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28 de agosto de 2011

Época da Amoras!

Com as amoreiras lotadas de frutos, as sobremesas por aqui ganham caldas saborosas como essa: -sorvete de creme com calda de amoras e granola.

Foto Eduarda
Bom Apetite!

7 de novembro de 2010

Cambuci

O especial colaborador semanal desse Blog, professor Gil Felippe, presenteia nesse final de semana os moradores do bairro, com um ótimo texto sobre o Cambuci, fruto que aliás eu não conheço ao vivo...


Família MYRTACEAE, dicot. (129 gêneros e 4620 espécies).
A família Myrtaceae é tropical e subtropical, apresentando dois grandes centros de dispersão: nas Américas e na Austrália. Suas espécies são árvores e arbustos, com flores hermafroditas. As espécies desta família são utilizadas para madeira, para produção de frutas, para óleos medicinais e aromáticos, e muitas como ornamentais Uma espécie européia típica das Myrtaceae é a murta, Myrtus communis. De acordo com a mitologia grega, este arbusto era originalmente uma das sacerdotisas favoritas de Afrodite. Para impedir que um admirador fogoso levasse sua sacerdotisa, Afrodite a transformou na murta, assim ela ficaria sempre ao seu lado. Freqüentemente Afrodite era representada com uma grinalda de murta. O cravo-da-índia e o eucalipto são espécies muito conhecidas da família Myrtaceae.


CAMBUCI
É uma árvore frutífera atraente que tem tudo para ser usada como ornamental. A fruta do cambuci tem uma forma muito peculiar. É ovóide-romboidal, com uma crista horizontal, mais ou menos na região do equador da fruta, que a divide em duas partes: lembra a forma de um disco voador ou uma urna ou pote de água dos índios. É por esta razão que se acredita que o nome cambuci vem da palavra tupi-guarani para pote de água. O cambuci é uma árvore em perigo de extinção, que era muito freqüente na cidade de São Paulo, como no Largo do Cambuci. Devido a sua presença bastante comum e em sua homenagem é que foi dado o nome de Cambuci ao conhecido bairro da cidade de São Paulo. Parece que não há nenhum pé de cambuci naquele bairro hoje em dia. Mas, como cambuci também significa pote, pode ser que o nome do bairro tenha essa origem. Afinal o Largo do Cambuci já foi chamado de Largo do Pote (Levino Ponciano, 2001. Bairros paulistanos de A a Z. Editora Senac, São Paulo, p. 39). De acordo com a Sociedade de Preservação e Resgate de Paranapicacaba (SPR - Paranapiacaba) em Paranapiacaba, no caminho para a estação ferroviária, há um velho pé-de-cambuci, apelidado de pau-de-missa. Nos tempos antigos, como ficava em local de passagem de todo mundo, servia como painel improvisado para recados e avisos. As pessoas colocavam em seu tronco grosso seus bilhetes e avisos de missa, enterro, casamentos, festas. E todos que por lá passavam liam as mensagens. Há várias árvores de cambuci na área do Jardim Botânico de São Paulo. A Instituição prepara mudas desta espécie para venda para quem tiver interesse. No início de carreira, o Dr Válio da Universidade Estadual de Campinas, trabalhou por um curto tempo no Jardim Botânico com o taxonomista Oswaldo Handro. Foi o O. Handro quem apresentou os pés-de-cambuci frutificando para o jovem Ivany Válio. Logo o Válio estava preparando cachaça com cambuci, que sempre oferecia aos amigos que o visitavam (em sua casa, não no trabalho!). Era um sucesso sua cachaça com cambuci! As frutas de cambuci têm um perfume intenso adocicado, mas de sabor bastante ácido como o limão. As frutas são muito apreciadas pelas pessoas que possuem esta frutífera em seus pomares e das frutas são feitos geléias, sorvetes, sucos, licores, maceração em bebidas alcoólicas como pinga. É apreciada também ao natural, mesmo sendo ácida. Nos tempos coloniais era feita uma infusão alcoólica em pinga das frutas do cambuci ou de uma mistura de cambuci e uvaia, a infusão ficando com aroma e paladar muito interessantes. Os pássaros são grandes apreciadores do cambuci e são responsáveis pela disseminação da espécie. As frutas não são encontradas no comércio. No passado a madeira da árvore era usada em marcenaria.

