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1 de julho de 2015

A Revisão do Plano Diretor de Botucatu. 4 – Botucatu: escolhas ou sobras?

 Botucatu: escolhas ou sobras? (por Pôla Pazzanese)


Imagem do Google
Na conclusão dessa série de postagens sobre o PDP 2015 de Botucatu iremos apurar alguns pontos fundamentais para levarmos a discussão adiante*¹ e, principalmente, a tempo.
1- Uma boa parte das dificuldades que todos encontram no seu dia-a-dia ocorre por falta de definição clara do que se deve e do como se deve fazer. De pequenas questões localizadas a temas maiores que afetam a muitos. E nos problemas de grande influencia para grupos maiores de pessoas, como em políticas públicas, isso também ocorre por se confundir o debate e o esclarecimento, necessário nas decisões democráticas, com questões e disputas pessoais, constrangedoras nas relações sociais, evitando assim se estabelecer limites e procedimentos claros em assuntos que afetarão a todos depois. E isso faz com que muitos problemas do dia-a-dia se prolonguem desnecessariamente: de uma sala de aula a um sistema educacional, de um consultório a um sistema de saúde e saneamento, de uma loja a um sistema de logística, de um escritório a um sistema empresarial, de um jardim a uma paisagem, de uma casa a uma cidade.
2- Por isso, mesmo com o pouco tempo para participação, é muitíssimo importante que o maior número possível de pessoas saiba e participe desse processo. Com um plano que só atende parcialmente as necessidades da cidade e território e mesmo que dure poucas gestões de governo, todos sofreremos suas consequências. Apenas no caso aqui da Demetria, aparentemente tão isolada da cidade, por exemplo, só entre 2008 e 2013, 5 anos apenas, a cidade avançou metade do caminho do Jd. Aeroporto até ela: Com loteamentos segregadamente "populares" (ver postagens anteriores), no que é uma Zona de Interesse Socioambiental, cujo parcelamento é de 4.000 m2 por razões ambientais. E é um bairro com muita gente que mora, estuda, trabalha, frequenta, usufrui etc., com plena condição de saber mais, colaborando assim para a manutenção (ou defesa? ou desenvolvimento?) de suas tão decantadas qualidades.
3- Como se trata de uma revisão do Plano existente, é fundamental uma comparação entre ele e a proposta de mudanças de agora. Para tanto, precisamos de mais tempo para que mais pessoas e instituições possam vê-los lado a lado. A proposta atual de tratar a cidade por Eixos, por exemplo, dificulta a compreensão do que, como, aonde e porque será modificado o existente.
4- Diversos setores da sociedade não estão devidamente representados, ou não foram devidamente consultados, nos levantamentos e decisões dessa revisão. Pessoas, grupos e setores ativos na Educação, Saúde, Agricultura, Arquitetura e Urbanismo, Ambiente etc., podem e devem ser ouvidos, pois muitos contam com trabalhos relevantes na história e desenvolvimento da cidade e da região. É justamente numa hora como essa que muitas contribuições, embasadas por anos e anos de experiências de aplicação na realidade e reflexão sistemática, podem ser agregadas às políticas públicas de Botucatu.
5- O bom trabalho de coleta e análise de dados que embasa essa revisão precisa ser mais completo e levar em conta dados de pesquisas e estudos que estão à disposição: eu mesmo tive acesso a diversos deles, durante a pesquisa para estas postagens, que nota-se que não foram tomados como fontes. Devemos buscá-los e trazê-los para referenciar melhor as análises e embasar mais adequadamente diversas estratégias de gestão e a consequente proposição de leis.
Com isso, aquelas imagens da 1ª postagem dessa série começam a ficar muito mais próximas de serem realizadas.
Como disse um amigo recentemente, "... quero uma velhice de escolhas, não de restrições...". Falava de suas decisões sobre cuidados na saúde mental e física, aparentemente desnecessários dada sua jovem idade. Futuros, pessoais ou coletivos, também são uma questão de escolhas. Escreve aqui um ex-paulistano que adotou Botucatu como seu lugar porque viu aqui na cidade e região muitas coisas boas acontecendo ainda, e perdidas em Sampa por pura ganância imediatista. Conhecendo como era e o que houve, como conheci, não tem como ficar quieto diante das nefastas consequências das escolhas erradas para um lugar: Minha ex-cidade, antes lindamente banhada em águas, agora inundando e sem água? Precisamos mais do mesmo?
É de escolhas nosso caso em Botucatu, nessa hora: Entre uma cidade que respeita seu passado, desenvolvendo suas tradições de modo dinâmico, em vez de enterrá-lo em homenagens post mortem; entre uma relação com a terra com o conhecimento contemporâneo sobre pessoas e seu ambiente, em vez de tratá-la como mero estoque de negócios; entre um modo de vida urbana focado no desenvolvimento da comunidade, em vez de suporte para o consumismo de modas; enfim, entre buscarmos as soluções corretas, mesmo que inicialmente distantes, ou atender a conveniências pessoais de momento - e nada termos a dizer a filhos e netos quando, no futuro, nos perguntarem como pudemos deixar que acontecesse daquele jeito, se...

(Gostou? Leia os post iniciais clicando aqui)


Pôla Pazzanese, arquiteto urbanista (1981), escritório próprio (1980), arquiteto EDIF-SSO-PMSP (1982/84), professor da disciplina ´projeto arquitetonico´ (1991), um dos fundadores, 1º coordenador pedagógico, professor das disciplinas ´infraestrutura urbana e predial´ e orientador ´TFG´ da faculdade de arquitetura ´escola da cidade´(1996/2008), projetos de arquitetura de interiores, edificações e desenho urbano, nas áreas de habitação, educação, serviços, comércio e patrimonio histórico.


