indesejáveis. Os estudos com a espécie continuam e são realizados em vários centros de pesquisa do mundo.

            Catharanthus roseus (L.) G. Don f. é originária de Madagascar. Hoje é cultivada em várias regiões dos trópicos, sendo tratada, eventualmente, como planta invasora. É um arbusto semi-lenhoso sempre-verde, perene, cultivado como anual. Pode chegar a um metro de altura, mas é bem menor quando tratada como anual. Há cultivares anãs com, no máximo, 30 centímetros de altura. As folhas brilhantes são opostas, com até oito centímetros de comprimento. As flores tubulares, de cinco pétalas, são tipicamente cor-de-rosa com centro roxo, mas há cultivares com flores vermelhas, roxas e brancas. A planta floresce praticamente o ano todo. A espécie possui látex esbranquiçado e tolera calor, tempo seco e até solos pobres. A propagação é feita por sementes ou estacas enraizadas.



Ilustrações
Maria Cecília Tomasi

21 de novembro de 2010

Livro: " O Segredo da Aprendizagem "




Jane Baruki Ferreira, moradora do Condomínio Alvorada, enviou um breve Sumário de seu livro " O Segredo da Aprendizagem", e convida a todos para a Feira do Livro que acontecerá na próxima semana no Espaço Cultural de Botucatu onde ela os receberá no Estande da Papirus.A abertura está agendada para o dia 23 de novembro, às 19h30, e segue de 24 a 28 de novembro, das 8h30 às 22 horas, com entrada franca ao público.

1 Introdução.
Professor espero que ao colocar em prática as atividades citadas no livro, você perceba em si e nos alunos a transformação, da impaciência para a paciência, de insegurança para a segurança, do estresse para a felicidade.

2 Embasamento Teórico.
Para a prática da educação necessitamos do fogo interior, do entusiasmo. O pensar, sentir e querer do professor precisam virtuar sobre o sentir, querer e pensar da criança.
A antroposofia mostra que o homem integral é composto de 4 corpos ou plexos.
Como educador trabalhamos estes quatro corpos da constituição humana, cujo desenvolvimento ocorre nas diferentes idades da vida e em processos diferentes.
1ª fase - Dos 0 aos 7 anos – Físico (Anjo da forma) – a importância do ambiente sobre o inteiro organismo físico da criança. A influência do temperamento do professor sobre a criança..
2.ª fase - Dos 7 aos 14 anos – Etérico (Anjo da vida) – A atenção especial que a memória deve receber nesta fase e ser desenvolvida através de parábolas, analogias, experiências, belos sentimentos que deverão permanecer para sempre.
3.ª fase - Dos 14 aos 21 anos – Astral (Anjo do movimento) – trabalhos em especial com música, poesia, teatro, para desenvolvermos o senso de beleza, ética e cientesa moral.
4.ª fase - Dos 21 aos 28 anos – Eu (Arcanjos) – a atenção primordial do professor frente aos alunos deve estar no desenvolvimento da compreensão interna da fala.
A pedagogia antroposófica é um método didático que acentua o “como do ensino” e pode ser praticada em qualquer lugar.

3 A forma viva da “Falla”.
Nós educadores atuamos através da fala que pode ter um efeito construtivo ou catastrófico. Quando falamos emitimos não só uma mensagem, mas tudo o que sentimos e pensamos no momento da fala.
Porque manifestamos intensamente com gestos e fala os sentimentos de raiva, ciúmes etc.? Porque não manifestamos com a mesma intensidade os sentimentos de carinho e amor?
Ilustração e explicação da fala com sentimentos diferentes: amor, raiva, apatia.
Breve explicação sobre a informação x atitude.

4 Sala de Aula (Meu espaço Sagrado).
Para a fixação de formas e conteúdos é necessário que nossa alma se acalme, para tal sugiro vários exercícios para o início do período, depois do recreio e final da aula. Tais exercícios eleva a atmosfera da classe, as crianças se sentem respeitadas, se acalmam e ficam abertas para vivenciarem o conteúdo do dia. Exemplos.

5 Alfabetização.
Sempre procurei tornar o processo da alfabetização uma experiência rica em percepções, ritmo, som e movimento onde a criança experimenta através de todo o corpo e alma, as formas da fala e a escrita. Descrevo os passos de como utilizar a Euritmia em sala de aula para alfabetizar... Normalmente a criança se alfabetiza através desse método num período de três meses.

6 Técnicas de relaxamento e Produção de texto.
Tem por objetivo trabalhar os conceitos do belo, do ético, da moral da saúde e da cidadania. Ao mesmo tempo elas proporcionam paz interior, desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade, a organização pensamental e facilidade de expressão oral e escrita, tanto do aluno como do professor.

7 Formas orgânicas de multiplicação.
Desenvolvo passo a passo como a criança deve vivenciar e concluir por si mesma como é o processo da multiplicação que se inicia em um ponto na tabuada do zero e termina com um ponto na tabuada do 10. Ao mesmo tempo sempre trazendo o artístico para a sala de aula.