GELÉIA DE CAMBUCI
            A receita é da Izilda Maria Siqueira Barbosa, lá do Jardim Botânico de São Paulo. A Izilda é responsável pelo preparo e vendas de mudas de cambuci ali no Jardim Botânico. A geléia é um bocadinho ácida, de uma linda cor dourada. Ótima para passar no pão amanteigado no café da manhã. É uma boa maneira de começar o dia.

1 copo de polpa de cambuci
1 copo de açúcar
Tirar a casca do cambuci e remover as sementes. Medir quantos copos de polpa são  obtidos. Para cada copo de polpa, usar um copo de açúcar.  Levar ao fogo e mexer com colher de pau por cerca de 30 minutos.
Campomanesia phaea (O. Berg) Landrum (Paivaea langsdorffii é agora considerada um sinônimo) é o cambuci. É uma árvore semi-decídua, com até 8 metros de altura, originária do Brasil, na verdade da Mata Atlântica na vertente da Serra do Mar que dá para o planalto da cidade de São Paulo e do próprio planalto. É rara em áreas de Minas Gerais. A copa é quase piramidal, o tronco com casca que descama muito. As folhas são elípticas e alcançam dez centímetros de comprimento. A floração ocorre de agosto a novembro e as flores hermafroditas são isoladas, pequenas e brancas. A frutificação vai de fevereiro a abril. O fruto, com forma característica, é uma baga com seis centímetros de diâmetro, com casca fina verde-amarelada e polpa aquosa. O fruto contém várias sementes, com viabilidade curta em armazenamento. Quando maduro é muito mole, partindo-se quando cai ao solo. A propagação é por sementes, a germinação ocorrendo entre 15 e 30 dias.
Capsicum  baccatum L. var. pendulum, uma espécie da família Solanaceae, é a pimenta-cambuci, pimenta-godê ou chapéu-de-frade, que muita gente chama de cambuci e lembra em forma o fruto do cambuci. Ela é verde e se torna vermelha ao amadurecer, com aroma leve e pouco apimentada, sendo usada em saladas e cozidos.

Ilustrações
Maria Cecília Tomasi

31 de outubro de 2010

ROMÃ

O texto abaixo foi gentilmente cedido pelo professor Gil Fellipe que tem colaborado semanalmente com interessantes posts para o blog ( veja os outros aqui na Categoria Livros em Destaque), e faz parte de seu livro:
No rastro de Afrodite – plantas afrodisíacas e culinária.
Ateliê Editorial e Editora SENAC São Paulo



Família PUNICACEAE (1 gênero e 2 espécies): distribui-se do sudeste da Europa até o Himalaia.
A romã era um dos ornamentos do Arco do Tabernáculo, segundo a Bíblia. O cálice persistente foi a inspiração para a coroa do rei Salomão e para várias casas reais da Europa. Foi a fruta que Páris deu a Afrodite e não a maçã. Conta uma lenda que Prosérpina, filha da deusa da agricultura Ceres, foi raptada por Plutão, que precisava de uma esposa. Ceres, desesperada, pediu ajuda aos outros deuses do Olimpo, que não lhe deram atenção. Como vingança, ela passou a acabar com a produção de alimentos e os homens passaram a morrer de fome. Júpiter percebeu que sem homens não haveria deuses, já que estes só existiam graças à adoração dos humanos. Júpiter pediu a Plutão o retorno de Prosérpina, mas isto só seria possível se ela não tivesse comido nada no reino dos mortos. Mas, ao entrar lá, ela notara um pé de romã, com as sementes brilhando como rubis no fruto entreaberto: ela não resistiu à tentação e comeu seis grãos. Foi feito, então, um acordo entre Ceres e Plutão: Prosérpina passaria seis meses com Plutão e seis meses com a mãe Ceres. O resultado disto foi o aparecimento na terra do inverno (quando Prosérpina fica no reino dos mortos) e o verão, que mostra a alegria de Ceres pela presença da filha. Para os romanos era o símbolo da fertilidade, abundância e afrodisíaco. Do rastro de Afrodite nasceu a romã na ilha de Chipre e era venerada como símbolo dessa deusa, e o fruto maduro representava a vulva dessa deusa e por esta razão passou a ser considerada como afrodisíaco. Dizia-se que esta planta tinha surgido do sangue do deus Dionísio: quem comesse esta fruta estava também se servindo do sangue deste deus sempre levemente bêbedo e sensual. Assim, a planta era associada, tanto a Afrodite como a Dionísio e depois a ser dedicada à Virgem Maria. Sempre foi considerada um afrodisíaco muito potente na antigüidade, na Idade Média e no começo da Idade Moderna. Nos tempos antigos a flor carnosa da romã era o símbolo da vagina. Era feito vinho do fruto e este vinho tinha um efeito estimulante. Quando as sementes são fermentadas obtém-se a grenadina, um licor que também seria afrodisíaco.