*1- ATENÇÃO: O Instituto Botucatu  irá promover, durante julho de 2015, 3 encontros abertos para quem se interessar em ampliar seus conhecimentos sobre os assuntos aqui tratados. Avisaremos aqui no blog Alô Bairro Demétria! assim que fecharmos as datas com os palestrantes. Salientamos, contudo, que todos já estão com sua participação confirmada. Aguardem as datas!

28 de junho de 2015

A Revisão do Plano Diretor de Botucatu. 3 - Onde a onça bebe água

3º post da série de 4 ( o próximo, com sugestões, sai daqui uns dias! Não percam!) que estamos publicando aqui para contribuir com a reflexão sobre o processo de revisão do Plano Diretor de Botucatu que ora está em pauta. Leiam, reflitam, compartilhem!Abaixo algumas críticas conceituais bem objetivas à revisão que foi apresentada pelo executivo (clique Aqui e depois em "Termo de Referência" para ler) para apreciação da população nos últimos dias.



Onde a onça bebe água...(por Pôla Pazzanese)

Um Plano bem calibrado dá suporte mais eficaz a políticas mais amplas e, quando isso não ocorre, a economia de uma cidade e seu território se desequilibram, isto é, favorecem apenas parcialmente      - ou pior, sobrecarregam – o sustento das pessoas (recursos humanos), dos recursos materiais e recursos naturais.O sistema então se desequilibra sócio-ambientalmente: O eco de "economia" é o mesmo eco de "ecologia", e quer dizer "casa", assim essa casa-cidade-lugar vira um problema de gestão, para si mesma e seus moradores, se suas partes começam a crescer travando qualidades que não só podem se beneficiar mutuamente como melhoram seu sistema de vida inteiro.
 A análise inicial do PDP-2015 vem nos mostrando que, mesmo que haja avanço em alguns pontos, ele é mesmo uma revisão, logo todos os itens do plano proposto que não melhoram (ou até pioram o existente) ou trocam itens por outros que indicam a prevalência de atendimento a interesses estritos de grupos sobre necessidades e possibilidades mais amplas de seus habitantes e seu território, precisam ser muito mais bem discutidos por todos na cidade.
Do ponto de vista urbanístico, olhando a partir do tecido urbano (que é o foco do mercado imobiliário, por exemplo), várias coisas apontam para uma ideia de ocupação e crescimento bastante problemática para a cidade e seu território, e por isso em contradição com o significado de desenvolvimento sustentável:
1- Para que essa visão de crescimento se realize, e o exposto nele não só torna definitivas ações iniciadas recentemente, como indica a ocupação de ainda mais território do município, é preciso condições de crescimento populacional e econômico que não existem mais: A população está reduzindo seu crescimento -está envelhecendo, a natalidade caindo, a educação aumentando-, os fluxos migratórios se invertendo do Sudeste para o Norte/Nordeste/Centro-Oeste do país, a economia de SP está deixando de ser o único motor do país e tendo concorrência de outras regiões, a geração de renda está saindo das grandes e concentradas indústrias (apoiadas por grandes quantidades e fluxos de insumos) para estruturas menores e mais ágeis de serviços e comercio, e novos tipos de indústrias também (apoiadas em conhecimento), e por aí segue.
E, claro, se Botucatu pudesse crescer assim, o mesmo aconteceria com Bauru e proporcionalmente ao tamanho dela, o que significa que quase encostaria aqui - como ocorre com Campinas engolindo tudo à sua volta - e nos tornaríamos um mero anexo de lá. E, com isso ocorrendo, adeus autonomia política, econômica e cultural local.
2- Por causa dessa visão parcial, é baseado no crescimento espacial extensivo, da malha urbana aumentando a porção de território ocupada por terrenos, edificações e ruas da cidade-, enquanto é visível a quantidade de lugares vazios urbanizáveis tanto entre bairros próximos ao centro, ou nas áreas da ferrovia, ou ainda entre bairros da borda da cidade. Esse tipo de crescimento leva Botucatu, por exemplo, perigosamente próxima aos locais de seu suporte ambiental, como as bacias de alimentação e drenagem de águas, ou locais de sua segurança alimentar, como os sítios e fazendas que plantam sua comida local. Para um desenvolvimento realmente sustentável devemos implantar outras soluções para se evitar isso, pois há muitas existentes e já testadas na realidade.
3- É visível também que é um projeto rodoviarista, porque depende demais da construção de grandes vias, prevendo até avenida marginal colada no Rio Lavapés (o mesmo erro de Sampa com
seus rios) e um anel viário levando tráfego por cima de outras bacias de rios e até para as Cuestas... Enquanto a trama urbana atual, com o tratamento correto de sua infraestrutura, é mais do que suficiente para o crescimento adequado porque pode ser concentrada no aproveitamento diversificado de seus muitos vazios e apoiada nos muitos modos de transporte público moderno, permitindo se realizar um desenvolvimento local de tipo contemporâneo, com menos investimento em expansão da malha viária - e sua consequente dispersão de infraestrutura: mais extensão e espalhamento das redes de energia, de iluminação pública, de água e esgoto, de comunicação e dados, transporte público, de segurança pública, de equipamentos e serviços públicos etc..
4- Do exposto acima decorre a ideia de crescer no setor onde a Mal. Rondon encontra a Castelinho, pensando em fazer dali um tipo de fachada da frente da cidade (centro cívico, shopping, condomínios de alto luxo etc., todos perfeitamente ilhados e aonde se chega e se vai só de carro). O que, claro, vai pressionar a região dali à Gastão dal Farra a ser loteada para lhes prover serviços - como já se pode ver hoje. Um velho mecanismo esse: Crescerem áreas mais pobres na esteira da valorização da área mais nobre próxima, como ocorreu na zona Sul de Sampa (de Santo Amaro a Interlagos, uma região que era linda) em relação aos Jardins, Morumbi e Itaim-bibi/Vila Olímpia. Por isso, por exemplo, os 500m2 de divisão propostos numa nova zona (que já é uma subdivisão do atual), e não os 4.000m2 atuais (que seguram a ocupação na dimensão e quantidade corretas para o contexto ambiental dali, como corretamente definido no plano existente), precisamente, também, o mesmo erro que cometeram no entorno das represas Billings, Guarapiranga e Cantareira, os 3 grandes reservatórios de Sampa (quando sabemos hoje que a situação das águas em São Paulo está longe de ser considerada boa).