8 Atividades para Pré e Primeiro Grau.
Sugestão de exercícios a serem desenvolvidos em uma sala fechada para não haver dispersão, promovem o desenvolvimento sadio da criança evitando o desgaste emocional do professor.

9 História, Geografia e Ciência.
Tem por objetivo chamar a atenção do professor da importância de situar-se dentro do processo evolutivo da terra e da humanidade. Embasar todo o conteúdo histórico até hoje elaborado, em princípios éticos, filosóficos e morais. Entender a característica de cada povo, eliminar os preconceitos para um melhor equilíbrio e harmonia.
Entendermos o relacionamento da natureza com o homem.
Passar para os alunos não idéias abstratas, mas a vida mesmo, levando em conta as idéias construtivas do mundo. Ex. de exercício: A planta

10 Conclusão.
Espero oferecer percepções puras, puros conceitos para fixação, pois ensinar é transferir Imagens de um Homem para outro Homem.
Isto significa despertar, incrementar a fonte da inteligência do homem.
Despertar a inteligência no homem é ensiná-lo a sentir-se feliz.

13 de novembro de 2010

GIRASSOL

Família COMPOSITAE (dicot., 1538 gêneros e 22750 espécies)
 A contribuição dessa semana do professor Gil Felippe é sobre o Girassol e vem do livro Grãos e sementes – a vida encapsulada. Esse livro recebeu dois prêmios "Gourmand World Cookbook Awards" como melhor livro de culinária. Apreciem e bom final de semana a todos!




A família Compositae (também chamada de Asteraceae) é uma das mais importantes famílias de plantas, mas não tem o valor econômico das Leguminosae ou das Gramineae. É uma família cosmopolita, pois ela ocorre no mundo todo, só não existe na Antártica. São ervas, arbustos, trepadeiras e árvores, mas cerca de 98% dos gêneros, apresentam pequeno porte. Muitas acumulam carboidratos na forma de polifrutosanos (polímeros de frutose), como por exemplo a inulina. As flores são agrupadas em inflorescências, chamadas de capítulos. O fruto das Compositae é um aquênio, mas, João Semir, um dos botânicos da Universidade Estadual de Campinas e especialista na família, diz que o fruto não é um aquênio, mas uma cipsela. De qualquer modo, é o que eu chamo de grão, portanto não é uma semente.

GIRASSOL
O girassol é muito cultivado como ornamental. O nome científico do girassol é Helianthus. A palavra vem do grego “hélios” que quer dizer sol e “anthos” que significa flor. O nome significa que a flor segue o curso diário do sol. É por isso também que em português é girassol. Já era cultivado há mais de 3000 anos pelos indígenas do norte do México. O girassol era um símbolo do sol em muitas das culturas antigas das Américas, que adoravam o sol como Deus. É o caso dos astecas que por esta razão decoravam seus templos e coroavam suas sacerdotisas com flores de girassol. Os grãos são comestíveis, sendo comidos crus ou assados. Em Portugal e na Rússia eles são assados e moídos para fazer farinha para pão. As plantinhas, logo após a germinação, são ingredientes de saladas. O grão do girassol produz muito óleo, que já era conhecido dos astecas. Antes de continuar, o que é óleo ou gordura? Toda a gordura ou óleo de um animal ou planta é formado de moléculas de gordura. Cada molécula de gordura consta de uma molécula de glicerol a qual se ligam três ácidos graxos. Esta molécula de gordura é também chamada de triglicerídio, pois tem três moléculas de ácidos graxos. Os ácidos graxos podem ser saturados (quando na cadeia do ácido não há dupla ligação entre os átomos de carbono) ou insaturados, com uma dupla ligação (monoinsaturados) ou várias (poliinsaturados). Uma molécula de gordura pode ter os três ácidos graxos do mesmo tipo, ou qualquer combinação de tipos diferentes (por exemplo, dois ácidos graxos saturados e um poliinsaturado). Ômega é a última letra do alfabeto grego e no ácido graxo quer dizer a parte final do ácido, a sua extremidade oposta ao glicerol. O número após a palavra ômega indica em que posição está a dupla ligação. Assim ômega-6 significa que a dupla ligação está a seis lugares da extremidade do ácido graxo. Ácidos graxos de cadeias mais curtas e insaturadas dão gorduras mais moles. Ácidos graxos de cadeias longas e saturadas dão gorduras duras. As gorduras de origem animal são em geral sólidas e as das plantas são líquidas, porque são menos saturadas. Diz Robert L. Wolke (Wolke, Robert L.: O que Einstein disse a seu cozinheiro. Horge Zahar Editor, Rio de Janeiro, Brasil, 2003, 299p.) que quando se diz que um azeite é 70% monoinsaturado, 15% saturado e 15% poliinsaturado, isto significa que essas são as proporções dos três tipos de ácidos graxos somados de todas as moléculas de gordura do azeite; as quantidades relativas dos três tipos de ácidos graxos é que dizem se o óleo tem qualidades saudáveis ou não.
Voltando ao girassol! Da massa da semente de girassol, 25% a 32% é óleo. Este óleo contém 21% de ácido oléico (ácido graxo monoinsaturado) e 62% de ácido linolénico, que é um ácido graxo com três insaturações. É óleo utilizado na cozinha e também para fazer margarina. O óleo de girassol é um dos mais comuns encontrados no comércio, sendo da Rússia quase dois terços da produção mundial. O girassol é uma das quatro maiores culturas para produção de óleo comestível, sendo cultivado em mais de 20 milhões de hectares no mundo. Em 1716 o inglês Bunyan obteve patente para extração do óleo das sementes, inicialmente para tintas e vernizes; mas, no século XIX descobriu-se que o óleo era ótimo para alimentação. Em 1820 o agricultor russo Bukarov começou a dedicar-se á cultura do girassol em grande escala para fins alimentares. Os trabalhos de melhoramento foram feitos principalmente na Rússia e Argentina. Em Angola e Moçambique foi introduzido pelos portugueses somente no século XX. Além do óleo, em 100g de grão 30mg são de vitamina E, que é um antioxidante. Contém também ferro, zinco e magnésio. O caule da planta tem fibras, que são material importante na indústria de tecidos e na de papel; das flores também é extraído um pigmento. Os botões novos cozidos são servidos como aspargos.