SALADA DE FRUTAS COM ROMÃ


1 romã
1 manga, cortada em cubos
1 abacaxi pequeno, cortado em cubos
1 laranja, em gomos
100g de açúcar
30ml de vinho do porto
Colocar em uma tigela as frutas, menos a romã. Ferver o açúcar com 200ml de água e o caroço da manga durante quinze minutos. Retirar o caroço e juntar o vinho-do-porto. Colocar o caldo sobre as frutas picadas. Salpicar com as sementes vermelhas da romã. Colocar na geladeira até a hora de servir.


1Punica granatum L., a romã, o fruto da romãzeira, é a “pomegranate” dos ingleses. Parece ser originária do sul da Ásia e era inicialmente cultivada pelos fenícios. Foi introduzida no Brasil pelos portugueses já na época do povoamento. As flores, em forma de funil, são grandes e solitárias, com pétalas vermelhas e cálice persistente.


Ilustrações
Maria Cecília Tomasi

“No rastro de Afrodite – plantas afrodisíacas e culinária” recebeu o Gourmand World Cookbook Awards em 2004 como melhor livro de história da culinária no Brasil.
“No rastro de Afrodite – plantas afrodisíacas e culinária” recebeu o Gourmand World Cookbook Awards em 2004 como melhor ilustração em um livro de culinária no Brasil.

23 de outubro de 2010

As flores que vão para a mesa!



CHAGUINHA OU CAPUCHINHO (agora em flor em muitos jardins do bairro)

Família Tropaeolaceae (3 gêneros e 89 espécies).
Ocorre nas montanhas da América do Sul e Central. Suas espécies são ervas, muitas vezes trepadeiras, mas sem gavinhas: são os pecíolos que se enrolam. Muitas espécies apresentam raízes tuberosas.

CHAGUINHA
Diz uma lenda, que um indígena peruano descia uma das encostas dos Andes, carregando uma sacola cheia de ouro, quando foi atacado pelos espanhóis. Ele desesperado implorou a seus deuses que escondessem seu ouro. Na luta entre ele e os espanhóis, as pepitas de ouro rolaram encosta abaixo e de cada pepita nasceu uma flor luminosa, dourada, a chaguinha. A chaguinha ou capuchinho, uma das mais conhecidas flores comestíveis, apresenta flores vistosas, que vão de amarelo a vermelho, a mais comum sendo a alaranjada. É conhecida como “nasturtium” entre os homens que falam inglês. A idéia de usar suas pétalas em alimento vem do Oriente. Por sua beleza tornam um prato muito bonito, como enfeitando saladas e as pétalas quando misturadas à manteiga dão uma coloração muito atraente e um gosto interessante. Essa manteiga pode ser espalhada ligeiramente sobre alguns cozidos, como brócolis, couve-flor e couve-de-bruxelas. As flores têm um gosto apimentado e assim podem até substituir a mostarda ou o agrião em sanduíches. As flores são colocadas em vinagre para curtir. Podem ainda ser empanadas ou colocadas em macarrão, em omeletes e suflês ou serem cristalizadas. Flores de chaguinha recheadas com guacamole são uma delícia! Tanto o vinagre de vinho branco ou tinto, como o de maçã, podem ser aromatizados com flores de chaguinha. Seus frutos podem substituir a alcaparra e são bem mais baratos – na Inglaterra são conhecidos como a ‘alcaparra dos pobres’. As folhas também podem ser colocadas em saladas ou empanadas.

SALADA DE MACARRÃO COM CHAGUINHA
            Quanto à beleza desta salada, não é preciso dizer nada!

10 flores de chaguinha
1 cenoura em rodelas, ligeiramente cozidas
1 funcho
100g de ervilhas cozidas (ou de lata)
150g de maionese
150g de ricota
50g de alcaparras
50g de azeitonas verdes, sem caroço
sal, a gosto
pimenta-do-reino, a gosto
500g de macarrão
            Misturar a ricota com a maionese, até ficar um molho bem cremoso. Juntar as rodelas finas da cenoura, o funcho em pedaços pequenos, a ervilha, as azeitonas e a alcaparra. Verificar o sal. Cozinhar o macarrão e deixar esfriar. Misturar o molho com o macarrão e colocar em uma travessa. Polvilhar com pimenta-do-reino. Enfeitar com as flores de chaguinha.