5- Vai seguir cometendo o mesmo erro de iniciativas em outros governos, onde grupos criaram áreas afastadas que obrigaram a cidade a ir atrás com infraestrutura, deixando muitas áreas vazias entre uma região e outra, esperando uma valorização que nunca chegou e, por isso, desocupadas até hoje (porque no governo seguinte outro grupo fez a mesma coisa, em outro lugar da cidade...). O anel viário, por exemplo, claramente induz ocupação em torno da cidade, criando uma faixa loteável de, pelo menos, 1.000 a 2.000m de cada lado dele (10 a 20 quadras, algo como os loteamentos já lançados na Gastão dal Farra). Se projetarmos essas dimensões onde ele passa, à volta da cidade e indo até a borda da Cuesta, vemos com precisão os vários "vazios" que isso gera. E, na ocupação de alguns vazios existentes, ainda considera o isolamento de locais exclusivos para habitação de interesse social, como se fossem ilhas de pessoas e grupos, em vez de conjuntos com ofertas das diversas necessidades da vida urbana moderna.
6- Ao dividir a cidade em uma "do futuro", indutora de crescimento extensivo, e uma velha, central e, por causa da nova, tendo que correr atrás dos investimentos, cria dois problemas no fluxo econômico e fundiário de uma cidade:
Um de afunilamento do mercado imobiliário, criando gargalos no fluxo do capital urbano. Porque quando se separa a cidade em bolsões exclusivamente ricos e outros exclusivamente pobres, num lugar de tamanho restrito como Botucatu, demora muito mais para quem investiu retornar o investimento (os sucessos iniciais logo esgotam a alternativa) e para o público encontrar lugar adequado às suas necessidades (e não somente às necessidades de marketing...). Nesse quesito os arquitetos e urbanistas da cidade, por exemplo, vivem no seu dia-a-dia o tanto que isso restringe um mercado de trabalho potencialmente grande.
Outro de "exclusivamento" nos investimentos públicos, isto é, o dinheiro colocado num lugar (setor de bairro, região etc.) não serve para o outro porque, seguindo essa lógica, um lugar precisa se manter completamente separado, em tudo, do outro. Essa ideia de mercados e rentabilidade de investimentos, privados e públicos, associados em alguns locais mas excludentes no geral, é contraproducente para o conjunto duma cidade com o tamanho do mercado de Botucatu, pois restringe seu alcance no tempo e no público beneficiado.
6- Finalmente, não apresenta caminhos de como superar as distancias de hoje, nas leis da cidade, entre o que está escrito nelas e as práticas usuais de todos, a começar do poder público. Esse é o principal motivo pelo qual no Brasil leis urbanas tornam-se letra morta, pois não são feitas como construções técnicas para acordos e pactos públicos, baseadas no atendimento de necessidades reconhecidas e acordadas por todos. E daí terminam por vezes restritas a interesses imediatos, nos quais a base técnica, mesmo que exista, é pouco reconhecida como ferramenta de controle e ação integrada, como vemos em muitas cidades brasileiras. Observem que sequer foram feitas, até hoje, várias leis complementares do PDP-2008, que o teriam tornado minimamente efetivo. E assim se abre espaço para que interesses de curto prazo criem problemas de longo prazo:
Sobre este problema, na área ambiental, tem havido manifestações em várias publicações recentes na Internet que valem a pena serem lidas, por virem de pessoal muito qualificado no assunto, e que o explicam muito melhor do que eu poderia neste espaço. Já na parte de patrimônio histórico, mesmo citada no atual e na revisão, um exemplo é o das várias ruas que ainda contam com conjuntos de belas construções do período do café e onde uma delas é derrubada para se construir um desses galpões de 3 paredes e uma cobertura, próprios para um comércio ligeiro do tipo "$1,99" (cujos negócios tem duração no tempo, e na renda do aluguel, também "1,99"...). E com isso desvalorizando não só o potencial de ocupação qualificada que o entorno permitiria como, ao se somarem várias dessas mudanças na mesma rua ao longo do tempo, até a própria região em que estão. O oposto do que vemos, por exemplo, no bairro de Palermo, em Buenos Aires, ou em diversas cidades de Minas Gerais, onde o valor histórico é trabalhado, recuperado e adaptado, arquitetônica e urbanisticamente, como valor de diferenciação nos negócios locais. Na área do turismo, o equivalente disso seria como se as leis seguissem a moda atual do turismo de aventura: Lugares de beleza paisagística ou bucólicos recantos rurais teriam assim estimuladas a sua invasão por veículos e turistas de ocasião, sobrecarregando desde estradas vicinais de uso no escoamento da produção local a sistemas microambientais que não suportam tal uso. Porque este turismo é sempre pensado como turismo de eventos (anúncio>consumo>partida), e não de estância (informação>degustação>estadia), condicionando que, quando passa a moda (porque sempre passam), restam locais destruídos, desvalorizados e esquecidos, e leis sem sentido algum para eles.
Vemos assim como se alimentam alguns dos motores econômicos que empurram as cidades a desperdiçar seu patrimônio histórico e ambiental, perdendo oportunidades excelentes para melhores serviços, negócios, políticas e qualidade de vida. E nem chegamos na ferrovia ainda, não só seu grande patrimônio, mas mais uma excelente oportunidade para Botucatu.
Na última postagem, tentaremos ver algumas propostas para essa e outras potencialidades de Botucatu, algumas locais e já existentes há tempos, para tentarmos evitar aqui o tipo de desenvolvimento urbano que foi o erro de SP, Campinas, Bauru etc., e nos inspirarmos em soluções bem-sucedidas de cidades como Curitiba, Guararema, e até da histórica São João Del Rei, entre outras.