GRÃOS DE GIRASSOL FRITOS

50g de grãos de girassol, com casca
2,5ml de óleo de girassol
sal, a gosto
Colocar em uma frigideira os grãos e o óleo. Deixar no fogo, mexendo sempre, até levemente acastanhados. Colocar sobre papel absorvente para remover o óleo. Colocar sal a gosto.

Helianthus annuus L. é planta anual, originária das Américas do Norte e Central, mais provavelmente do México. Foi levada para a Europa em 1510. A planta pode atingir três metros de altura. A inflorescência, o capítulo, tem até trinta centímetros de diâmetro, com flores amarelas, muito brilhantes, visitadas pelas abelhas. O fruto é um aquênio, que é chamado corriqueiramente de “semente” do girassol. A época do plantio no Brasil é de setembro a fevereiro. A propagação é por meio dos grãos.

Ilustrações
Maria Cecília Tomasi

7 de novembro de 2010

Cambuci

O especial colaborador semanal desse Blog, professor Gil Felippe, presenteia nesse final de semana os moradores do bairro, com um ótimo texto sobre o Cambuci, fruto que aliás eu não conheço ao vivo...


Família MYRTACEAE, dicot. (129 gêneros e 4620 espécies).
A família Myrtaceae é tropical e subtropical, apresentando dois grandes centros de dispersão: nas Américas e na Austrália. Suas espécies são árvores e arbustos, com flores hermafroditas. As espécies desta família são utilizadas para madeira, para produção de frutas, para óleos medicinais e aromáticos, e muitas como ornamentais Uma espécie européia típica das Myrtaceae é a murta, Myrtus communis. De acordo com a mitologia grega, este arbusto era originalmente uma das sacerdotisas favoritas de Afrodite. Para impedir que um admirador fogoso levasse sua sacerdotisa, Afrodite a transformou na murta, assim ela ficaria sempre ao seu lado. Freqüentemente Afrodite era representada com uma grinalda de murta. O cravo-da-índia e o eucalipto são espécies muito conhecidas da família Myrtaceae.


CAMBUCI
É uma árvore frutífera atraente que tem tudo para ser usada como ornamental. A fruta do cambuci tem uma forma muito peculiar. É ovóide-romboidal, com uma crista horizontal, mais ou menos na região do equador da fruta, que a divide em duas partes: lembra a forma de um disco voador ou uma urna ou pote de água dos índios. É por esta razão que se acredita que o nome cambuci vem da palavra tupi-guarani para pote de água. O cambuci é uma árvore em perigo de extinção, que era muito freqüente na cidade de São Paulo, como no Largo do Cambuci. Devido a sua presença bastante comum e em sua homenagem é que foi dado o nome de Cambuci ao conhecido bairro da cidade de São Paulo. Parece que não há nenhum pé de cambuci naquele bairro hoje em dia. Mas, como cambuci também significa pote, pode ser que o nome do bairro tenha essa origem. Afinal o Largo do Cambuci já foi chamado de Largo do Pote (Levino Ponciano, 2001. Bairros paulistanos de A a Z. Editora Senac, São Paulo, p. 39). De acordo com a Sociedade de Preservação e Resgate de Paranapicacaba (SPR - Paranapiacaba) em Paranapiacaba, no caminho para a estação ferroviária, há um velho pé-de-cambuci, apelidado de pau-de-missa. Nos tempos antigos, como ficava em local de passagem de todo mundo, servia como painel improvisado para recados e avisos. As pessoas colocavam em seu tronco grosso seus bilhetes e avisos de missa, enterro, casamentos, festas. E todos que por lá passavam liam as mensagens. Há várias árvores de cambuci na área do Jardim Botânico de São Paulo. A Instituição prepara mudas desta espécie para venda para quem tiver interesse. No início de carreira, o Dr Válio da Universidade Estadual de Campinas, trabalhou por um curto tempo no Jardim Botânico com o taxonomista Oswaldo Handro. Foi o O. Handro quem apresentou os pés-de-cambuci frutificando para o jovem Ivany Válio. Logo o Válio estava preparando cachaça com cambuci, que sempre oferecia aos amigos que o visitavam (em sua casa, não no trabalho!). Era um sucesso sua cachaça com cambuci! As frutas de cambuci têm um perfume intenso adocicado, mas de sabor bastante ácido como o limão. As frutas são muito apreciadas pelas pessoas que possuem esta frutífera em seus pomares e das frutas são feitos geléias, sorvetes, sucos, licores, maceração em bebidas alcoólicas como pinga. É apreciada também ao natural, mesmo sendo ácida. Nos tempos coloniais era feita uma infusão alcoólica em pinga das frutas do cambuci ou de uma mistura de cambuci e uvaia, a infusão ficando com aroma e paladar muito interessantes. Os pássaros são grandes apreciadores do cambuci e são responsáveis pela disseminação da espécie. As frutas não são encontradas no comércio. No passado a madeira da árvore era usada em marcenaria.