VINAGRE DE CHAGUINHA

1 litro de vinagre de vinho branco
2 xícaras de flores de chaguinha
            Colocar as flores em um vidro e cobrir com o vinagre. Fechar e guardar em local claro por duas semanas. O mesmo pode ser feito com flores de violeta.

Tropaeolum majus L. - é originária do Peru e foi introduzida na Europa no século XVI, quando sementes trazidas das Índias Ocidentais chegaram à Espanha. É uma anual, que pode atingir vinte e cinco centímetros de altura e ao se espalhar cobre boa extensão do terreno ao seu redor. Floresce na primavera e verão. As folhas são arredondadas. A planta prefere locais com sol o dia todo. O solo não deve ser adubado, pois em solo rico produz muitas folhas e poucas flores. A propagação é através de sementes.
Texto do Livro: Entre o jardim e a horta – as flores que vão para a mesa
Gil Felippe (2005).Com lindas ilustrações em aquarela de Maria Cecília Tomasi
Editora SENAC São Paulo

20 de outubro de 2010

Bolo de Fubá com Fécula de Araruta

Colaboração da Denise do Atiaia


BOLO DE FUBÁ:


2 copos de fubá orgânico
3:4 copo de fécula de araruta
2 colheres sopa azeite de oliva
1 copo de iogurte ou kefir
3 ovos caipiras
3:4 xícara de açúcar orgânico
canela e erva doce


Bata as claras, juntando o açúcar aos poucos até ponto de suspiro. Bata no liquidificador as gemas, iogurte, fubá araruta e azeite. Transfira para uma tigela grande, coloque a erva doce a gosto. Junte as claras com cuidado. Coloque numa fôrma de buraco no meio untada com azeite e enfarinhada com araruta. Polvilhe açúcar e canela na superfície. Asse em forno médio a baixo, pré-aquecido, até que doure e as laterais se despeguem da fôrma (mais ou menos 1 hora e 15 min).




Araruta: raíz nativa do Brasil usada antigamente para fazer bolachas, bolos e pães. Hoje quase extinta, está sendo reintroduzida em Seropédica, projeto de agricultura orgânica da  UFRJ:

4 de outubro de 2010

Urucum

O Livro em destaque hoje é O Saber do Sabor:

Apresenta receitas para uma culinária versátil e diferenciada, além de informações e conhecimentos de botânica sobre as plantas que entram na composição dos pratos

Sobre o autor:
Gil Felippe, gourmet de gosto refinado, é doutor em botânica pela Universty of Edinburgh, onde trabalhou por vários anos. Foi professor titular da Unicamp. Atualmente, dedica-se à botânica e culinária, unindo ciência e arte de forma simples, clara, objetiva e sofisticada.

URUCUM
Bixa orellana
Família Bixaceae
A família Bixaceae é de distribuição tropical nas Américas. Apresenta três gêneros: Bixa, Amoreuxia e Cochlospermum.

COLORAU DA ANTÔNIA LETÍCIA BISPO TOMÁS
Esta receita de preparo do colorau era feita pela Antônia em pilão de pau, em uma chácara em Hortolândia. Antes dela, até 1993, por dona Mariinha, alagoana, mãe de Antônia.
Também gosto de preparar colorau de outra maneira: coloco umas 100 sementes DE urucum em um vidro, cobertas com 250ml de azeite. Depois de algum tempo, o azeite extrai o pigmento das sementes e fica muito colorido. Está pronto para ser usado.

250g de sementes de urucum1
1kg de fubá2
20ml de óleo de soja3

Colher os frutos maduros do urucum após dois ou três dias sem chuva. Remover as sementes dos frutos. Aquecer o óleo em uma frigideira e fritar as sementes. Acrescentar o fubá, mexer continuamente, fritando levemente a mistura. Deixar esfriar e socar em pilão de madeira (sem quebrar as sementes). Peneirar e armazenar em vidros bem fechados. As mesmas sementes podem ser usadas mais de uma vez.

1.O colorau, retirado da semente de Bixa orellana L. (família Bixaceae), o urucum, é encontrado em estado silvestre desde as Guianas até o estado da Bahia, no Brasil. A camada externa da semente, o arilo, é que dá o corante alaranjado, o colorau. A espécie é também chamada de urucu pelos indígenas brasileiros, que a usam como fonte de corante. No estado de São Paulo, é usada como árvore ornamental em muitos jardins.
2.Zea mays (Gramineae).
3.Glycine max (Leguminosae-Papilionoideae).