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Pôla Pazzanese, arquiteto urbanista (1981), escritório próprio (1980), arquiteto EDIF-SSO-PMSP (1982/84), professor da disciplina ´projeto arquitetonico´ (1991), um dos fundadores, 1º coordenador pedagógico, professor das disciplinas ´infraestrutura urbana e predial´ e orientador ´TFG´ da faculdade de arquitetura ´escola da cidade´(1996/2008), projetos de arquitetura de interiores, edificações e desenho urbano, nas áreas de habitação, educação, serviços, comércio e patrimonio histórico.

25 de junho de 2015

Revisão do Plano Diretor de Botucatu. 2- Botucatu e as escolhas certas. Ou não.

Este é o segundo de alguns posts que estaremos publicando com o intuito de fomentar a reflexão sobre a atual revisão do Plano Diretor de Botucatu. Sejam bem vindos e pensem junto conosco!


foto: citybrazil.com.br


Botucatu e as escolhas certas. Ou não. (por Pôla Pazzanese)
                                               
Quando uma cidade faz ou revê um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano ela estabelece a hora mais adequada para construir seus pactos sociais, políticos e econômicos mais amplos, trabalhando os meios de seu desenvolvimento para que convivam em harmonia e estabelecendo os locais e modos em que interesses conflitantes possam ser discutidos para se chegar a soluções negociadas. Sua proposta de Revisão atual não supera sérias contradições existentes entre seus discursos e certas práticas  -algumas recentes- da gestão urbana, que poderiam ser resolvidas num processo mais amplo. O que certamente seria muito melhor para todo mundo em Botucatu, desde a política local, passando pelo mercado imobiliário, pelas instituições da cidade e estado, pelas elites intelectuais, religiosas e econômicas, pelas questões ambientais, chegando a suas cidadãs e cidadãos mais humildes.
Deve ser a ocasião para definirmos todos juntos que lugar é esse em que vivemos, como vivemos nele, o que precisamos para cuidar e melhorar nosso dia-a-dia, e o que esperamos dele como um lugar, onde todos podem ser ouvidos e cada grupo e cada canto da cidade pode ser reconhecido, não só pelas pessoas dali mas por todos os outros habitantes, seus vizinhos. É a hora em que todas as pessoas podem conhecer o que há de melhor, nas melhores técnicas e saberes contemporâneos, que possa ser mobilizado a favor de todos no lugar em que vivem. E podem, também, aprender muito sobre coisas que normalmente são só pouco percebidas no seu dia a dia, mas interferem diretamente nele, suas vivências, lazer e negócios.
Porque todos, sem exceção, sofrerão alguma consequência de um plano pouco desenvolvido e compreendido: Uma situação exemplar e conhecida por muitos frequentadores do Litoral Norte de SP, por exemplo, é a daquelas praias lindas, algumas até "exclusivas" e... poluídas porque as redes de água-esgoto, e seus muitos rios, não dão conta da ocupação desordenada.
Para entender algumas dessas consequências, vamos observar melhor coisas que já ocorrem hoje, entre elas, algumas práticas que serão erroneamente adotadas como modelos ou padrões de desenvolvimento, se o PDP 2015 se realizar com a abordagem que tem hoje. Atualmente, embora haja boa base de dados e pesquisas para embasar o Plano no município, em vários pontos ele não reflete tais informações em suas proposições, pois as mesmas não enfrentam certas contradições já existentes na gestão da cidade.
Por exemplo, começando do centro da cidade, observem o belo espaço público defronte a Catedral, usado hoje para as grandes festas da cidade. Este espaço é o grande centro cívico de Botucatu, completo, com as instituições que configuram, administrativa e simbolicamente, uma cidade: centros religiosos, escolas e instituições públicas, a sede do Governo local etc.. Condição que o que o torna um centro republicano por excelência, belo exemplo de desenho urbano do estabelecimento da República no país, e ainda sustentando todo um grupo de serviços, comércio e habitações ligados a ele e seus usuários. Por isso é o coração (cuore) da cidade e sua vida pública: Acessível para sua população por diversos meios de transporte e até a pé, visível de quase toda ela, e muito querido por todos.
O seu caráter de representatividade institucional está sendo abandonado, administrativa e simbolicamente, por um pretendido novo lugar, distante do centro, pouco visível pela cidade, acessível somente por veículos motorizados, isolado entre estradas. E por isso esse nobilíssimo espaço da Av. Don Lúcio vai sendo desperdiçado, criando usos conflitantes em tipo e tamanho de atividades: A perda de sua dimensão simbólica o deixa a disposição de usos sem os aspectos estruturantes de uma cidade, daí o conflito que todos já acompanhamos, com a perda dia após dia de sua identificação popular e histórica.
O problema nesse centro urbano, capital para a cidade, nos leva assim a 2 outros: Um, à falta de um espaço público digno das grandes festas que a cidade merece, outro, mais importante no contexto aqui, já indo para fora do centro da cidade, a ideia de que o pretendido novo centro cívico, onde já se situa o novo Fórum, contribuirá para o desenvolvimento da cidade naquela direção, "pulando" a rodovia Mal. Rondon.
A ideia de centros cívicos como indutores de desenvolvimento urbano vem dos anos 1950, 60 anos atrás (!), quando ainda não se entendia direito como e porque certos lugares e certas cidades deixam de funcionar. Desde os 1ºs lugares realizados assim, pelo mundo, muito se discutiu e estudou, em pesquisas e levantamentos, constatando-se que esse modelo: a) isola o poder público numa verdadeira ilha urbana, b) onera o investimento público por se distanciar da infraestrutura existente, c) apressa o abandono e degradação de centros antes vivos das cidades, d) elitiza e torna excludentes ou inacessíveis partes grandes de cidades, e) espalha a cidade deixando vazios desvalorizados em muitos lugares dela, entre outras.
Isto fez as grandes, médias e pequenas cidades, atualizadas nas melhores técnicas de gestão urbana, abandonarem esse tipo de plano já nos anos 1960. E as que não o fizeram, como diversas cidades na Espanha que seguiram na esteira de grandes movimentos imobiliários dos anos 1990/2000, ainda hoje sofrem estas consequências desde sempre constatadas.
Estes efeitos ocorrem, no mais das vezes, porque esse tipo de crescimento precisa de muito investimento [público e privado] em infraestrutura para essas novas e distantes áreas, e para isso ocupa plano e verba dos outros lugares das cidades, na expectativa de se equilibrar o atendimento de ambas as demandas a tempo. Mas esses investimentos precisam de um processo específico de crescimento econômico e populacional (e uma continuidade política incomum no Brasil), para se realizar no tempo correto de retorno político, econômico e estratégico. E a cidade não vai ter como arrecadar isso no tempo que pretendem, por causa dos motivos que serão mais bem analisados na próxima postagem.
Na proposta de Revisão do PDP feita agora, inclusive, essa zona da cidade é definida como de expansão urbana, sem zonas de transição e amortecimento (como no plano vigente) em relação à zona definida como de atenção hídrica, do lado dela, na qual ainda está na APA-Botucatu, ou seja: Imagina-se que a expansão da cidade simplesmente irá parar ali, parando nessa borda suas ruas, quadras, casas, comercio etc., para dar lugar à protegidas áreas verdes, como está nas plantas do plano, ou para a ocupação que já vem sendo feita ali, com enormes conjuntos de casas populares, galpões etc.?
E ainda com um anel viário e avenida de pistas duplas como eixos de estrutura viária de acesso mais fácil. Note-se aqui o processo de se transformar uma estrada vicinal, a Gastão dal Farra, numa avenida de acesso e escoamento de tráfego de toda uma região, erro grave de transito similar ao das periferias de Sampa, onde se perde a fluidez da estrada como ligação, e cria-se um verdadeiro funil de fluxo numa via não projetada junto com o sistema viário de seu entorno.
Observo isso nesta área da cidade, que conheço melhor, e nas demais certamente tem gente mais qualificada para observar coisas similares. Precisamos ouvi-las também, nesse processo.
Botucatu tem características que a diferenciam das demais grandes cidades do centro do estado: Do café aos caminhos de tropas e trem, do ensino e pesquisa às indústrias de alta tecnologia, da Cuesta às águas urbanas, um sistema de saúde cobrindo toda a cidade, uma proporção entre tamanho de população e território ocupado perfeitamente adequada, um natureza ainda exuberante e próxima, até o fato de que vem se tornando um polo de irradiação da comida orgânica, e ainda um grupo de pequenas cidades conectadas a ela pelo Polo Cuesta. Muita coisa que pode ser mais bem direcionada pelo conhecimento moderno num plano regional estratégico e ambientalmente adequado.
Temos muita cidade e território ainda por ser mais bem apropriados. E, com isso, vermos como evitamos muitas das causas que normalmente nos levam a empurrar as cidades a, literalmente, devorar seu meio-ambiente.