GELÉIA DE CAMBUCI
            A receita é da Izilda Maria Siqueira Barbosa, lá do Jardim Botânico de São Paulo. A Izilda é responsável pelo preparo e vendas de mudas de cambuci ali no Jardim Botânico. A geléia é um bocadinho ácida, de uma linda cor dourada. Ótima para passar no pão amanteigado no café da manhã. É uma boa maneira de começar o dia.

1 copo de polpa de cambuci
1 copo de açúcar
Tirar a casca do cambuci e remover as sementes. Medir quantos copos de polpa são  obtidos. Para cada copo de polpa, usar um copo de açúcar.  Levar ao fogo e mexer com colher de pau por cerca de 30 minutos.
Campomanesia phaea (O. Berg) Landrum (Paivaea langsdorffii é agora considerada um sinônimo) é o cambuci. É uma árvore semi-decídua, com até 8 metros de altura, originária do Brasil, na verdade da Mata Atlântica na vertente da Serra do Mar que dá para o planalto da cidade de São Paulo e do próprio planalto. É rara em áreas de Minas Gerais. A copa é quase piramidal, o tronco com casca que descama muito. As folhas são elípticas e alcançam dez centímetros de comprimento. A floração ocorre de agosto a novembro e as flores hermafroditas são isoladas, pequenas e brancas. A frutificação vai de fevereiro a abril. O fruto, com forma característica, é uma baga com seis centímetros de diâmetro, com casca fina verde-amarelada e polpa aquosa. O fruto contém várias sementes, com viabilidade curta em armazenamento. Quando maduro é muito mole, partindo-se quando cai ao solo. A propagação é por sementes, a germinação ocorrendo entre 15 e 30 dias.
Capsicum  baccatum L. var. pendulum, uma espécie da família Solanaceae, é a pimenta-cambuci, pimenta-godê ou chapéu-de-frade, que muita gente chama de cambuci e lembra em forma o fruto do cambuci. Ela é verde e se torna vermelha ao amadurecer, com aroma leve e pouco apimentada, sendo usada em saladas e cozidos.

Ilustrações
Maria Cecília Tomasi

31 de outubro de 2010

ROMÃ

O texto abaixo foi gentilmente cedido pelo professor Gil Fellipe que tem colaborado semanalmente com interessantes posts para o blog ( veja os outros aqui na Categoria Livros em Destaque), e faz parte de seu livro:
No rastro de Afrodite – plantas afrodisíacas e culinária.
Ateliê Editorial e Editora SENAC São Paulo



Família PUNICACEAE (1 gênero e 2 espécies): distribui-se do sudeste da Europa até o Himalaia.
A romã era um dos ornamentos do Arco do Tabernáculo, segundo a Bíblia. O cálice persistente foi a inspiração para a coroa do rei Salomão e para várias casas reais da Europa. Foi a fruta que Páris deu a Afrodite e não a maçã. Conta uma lenda que Prosérpina, filha da deusa da agricultura Ceres, foi raptada por Plutão, que precisava de uma esposa. Ceres, desesperada, pediu ajuda aos outros deuses do Olimpo, que não lhe deram atenção. Como vingança, ela passou a acabar com a produção de alimentos e os homens passaram a morrer de fome. Júpiter percebeu que sem homens não haveria deuses, já que estes só existiam graças à adoração dos humanos. Júpiter pediu a Plutão o retorno de Prosérpina, mas isto só seria possível se ela não tivesse comido nada no reino dos mortos. Mas, ao entrar lá, ela notara um pé de romã, com as sementes brilhando como rubis no fruto entreaberto: ela não resistiu à tentação e comeu seis grãos. Foi feito, então, um acordo entre Ceres e Plutão: Prosérpina passaria seis meses com Plutão e seis meses com a mãe Ceres. O resultado disto foi o aparecimento na terra do inverno (quando Prosérpina fica no reino dos mortos) e o verão, que mostra a alegria de Ceres pela presença da filha. Para os romanos era o símbolo da fertilidade, abundância e afrodisíaco. Do rastro de Afrodite nasceu a romã na ilha de Chipre e era venerada como símbolo dessa deusa, e o fruto maduro representava a vulva dessa deusa e por esta razão passou a ser considerada como afrodisíaco. Dizia-se que esta planta tinha surgido do sangue do deus Dionísio: quem comesse esta fruta estava também se servindo do sangue deste deus sempre levemente bêbedo e sensual. Assim, a planta era associada, tanto a Afrodite como a Dionísio e depois a ser dedicada à Virgem Maria. Sempre foi considerada um afrodisíaco muito potente na antigüidade, na Idade Média e no começo da Idade Moderna. Nos tempos antigos a flor carnosa da romã era o símbolo da vagina. Era feito vinho do fruto e este vinho tinha um efeito estimulante. Quando as sementes são fermentadas obtém-se a grenadina, um licor que também seria afrodisíaco.