Ilustração: Urucum

Aquarela feita para o livro por

Maria Cecília Tomasi

Mais informações sobre o livro: http://www.editorasetembro.com.br/

27 de setembro de 2010

Mangueira

Mais uma dica de livro do meu Professor Gil Felippe com interessantes informações botânicas para um público ampliado: Árvores Frutíferas Exóticas.Esse livro e o de Árvores Frutíferas Brasileiras são ilustrados com fotos da editora, mas a foto abaixo eu tirei do Google imagens:
MANGUEIRA
Mangifera indica L.
Classificação botânica
divisão angiospermas
classe dicotiledôneas
família anacardiácea
gênero Mangifera
espécie Mangifera indica L.
batizada por Lineu (1707-1778)

Características da planta

FRUTO
ÁRVORE
nome popular
manga
mangueira
Outros nomes
mango em inglês e espanhol, mangot em francês, manja em holandês; mangou ou mangoro em muitos países a fricanos; amb na Índia e amra no arquipélago malaio
-de-manga
Tipo
Drupa
sempre-verde
Propagação

germinação de sementes, enxertia e estaquia

A mangueira é originária do sudeste da Ásia, do arquipélago malaio. Já era domesticada na Índia há mais de quatro mil anos. De lá foi para China e Vietnã. Os persas a levaram para a costa ocidental da África no ano 1000. No século XVII, os portugueses introduziram-na no sul da África e no Brasil – de onde saiu para as Antilhas e para o México.
Em Goa, na Índia, os portugueses, realizaram uma seleção de mangueiras, escolhendo aquelas que apresentavam frutos de qualidade. As melhores variedades da época foram trazidas para o Brasil.
A manga bourbon foi uma das primeiras introduzidas aqui. Outra bem antiga é a espada. Além dessas, há muitas outras variedades, como a extrema, a carlota, a coração-de-boi, a haden, a irwin, a zill, a tommy-atkins, a manga-rosa, a coquinho. Todas são tão apreciadas que a fruta é conhecida como “a rainha das frutas tropicais” ou “maçã dos trópicos”.
Na cidade de Belém, capital do Pará, as ruas são arborizadas com mangueiras. Algumas são muito antigas, enormes. Na época de frutificação, elas até vergam com o peso das frutas!
No Brasil não existem mangueiras selvagens. Elas, porém, podem ser encontradas ainda hoje nas florestas de Sri-Lanca, ao pé do Himalaia e nas ilhas Andaman, no golfo de Bengala.

A árvore
Você sabia que há mangueiras com 300 anos de idade? Vistosa, a planta pode chegar a 30 metros de altura. A copa, muito frondosa, nos protege do sol. A raiz principal é muito comprida, chegando a seis metros. As folhas grandes são róseas-avermelhadas quando bem jovens; depois, ficam verdes e brilhantes. As flores aparecem na primavera, em inflorescências nas pontas dos ramos. Há flores hermafroditas e de um sexo só (masculinas ou femininas). Os frutos têm tamanho e peso diferentes, dependendo da variedade. A gente come a polpa amarelo-alaranjada, às vezes macia, outras vezes fibrosa, rica em vitamina A e C. O caroço é fibroso. A semente, formada por dois cotilédones volumosos, tem tempo de vida (viabilidade) curto: cerca de 80 dias.
A família da mangueira, a anacardiácea, tem muitos gêneros. O da mangueira, Mangifera, tem entre 40 e 60 espécies, todas tropicais, ocorrendo apenas na Ásia.

Usos
A melhor maneira de apreciar a manga é ao natural. Mas doces, sorvetes e sucos também são muito gostosos. Com a fruta podemos fazer um molho para acompanhar carne assada de aves ou de porco. Trata-se do chutney, preparado com sal, vinagre, gengibre, sementes de mostarda e muita pimenta.
Quando houver muita manga e não der para usar tudo de uma vez, é só congelar. Mas é necessário certo cuidado. A fruta deve ser descascada e cortada em fatias grossas, rapidamente mergulhadas em suco de limão e depois colocadas em vasilhas bem fechadas, colocadas no congelador. O suco de limão evita que a manga perca sua bela cor alaranjada, pois inibe a oxidação.