E porque não bastam apenas boas leis, precisa mesmo é ampliar a Cultura que as cria, e só se amplia cultura se se emprega as ferramentas econômicas adequadas para o que uma análise mais ampla nos permite enxergar de um determinado contexto. Porque é de Economia que se está falando, quando se trata a fundo dessas coisas. Que é só o que importa, ainda e infelizmente...

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Pôla Pazzanese, arquiteto urbanista (1981), escritório próprio (1980), arquiteto EDIF-SSO-PMSP (1982/84), professor da disciplina ´projeto arquitetonico´ (1991), um dos fundadores, 1º coordenador pedagógico, professor das disciplinas ´infraestrutura urbana e predial´ e orientador ´TFG´ da faculdade de arquitetura ´escola da cidade´(1996/2008), projetos de arquitetura de interiores, edificações e desenho urbano, nas áreas de habitação, educação, serviços, comércio e patrimonio histórico.

8 de abril de 2013

Cães nos condomínios - continuação

Oi, boa noite a todos,

Eu acredito que muito do que acontece aí é por conta da grande rotatividade de pessoas.
Eu mesma cheguei achando que cachorro manso pode ficar solto, porque não representa perigo. Os meus andavam soltos a toda parte. Com o tempo eu soube: Um dos meus cachorros costumava pular na vizinha . Outro costumava entrar numa casa e deitar no sofá! Esse caso foi tão interessante porque a pessoa reclamou do meu cão e eu disse: Mas o seu cão anda solto por aí! e a resposta foi: Mas o meu cão não incomoda ninguém!!! Eles não sabiam que o cachorro deles rosnava para os meus e comia a comida deles impedindo-os o acesso aos seus  pratinhos  e nem que eu não deixava a minha criança brincar no meu quintal quando ele estava solto. Cães longe da vista do dono! Não dá pra saber o que estão fazendo!

Não dá para basear a convivência de uma comunidade tão grande como a Demétria no bom senso das pessoas! Em geral nós temos um mau senso, um senso egoísta, ao menos até que a consciência chegue. O que não dá é que enquanto ela não chega, todos tenham que pagar por isso. Normas de convivência caem bem em todo lugar, até que a consciência se nivele. Na Demétria não nivela nunca, por conta da rotatividade mas também das opiniões diversas. As pessoas chegam aí com intuitos muito diversos. Por isso as normas e acordos coletivos aí são tão importantes. Eu acredito que as normas deixam de ser rígidas quando elas são explicadas com amor, as razões pelas quais as pessoas optaram por elas etc. Assembléia geral gente! Onde está o centro comunitário da Demétria para que aconteçam reuniões gerais... Na Demétria falta união, comunicação real, acordos sociais, faltam reuniões!!! Quem quer mais social deveria começar a pensar num centro comunitário.  Estamos na era da consciência e na era da fraternidade. 