SALADA DE FRUTAS COM ROMÃ


1 romã
1 manga, cortada em cubos
1 abacaxi pequeno, cortado em cubos
1 laranja, em gomos
100g de açúcar
30ml de vinho do porto
Colocar em uma tigela as frutas, menos a romã. Ferver o açúcar com 200ml de água e o caroço da manga durante quinze minutos. Retirar o caroço e juntar o vinho-do-porto. Colocar o caldo sobre as frutas picadas. Salpicar com as sementes vermelhas da romã. Colocar na geladeira até a hora de servir.


1Punica granatum L., a romã, o fruto da romãzeira, é a “pomegranate” dos ingleses. Parece ser originária do sul da Ásia e era inicialmente cultivada pelos fenícios. Foi introduzida no Brasil pelos portugueses já na época do povoamento. As flores, em forma de funil, são grandes e solitárias, com pétalas vermelhas e cálice persistente.


Ilustrações
Maria Cecília Tomasi

“No rastro de Afrodite – plantas afrodisíacas e culinária” recebeu o Gourmand World Cookbook Awards em 2004 como melhor livro de história da culinária no Brasil.
“No rastro de Afrodite – plantas afrodisíacas e culinária” recebeu o Gourmand World Cookbook Awards em 2004 como melhor ilustração em um livro de culinária no Brasil.

23 de outubro de 2010

As flores que vão para a mesa!



CHAGUINHA OU CAPUCHINHO (agora em flor em muitos jardins do bairro)

Família Tropaeolaceae (3 gêneros e 89 espécies).
Ocorre nas montanhas da América do Sul e Central. Suas espécies são ervas, muitas vezes trepadeiras, mas sem gavinhas: são os pecíolos que se enrolam. Muitas espécies apresentam raízes tuberosas.

CHAGUINHA
Diz uma lenda, que um indígena peruano descia uma das encostas dos Andes, carregando uma sacola cheia de ouro, quando foi atacado pelos espanhóis. Ele desesperado implorou a seus deuses que escondessem seu ouro. Na luta entre ele e os espanhóis, as pepitas de ouro rolaram encosta abaixo e de cada pepita nasceu uma flor luminosa, dourada, a chaguinha. A chaguinha ou capuchinho, uma das mais conhecidas flores comestíveis, apresenta flores vistosas, que vão de amarelo a vermelho, a mais comum sendo a alaranjada. É conhecida como “nasturtium” entre os homens que falam inglês. A idéia de usar suas pétalas em alimento vem do Oriente. Por sua beleza tornam um prato muito bonito, como enfeitando saladas e as pétalas quando misturadas à manteiga dão uma coloração muito atraente e um gosto interessante. Essa manteiga pode ser espalhada ligeiramente sobre alguns cozidos, como brócolis, couve-flor e couve-de-bruxelas. As flores têm um gosto apimentado e assim podem até substituir a mostarda ou o agrião em sanduíches. As flores são colocadas em vinagre para curtir. Podem ainda ser empanadas ou colocadas em macarrão, em omeletes e suflês ou serem cristalizadas. Flores de chaguinha recheadas com guacamole são uma delícia! Tanto o vinagre de vinho branco ou tinto, como o de maçã, podem ser aromatizados com flores de chaguinha. Seus frutos podem substituir a alcaparra e são bem mais baratos – na Inglaterra são conhecidos como a ‘alcaparra dos pobres’. As folhas também podem ser colocadas em saladas ou empanadas.

SALADA DE MACARRÃO COM CHAGUINHA
            Quanto à beleza desta salada, não é preciso dizer nada!

10 flores de chaguinha
1 cenoura em rodelas, ligeiramente cozidas
1 funcho
100g de ervilhas cozidas (ou de lata)
150g de maionese
150g de ricota
50g de alcaparras
50g de azeitonas verdes, sem caroço
sal, a gosto
pimenta-do-reino, a gosto
500g de macarrão
            Misturar a ricota com a maionese, até ficar um molho bem cremoso. Juntar as rodelas finas da cenoura, o funcho em pedaços pequenos, a ervilha, as azeitonas e a alcaparra. Verificar o sal. Cozinhar o macarrão e deixar esfriar. Misturar o molho com o macarrão e colocar em uma travessa. Polvilhar com pimenta-do-reino. Enfeitar com as flores de chaguinha.