Sorvete de abacaxi com manga e figos

Ingredientes
sorvete de abacaxi
1 manga
4 figos em calda

Modo de fazer
Cortar em fatias a manga e os figos em calda.
Em pratos de sobremesa, dispor o sorvete de abacaxi.
Em cima dele colocar fatias de manga e de figo.

Veja mais sobre o livro e o autor aqui: http://www.caminhos-da-ciencia.com.br/frutiferas.asp

22 de setembro de 2010

Uvaia

Gil Felippe, meu caro professor na época em que fui aluna da Unicamp, escreve livros de Botânica para um público mais ampliado que são maravilhosos. Abaixo uma amostra de seu último livro sobre
as Árvores Frutíferas Brasileiras:
(foto de Raphael)

UVAIEIRA
Eugenia uvalha Camb.

Classificação botânica
divisão angiospermas
classe dicotiledôneas
família mirtácea
gênero Eugenia
espécie Eugenia uvalha Cambess.
batizada por Jacques Cambessèdes (1799-1863), abreviado como Cambess.

Características da planta

FRUTO
ÁRVORE
Nome popular
Uvaia
uvaieira
Outros nomes
uvalha, uvalha-do-campo, ubaia ou ubacaba. Em inglês, uvalha.
uvalheira, uaieira, ubaieira, 
pé de uvaia
Tipo
baga
sempre-verde
Propagação

enxertia e germinação de 
sementes (ocorre em cerca
de dez dias; 
deve-se plantar as sementes 
logo depois de colhidas,
pois a viabilidade 
delas é curta :
– em geral menos de 60 dias)


O pé de uvaia é originário do Brasil, de Minas Gerais e de São Paulo até o Rio Grande do Sul. É espécie da Mata Atlântica, de florestas do planalto (portanto, da cidade de São Paulo para o interior) e da bacia do rio Paraná. Ornamental, é muito bonita quando carregada de flores brancas e de frutas amarelas (bastante apreciadas por pássaros), principalmente nos ramos mais finos do topo.
A uvaia dos pomares caseiros é muito atacada por insetos, como a mosca das frutas, que depositam seus ovos dentro dos frutos. Assim, é muito comum grande número de larvas brancas dessas moscas quando se colhe a uvaia. Por isso, antes de comê-la é preciso procurar as larvas e retirá-las.
A árvore
A uvaieira, dependendo do lugar onde cresce, pode chegar a 13 metros de altura. De modo geral o tronco é reto, com casca fina que descama facilmente. O crescimento é muito lento, o que significa que a uvaieira demora vários anos para produzir flores.
As folhas, glabras, são avermelhadas quando jovens e chegam a sete centímetros de comprimento quando adultas. Esmagadas, liberam um perfume bastante agradável.
As flores – hermafroditas, solitárias, pequenas e brancas – aparecem na axila das folhas entre agosto e setembro.
O fruto é uma baga ovóide ou em forma de pêra, com casca aveludada bem amarela, com cerca de três centímetros de diâmetro. A frutificação ocorre de setembro a dezembro. Cada fruto tem uma ou duas sementes.
A família da uvaia, a mirtácea, é natural dos trópicos, com algumas espécies ocorrendo na região temperada da Europa. Muitas espécies são árvores e arbustos. O gênero Eugenia tem mais de 550 espécies. A uvaieira, uma dessas espécies, só ocorre no Brasil.

Usos
A polpa da uvaia é doce, mas bastante ácida, com perfume forte e agradável. Muita gente aprecia a uvaia ao natural, recém-colhida. No interior do estado de São Paulo é comum encontrar sorveteiras que produzem o delicioso sorvete de uvaia.
Da polpa também é feita geléia, caipirinha, vinagre, sucos e geléias.
Nos tempos coloniais, isto é, até a época da independência do Brasil, em 1822, era feita uma infusão em cachaça de uvaia e cambuci. Essa infusão tem um perfume e paladar muito peculiar.


Geléia de uvaia

Ingredientes
500g de uvaia sem caroço
1 copo de água
2 xícaras de chá de açúcar
1 colher de sopa de manteiga

Modo de fazer
Bater no liquidificador a uvaia com um pouco de água
Em uma panela, fazer uma calda com a água e o açúcar e deixar ferver até a quantidade de água diminuir bastante
Juntar a uvaia e a manteiga e mexer até engrossar bem

Veja mais sobre o livro e o autor aqui: http://www.caminhos-da-ciencia.com.br/frutiferas.asp

Aos poucos apresentarei os outros livros dele para vocês. Tenho quase todos e os consulto sempre.