          Alguém colocou no email que o seu cachorro solto foi atacado por um que estava na coleira. Eu não vejo como pode isso ser possível. Está claro que o cachorro solto foi incomodar os cachorros na coleira e as pessoas que os levavam. Imagino coitadas das pessoas que ficaram  tentando segurar seus animais. Se o cão solto levou uma mordida, foi pela falta de responsabilidade do dono dele. Não dá para confiar a convivência do bairro às particularidades de cada um. As opiniões são confusas...

Também um dia um dos meus cães chegou com um tatu na boca. Aos poucos fui me conscientizando que animais mansos também incomodam e podem danificar a fauna local, causando certamente que se em grande quantidade como acontece na Demétria, um sério desequilíbrio ecológico. É preciso atentar para isso urgentemente. Por acaso alguém já fez algum estudo a respeito?

Sugiro que os donos de cães que acreditam que os seus cachorros não incomodam ninguém, criem coragem e pesquisem por aí qual é a opinião dos vizinhos. Eu sinceramente me surpreendi ao fazer isso. Pelos emails das pessoas, fico com pena delas tendo que viver tanto medo por conta dos cães soltos.

Quando fica difícil ter  pets, porque a responsabilidade por eles fica sendo totalmente nossa  fazemos um favor a nós mesmos de valorizarmos mais os animais e quem não está realmente afim, não vai ter. 

A falta de normas claras dificulta muito a vida na Demétria na minha opinião. Normas deveriam ser apresentadas a cada morador novo e se ele olhar e sentir que não quer isso, então busca outro lugar que lhe seja mais adequado e ao contrário do que se pensa, lhe prestam um favor, ajudando-o a se encontrar e ao local onde pertence. 

Há uma grande confusão quanto à Demétria ser zona rural e que isso necessariamente implica no não uso de conhecimento, normas de convivência, tecnologia, infra estrutura, organização social etc. Por exemplo certa vez eu sugeri que se fizesse ciclovias dentro da Demétria.. As pessoas se indignaram e disseram que isso seria trazer a cidade para a Demétria. Ora se assim é, pensei, então vendam seus carros e andem de carroça, bicicleta e a pé, produzam seus alimentos ao invés de comprá-los no supermercado, teçam suas roupas, quebrem suas cercas e mansões e vivam de maneira realmente simples, doem seus cães de guarda e fiquem com alguns vira latas comunitários e façam angu pra eles ao invés de dar-lhes ração. Realmente ciclovia seria um desperdício em um ambiente tão bucólico.

Quando eu sugeri a construção de um centro comunitário, a reação foi a mesma. 

Meu intuito é apenas mostrar o quão equivocadas estão as pessoas defendendo situações bucólicas irreais. Uma vez mais cito Rudolf Steiner: Precisamos partir da observação da vida.

Ao meu ver, os moradores da Demétria urgem em modernizar-se,  construir infra estrutura  e consciência coletiva. 

Vou ousar recomendar os livros de Lex Boss, ele tem um pensar tão claro e bem direcionado, tanta experiencia, crucial para comunidades que desejam viver segundo a antroposofia. E vou ousar recomendar que invistam em educação da comunidade para a convivência, com palestras, cursos, vivencias etc. Há por exemplo o pessoal da comunicação não violenta na UNILUZ e o Núcleo Maturi de Ecologia Social e outros. Mas mais ainda, vou ousar dizer, com todo o respeito, nem sei se ele pode fazer isso, mas há aí na Demétria uma pessoa que tem uma consciência muito elevada, que é o Pastor Renato. Creio que a comunidade deveria sempre pedir as opiniões dele.

Um grande abraço a todos, com admiração por vocês,

Denise


6 de abril de 2013

Cães nos condomínios

    Essa discussão me faz lembrar a minha infância. Eu cresci num bairro na periferia de Piracicaba na época, com casas simples. Toda casa tinha um cão, inclusive a minha. Os animais ficavam soltos, passeavam sozinhos, era ótimo, não dava trabalho. O meu cão se chamava Snoopy, era um vira latas porte pequeno, cor de chocolate. Meu vizinho, o Tuco tinha o Xeique, outro vira latas manso, a Cristiane também tinha um vira latas e a Vanessa, o Cristiano, todos tínhamos cães de companhia, companhia das nossas brincadeiras e das nossas vidas.

  Me pergunto, hoje, quem tem esses cães. Se as cercas e portões elétricos são uma ameaça ao social, também a escolha das raças de cães que temos e o propósito para o qual os adquirimos, guardar a casa, igualmente. Cães de guarda são anti sociais por excelência.

   Não vivo mais na Demétria, mas esse assunto me toca porque muitas vezes fomos atacadas, eu e minha filha por cachorros soltos aí e escutei muitas outras histórias de pessoas atacadas, mordidas a até inclusive que correram risco de vida atacadas por matilhas inteiras.

   Andar a pé e permitir que as crianças brinquem livremente nas ruas é um ato que ao meu ver favorece mais o social do que favorecer a socialização canina às custas da segurança dos moradores.

    Quem quer cão de porte grande, cão agressivo, cão de guarda, também precisa entender que a sua escolha implica em uma responsabilidade maior do que a daqueles que preferem as raças mais mansas de companhia. É uma escolha que implica também em privações de espaço e liberdade do animal e talvez mais trabalho para o dono que precisa sair passear com os animais em coleiras, sem falar nos cocos e xixis que se concentram mais em casa e ainda de termos que refletir sobre a sujeira que nosso cão faz ao passear e quem sabe num ato de consciência a jogarmos num mato fora do caminho dos pedestres. 

   Também é bom lembrar que matilhas mesmo sendo de animais mansos podem apresentar perigo, seja para os humanos, seja para a fauna local e no caso de uma grande população como a da Demétria de pessoas na zona rural, fato moderno, pode favorecer a formação de matilhas.