VINAGRE DE CHAGUINHA

1 litro de vinagre de vinho branco
2 xícaras de flores de chaguinha
            Colocar as flores em um vidro e cobrir com o vinagre. Fechar e guardar em local claro por duas semanas. O mesmo pode ser feito com flores de violeta.

Tropaeolum majus L. - é originária do Peru e foi introduzida na Europa no século XVI, quando sementes trazidas das Índias Ocidentais chegaram à Espanha. É uma anual, que pode atingir vinte e cinco centímetros de altura e ao se espalhar cobre boa extensão do terreno ao seu redor. Floresce na primavera e verão. As folhas são arredondadas. A planta prefere locais com sol o dia todo. O solo não deve ser adubado, pois em solo rico produz muitas folhas e poucas flores. A propagação é através de sementes.
Texto do Livro: Entre o jardim e a horta – as flores que vão para a mesa
Gil Felippe (2005).Com lindas ilustrações em aquarela de Maria Cecília Tomasi
Editora SENAC São Paulo

16 de outubro de 2010

O Solitário do Cerrado

A interessante colaboração dessa semana do professor Gil Fellipe para os leitores do Blog Alô Bairro Demétria vem do seu livro “O SOLITÁRIO DO CERRADO" com um trecho da biografia e dos diários do naturalista Amaro Macedo:


Amaro Macedo nasceu em 10 de maio de 1914 em Campina Verde, Minas Gerais. Mora em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro. Foi professor e fazendeiro e é um dos grandes naturalistas do século XX. Começou a coletar plantas em 1943 e nunca mais parou. Ele viajou, principalmente pelos cerrados, de Minas Gerais, Goiás (englobando o que é hoje Tocantins) e o norte do Brasil, tendo chegado a Belém. Coletou muitas plantas, mostrou os hábitos dos povos dos locais por onde passou, a comida, o ambiente, como eram os hotéis e pensões, os meios de transporte, o preço das coisas na época, um Brasil que quase já desapareceu. E tirava muitas fotos em todas as suas viagens. Nas várias excursões, na maioria delas como um solitário naturalista, entre 1943 e 2007, coletou 6008 espécies, a maioria delas de espécies de plantas dos cerrados. Varias plantas eram espécies novas. Botânicos famosos dedicaram várias espécies a ele.

(Foto de Luciano Esteves-2007)


EXCURSÃO À SERRA DOURADA

(texto de Amaro Macedo – diário da excursão)

Nos dias 13 e 15 de dezembro de 1951, eu e meu pai fizemos a segunda excursão à Serra Dourada. Partindo da cidade de Goiás, passamos pela fazenda “Quinta” dos sucessores de Olímpio Batista, morador do município de Ituiutaba há muitos anos. O sr. prefeito de Goiás indicou-nos um guia, Sr.Adauto, que nos acompanhou durante as duas viagens que fizemos à Serra Dourada. O Sr. Adauto, apesar de sua solicitude, pouco adiantou-nos como guia como se poderá ver adiante.

Galgamos a serra, distante uma légua da Quinta onde havia há tempos um garimpo de cristal. Seguimos pela estrada de rodagem que vai a São José de Mossâmedes até uma encruzilhada, por onde os caminhões passavam para buscar cristal. Deixamos o automóvel próximo à casa de um agregado, a uns 500 m da encosta e encetamos a subida que neste ponto é de fácil acesso.

Uma das espécies mais interessantes e muito falada de que tivemos notícias foi a "árvore do papel", por nós encontrada a primeira vez completamente florida. É uma árvore fina, enfezada, tendo a casca alva e solta; até os galhos mais finos possuem películas desta casca em camadas concêntricas. Tal espécie é a Tibouchina papyros Pohl, mencionada por St. Hilaire.

Terminada essa nossa primeira penetração nos domínios da flora da Serra Dourada, regressamos à Quinta e dessa fazenda ao povoado de Mossâmedes, situado a sete léguas da cidade de Goiás. Mossâmedes é um lugarejo com algumas casas de comércio, farmácia e pensões, tendo uma praça com uma igreja no centro. A igreja foi construída pelos índios em 1774, com paredes de terra socada e de um metro de espessura. Na reconstrução da igreja usaram tijolos na parede da frente. Fizeram também no interior uma parede abandonando assim a parte posterior que ficou entregue aos morcegos e corujas.