   Parece bem sensato mesmo que cada dono conheça a braveza do seu cão e decida-se livremente se o deixará solto ou não. Mas, por acaso não é isso mesmo o que rege nos condomínios, ou acaso as pessoas que deixam soltos seus cães tem consciência de que alguns deles são agressivos e mesmo assim os soltam, porque os casos de agressão são constantes! Seria muito sensato se todos os donos fossem dignos de confiança, mas não é o caso, como mostra a realidade. Acaso não dizia Rudolf Steiner que precisamos partir da observação da vida...Ora, ela mostra que é insensato confiar na sensatez dos donos de cães da Demétria, porque pessoas e animais são constantemente atacados por cães.

  Quando será que as pessoas vão entender que escolhas implicam em renúncias. Não é possível escolher e desejar liberdade incondicional. Não é isso mesmo que é viver em sociedade. Sermos sociáveis começa pela responsabilidade pelas nossas escolhas.

Denise

2 de setembro de 2011

O Desperdício é o amigo da Fome de 44 milhões de famintos no Brasil


No Brasil, há 44 milhões de famintos, e, diariamente, são jogadas no lixo 170 toneladas de alimentos. O País produz 20% de alimento a mais do que seria necessário para nutrir cada habitante. No entanto, desperdiça aproximadamente 60% de toda sua produção: 20% é perdido na hora da colheita, 8%, durante o transporte, 1% no varejo, 15% na indústria e 20% em casa (SEBRAE, 2004).

17 de agosto de 2011

"...tá começando a faltar lugar para comprar sem peso na consciência."

Reportagem do blog do Sakamoto
(publicada em 17/08/2011) :

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"Flagrantes mostram roupas da Zara sendo fabricadas por escravos