Pernoitamos em uma pensão que apesar de modesta serviu-nos ótima comida. O quarto de dormir, em uma casa à parte, deixou muito a desejar, pois com a forte chuva que desabou à noite fomos brindados com enormes jatos d’água, como conseqüência das goteiras encontrada no telhado. No dia 14, após o bem servido almoço, seguimos pela estrada de Goiás uma légua e por um desvio, pouco adiante, ao Retiro do Chico Pinto, nome do fazendeiro que possui, também, outras fazendas. Lá deixamos o auto e iniciamos a escalada da Serra Dourada distante do Sitio 4 km. O retireiro (aquele que, numa fazenda, ordenha o gado) explicou-nos o caminho e seguimos então por trilhos, entre cerrados ralos e campos, deixando sempre de lado as matas. A serra nesse ponto é mais elevada que naquele que escalamos no dia anterior. Por campos e cerrados, fomos subindo até galgar o cimo que aqui é formado de vasta área plana arenosa, muitas vezes entremeada de paredões de pedras empilhadas em lascas. 


O Livro "O Solitário do Cerrado" de autoria de Gil Fellipe e Maria do Carmo Duarte Macedo poderá ser encontrado no site da Editora Ateliê: www.atelie.com.br

11 de outubro de 2010

A PITANGA E O JARDIM BOTÂNICO DE PISA

O livro em destaque dessa semana é DO ÉDEN AO ÉDEN – Jardins Botânicos e a aventura das plantas (Gil Felippe e Lílian P. Zaidan- 2008 )

Veja outras colaborações do Prof. Gil Felippe para o Blog na Categoria Livros em destaque.

Campo Santo em Pisa (Foto de Gil Felippe)

A PITANGA E O JARDIM BOTÂNICO DE PISA
Criado em 1543, por Luca Ghini, quando a Toscana era governada pelo grão-duque Cósimo I da casa dos Médici, o Jardim Botânico de Pisa é o mais antigo do mundo. Pertencia à Universidade de mesmo nome, e tinha inicialmente, a função de manter plantas medicinais para os estudantes e professores da faculdade de medicina.

Atualmente sua coleção de árvores e arbustos tem quase 1000 espécies, muitas introduzidas há séculos, como é o caso da pitanga.

Os botânicos do mundo inteiro conhecem a pitanga pelo seu nome latino, Eugenia uniflora L.. O mais interessante é que a primeira pitangueira que os botânicos conheceram não crescia no Brasil, mas no Jardim Botânico de Pisa. Os portugueses levaram a espécie, colhida no Brasil, para Goa, na Índia, onde ela foi bem aclimatada. De Goa, a semente da pitanga foi enviada para o Jardim Botânico de Pisa, onde germinou, dando origem a uma árvore que cresceu muito bem. Botanicamente, ela foi descrita pela primeira vez no Jardim de Pisa. De Pisa, ela foi distribuída pela Europa, e hoje há pitangueiras crescendo na costa do Mediterrâneo na Europa e na África. Há pitangueiras por toda a Riviera Européia.

A pitanga, fruto da pitangueira, é chamada em inglês de “Surinam cherry”, “pitanga” ou “Brazil cherry”. Em espanhol é a “cereza de cayena” , “pitanga” ou “pendanga” e em algumas regiões que falam francês, “cerise à côtes”, “cerise carrée”, “rousaille” ou “cerises-côtes”. Na Argentina e Paraguai é “ñangapiri”. Em algumas regiões do Brasil também é conhecida como ibitanga e pitanguba. A pitangueira é muito ornamental, usada freqüentemente na Flórida com essa finalidade. É uma planta brasileira comum, hoje em dia, nas Filipinas e no sudeste da Ásia. A pitangueira é encontrada em todos os pomares caseiros no interior de São Paulo. As frutas, vermelhas, deliciosas quando comidas ao natural, devem ser colhidas só bem maduras, uma ou duas vezes por dia. Uma boa maneira de apreciá-las é polvilhando as frutas com açúcar antes de colocá-las na geladeira: elas ficam mais doces e exudam um suco muito saboroso. São também apreciadas sob a forma de geléias, sorvetes, saladas, sucos e licores. Faz-se também, com a pitanga, vinho e vinagre. É uma fruta rica em vitamina C: 40mg em 100g de frutas. Cada quilo de pitanga apresenta 10g de proteína, 5g de gorduras e 130g de carboidrato, sendo que 90% da fruta nada mais é que água. O chá das folhas da pitangueira é empregado em medicina caseira no tratamento de gota e dores de estômago.

A pitangueira, Eugenia uniflora L., da família das Mirtáceas, é nativa da Mata Atlântica do Brasil. É encontrada na floresta estacional semidecídua do planalto, desde Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. Ocorre também nas restingas. Muitos autores acreditam que do sudeste e do sul do Brasil a espécie se espalhou pelo Brasil inteiro e pela parte tropical das Américas. É uma árvore semidecídua com até oito metros de altura, com tronco tortuoso de casca descamante. As folhas - bastante brilhantes e aromáticas - são róseas, quando bem jovens, e verdes, de tom bem escuro, quando adultas. As flores, muito apreciadas pelas abelhas, são brancas e, muito perfumadas. Aparecem isoladamente ou em grupos de duas ou três na axila das folhas. A floração ocorre de agosto a novembro. O fruto, muito saboroso, é uma baga achatada, com até três centímetros de diâmetro, que apresenta sete a dez sulcos longitudinais e mantém os restos do cálice da flor. A casca do fruto maduro é bem vermelha, com a polpa rosada, aquosa, perfumada, doce, mas levemente ácida. A cor da fruta lhe deu o nome: pitanga quer dizer vermelho, em tupi-guarani. Cada fruto tem uma semente grande ou duas a três sementes pequenas e achatadas. A frutificação ocorre de outubro a janeiro. Há duas variedades de pitanga, uma com fruto vermelho-vivo e outra com fruto vermelho-escuro, quase negro. A propagação é por meio de sementes, com viabilidade de cerca de um mês. A germinação ocorre em três semanas. A propagação também pode ser feita por meio de enxertia. No Brasil, muitas outras espécies são conhecidas como pitanga.

A família das Mirtáceas, da região tropical e da região subtropical, com grandes centros de dispersão na Austrália e nas Américas, tem quase 5000 espécies, distribuídas em cerca de 130 gêneros. Suas espécies são árvores e arbustos, sempre com flores hermafroditas. O cravo-da-índia, o eucalipto, a goiaba, o cambuci, a jabuticaba e a uvaia são todas desta família.

Editora SENAC São Paulo

http://www.blogger.com/www.editorasenacsp.com.br

4 de outubro de 2010

Urucum

O Livro em destaque hoje é O Saber do Sabor:

Apresenta receitas para uma culinária versátil e diferenciada, além de informações e conhecimentos de botânica sobre as plantas que entram na composição dos pratos

Sobre o autor:
Gil Felippe, gourmet de gosto refinado, é doutor em botânica pela Universty of Edinburgh, onde trabalhou por vários anos. Foi professor titular da Unicamp. Atualmente, dedica-se à botânica e culinária, unindo ciência e arte de forma simples, clara, objetiva e sofisticada.

URUCUM
Bixa orellana
Família Bixaceae
A família Bixaceae é de distribuição tropical nas Américas. Apresenta três gêneros: Bixa, Amoreuxia e Cochlospermum.

COLORAU DA ANTÔNIA LETÍCIA BISPO TOMÁS
Esta receita de preparo do colorau era feita pela Antônia em pilão de pau, em uma chácara em Hortolândia. Antes dela, até 1993, por dona Mariinha, alagoana, mãe de Antônia.
Também gosto de preparar colorau de outra maneira: coloco umas 100 sementes DE urucum em um vidro, cobertas com 250ml de azeite. Depois de algum tempo, o azeite extrai o pigmento das sementes e fica muito colorido. Está pronto para ser usado.

250g de sementes de urucum1
1kg de fubá2
20ml de óleo de soja3

Colher os frutos maduros do urucum após dois ou três dias sem chuva. Remover as sementes dos frutos. Aquecer o óleo em uma frigideira e fritar as sementes. Acrescentar o fubá, mexer continuamente, fritando levemente a mistura. Deixar esfriar e socar em pilão de madeira (sem quebrar as sementes). Peneirar e armazenar em vidros bem fechados. As mesmas sementes podem ser usadas mais de uma vez.

1.O colorau, retirado da semente de Bixa orellana L. (família Bixaceae), o urucum, é encontrado em estado silvestre desde as Guianas até o estado da Bahia, no Brasil. A camada externa da semente, o arilo, é que dá o corante alaranjado, o colorau. A espécie é também chamada de urucu pelos indígenas brasileiros, que a usam como fonte de corante. No estado de São Paulo, é usada como árvore ornamental em muitos jardins.
2.Zea mays (Gramineae).
3.Glycine max (Leguminosae-Papilionoideae).


Ilustração: Urucum

Aquarela feita para o livro por

Maria Cecília Tomasi

Mais informações sobre o livro: http://www.editorasetembro.com.br/

30 de setembro de 2010

Kântele


Flávia Betti foi a professora de música dos meus filhos desde quando tinham 3 anos! Foi com ela que eles aprenderam a tocar Kântele e amar a música. Não tenho dúvidas que isso constituiu a base sólida onde hoje se sustenta toda sua musicalidade.
Leiam o texto sobre Kantele que ela enviou para o Blog:

O Kântele é uma pequenina harpa e tem a seguinte escala pentatônica: Ré, Mi, Sol, Lá, Si.  Como o nome mesmo diz, é uma escala de cinco tons. As escalas pentatônicas eram muito usadas na antiga China, quando o estado de consciência da humanidade lhe permitia ainda ter acesso ao mundo espiritual. Não havia ainda uma separação tão grande do mundo físico e do espiritual como nos dias de hoje.

O kântele nos traz essa incrível possibilidade. Nossa consciência é imediatamente modificada. Uma chuva de gotas sonoras finíssimas cai sobre todo o ambiente. Claridade e paz penetram confortavelmente em nossa alma. Relaxamos...suspiramos...às vezes, choramos!

Se existe um instrumento capaz de trazer aconchego, amor e suavidade, esse instrumento é o kântele.

 Um portal dourado do qual nos é permitido aproximar só do limiar. Através dele a luz dourada do sol vem transpassar o caos e a ansiedade e aquecer nossos corações.

Flávia