Por três vezes, equipes de fiscalização do governo federal flagraram trabalhadores estrangeiros submetidos a condições análogas à escravidão produzindo peças de roupa da badalada marca internacional Zara, do grupo espanhol Inditex.
A apuração é de Bianca Pyl e Maurício Hashizume, aqui da Repórter Brasil – que acompanhou as mesmas ações retratadas na noite desta terça pelo programa A Liga, na TV Bandeirantes, e levou o nome da Zara aos TTs mundiais no microblog Twitter. Os dois jornalistas esmiuçaram o processo de produção e comercialização da empresa e trazem um relato completo do que pode estar por trás do mundo da moda:
Na mais recente operação que vasculhou subcontratadas de uma das principais “fornecedoras” da rede, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de apenas 14 anos, foram libertadas de escravidão contemporânea de duas oficinas – uma localizada no Centro da capital paulista e outra na Zona Norte. Para sair da oficina que também era moradia, era preciso pedir autorização.
A investigação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) – que culminou na inspeção realizada no final de junho – se iniciou a partir de uma outra fiscalização realizada em Americana (SP), no interior, ainda em maio. Na ocasião, 52 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes; parte do grupo costurava calças da Zara. As informações puderam ser liberadas agora para não prejudicar os trabalhadores e o processo de fiscalização.
“Por se tratar de uma grande marca, que está no mundo todo, a ação se torna exemplar e educativa para todo o setor”, coloca Giuliana Cassiano Orlandi, auditora fiscal que participou de todas as etapas da fiscalização. A ação, complementa Giuliana, serve também para mostrar a proximidade da escravidão com pessoas comuns, por meio dos hábitos de consumo. “Mesmo um produto de qualidade, comprado no shopping center, pode ter sido feito por trabalhadores vítimas de trabalho escravo.”
O quadro encontrado pelos agentes do poder público, e acompanhado pela Repórter Brasil, incluía contratações completamente ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade (seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, o truck system, seja pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização). Apesar do clima de medo entre as vítimas, um dos trabalhadores explorados confirmou que só conseguia sair da casa com a autorização do dono da oficina, só concedida em casos urgentes, como quando levou seu filho ao médico.
Quem vê as blusas de tecidos finos e as calças da estação nas vitrines das lojas da Zara não imagina que, algumas delas, foram feitas em ambientes apertados, sem ventilação, sujos, com crianças circulando entre as máquinas de costura e a fiação elétrica toda exposta. Principalmente porque as peças custam caro. Por fora, as oficinas parecem residências, mas todas têm em comum as poucas janelas sempre fechadas e com tecidos escuros para impedir a visão do que acontece do lado de dentro das oficinas improvisadas.
As vítimas libertadas pela fiscalização foram aliciadas na Bolívia e no Peru, país de origem de apenas uma das costureiras encontradas. Em busca de melhores condições de vida, deixam os seus países em busca do “sonho brasileiro”. Quando chegam aqui, geralmente têm que trabalhar inicialmente por meses, em longas jornadas, apenas para quitar os valores referentes ao custo de transporte para o Brasil. Durante a operação, auditores fiscais apreenderam dois cadernos com anotações de dívidas referentes à “passagem” e a “documentos”, além de “vales” que faziam com que o empregado aumentasse ainda mais a sua dívida. Os cadernos mostram alguns dos salários recebidos pelos empregados: de R$ 274 a R$ 460, bem menos que o salário mínimo vigente no país, que é de R$ 545.
As oficinas de costura inspecionadas não respeitavam nenhuma norma referente à Saúde e Segurança do Trabalho. Além da sujeira, os trabalhadores conviviam com o perigo iminente de incêndio, que poderia tomar grandes proporções devido a quantidade de tecidos espalhados pelo chão e à ausência de janelas, além da falta de extintores de incêndio. Após um dia extenuante de trabalho, os costureiros, e seus filhos, ainda eram obrigados a tomar banho frio. Os chuveiros permaneciam desligados por conta da sobrecarga nas instalações elétricas, feitas sem nenhum cuidado, que aumentavam os riscos de incêndio.
As cadeiras onde os trabalhadores passavam sentados por mais de 12 horas diárias eram completamente improvisadas. Alguns colocavam espumas para torná-las mais confortáveis. As máquinas de costura não possuíam aterramento e tinham a correia toda exposta (foto acima). O descuido com o equipamento fundamental de qualquer confecção ameaçava especialmente as crianças, que circulavam pelo ambiente e poderiam ser gravemente feridas (dedos ddas mãos decepados ou até escalpelamento).
Para Giuliana, a superexploração dos empregados, que têm seus direitos laborais e previdenciários negados, tem o aumento das margens de lucro como motivação. “Com isso, há uma redução do preço dos produtos, caracterizando o dumping social, uma vantagem econômica indevida no contexto da competição no mercado, uma concorrência desleal”.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lavrou 52 autos de infração contra a Zara devido as irregularidades nas duas oficinas. Um dos autos se refere à discriminação étnica de indígenas quéchua e aimará. De acordo com a análise feita pelos auditores, restou claro que o tratamento dispensado aos indígenas era bem pior que ao dirigido aos não-indígenas.
A primeira oficina vistoriada mantinha seis pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, em condições de trabalho escravo. No momento da fiscalização, os empregados finalizavam blusas da Coleção Primavera-Verão da Zara, na cor azul e laranja (fotos acima). Para cada peça feita, o dono da oficina recebia R$ 7. Os costureiros declararam que recebiam, em média, R$ 2 por peça costurada. No dia seguinte à ação, 27 de junho, a reportagem foi até uma loja da Zara na Zona Oeste de São Paulo (SP), e encontrou uma blusa semelhante, fabricada originalmente na Espanha, sendo vendida por R$ 139.
De outra oficina localizada em movimentada avenida do Centro, foram resgatadas nove pessoas que produziam uma blusa feminina e vestidos para a mesma coleção Primavera-Verão da Zara. A intermediária AHA pagava cerca de R$ 7 por cada peça para a dona da oficina, que repassava R$ 2 aos trabalhadores. Peça semelhante a que estava sendo confeccionada foi encontrada em loja da marca com o preço de venda de R$ 139. Uma jovem de 20 anos, vinda do Peru, disse à reportagem que chegou a costurar 50 vestidos em um único dia. Em condições normais, estimou com Maria Susicléia Assis, do Sindicato das Costureiras de São Paulo e Osasco, seria preciso um tempo muito maior para que a mesma quantidade da difícil peça de vestuário fosse toda costurada.
Foi apurado que até a escolha dos tecidos era feita pelo Departamento de Produtos da Zara. O fabricante terceirizado encaminhava peças piloto por conta própria para a matriz da Zara (Inditex) na Espanha, após a aprovação de um piloto pela gerente da Zara Brasil. Somente após a anuência final da Europa, o pedido oficial era emitido para o recebimento das etiquetas. Na opinião de Luís Alexandre Faria, auditor fiscal que comandou as investigações, a empresa faz de tudo, porém, para não “aparecer” no processo.
Para a fiscalização trabalhista, não pairam dúvidas acerca do gerenciamento da produção por parte da Zara. Entre os atos típicos de poder diretivo, os agentes ressaltaram “ordens verbais, fiscalização, controle, e-mails solicitando correção e adequação das peças, controle de qualidade, reuniões de desenvolvimento, cobrança de prazos de entrega etc.”
Em resposta a questões sobre os ocorridos enviadas pela Repórter Brasil, a Inditex – que é dona da Zara e de outras marcas de roupa com milhares de lojas espalhadas mundo afora – classificou o caso envolvendo a AHA e as oficinas subcontratadas como “terceirização não autorizada” que “violou seriamente” o Código de Conduta para Fabricantes. De acordo com a Inditex, o Código de Conduta determina que qualquer subcontração deve ser autorizada por escrito pela Inditex. A assinatura do Código do Conduta é obrigatória para todos os fornecedores da companhia e foi assumido pelo fornecedor em questão (AHA).
A empresa disse ter agido para que o fornecedor responsável pela “terceirização ão autorizada” pudesse “solucionar” a situação imediatamente, assumindo as compensações econômicas dos trabalhadores e comprometendo-se a corrigir as condições de trabalho da oficina flagrada com escravidão.
Haverá, segundo a Inditex, um reforço na revisão do sistema de produção para garantir que não exista outro caso como este. “Estamos trabalhando junto com o MTE para a erradicação total destas práticas que violam não só nosso rígido Código de Conduta, como também a legislação trabalhista brasileira e internacional”. Em 2010, a Inditex produziu mais de 7 milhões de unidades de peças no Brasil, desenvolvidas, segundo a empresa, por cerca de 50 fornecedores que somam “mais de 7 mil trabalhadores”. O total de peças que estava sendo produzido irregularmente (algumas centenas de peças), adicionou a Inditex, representa “uma porcentagem inferior a 0,03%” da produção do grupo, que é um dos maiores do mundo no segmento, no país.
Como disse um amiga, tá começando a faltar lugar para comprar sem peso na consciência. "
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Em tempo:
a reportagem acima me lembrou este post do blog Verde Dentro,
 escrito pela Gabriela Guenter.
Vale muito a leitura!


7 de julho de 2011

Reflexão coletiva...

Havia um trabalho importante a ser feito
e Todo Mundo tinha certeza de que Alguém o faria.
Qualquer Um poderia ter feito, mas Ninguém fez.
Alguém se zangou porque era um trabalho de Todo Mundo.
Todo Mundo pensou que Qualquer Um poderia fazê-lo,
mas Ninguém imaginou que Todo Mundo deixasse de fazê-lo.
Ao final, Todo Mundo culpou Alguém quando Ninguém fez
o que Qualquer Um poderia ter feito.

(Autor desconhecido)

1 de julho de 2011

Mamadeiras, chupetas... e o BISFENOL- A!



"Piracicaba é primeira cidade do Brasil a proibir o bisfenol-A

Piracicaba (a 160 km de São Paulo) é a primeira do Brasil a aprovar uma lei municipal que proíbe a comercialização de mamadeiras, chupetas, alimentos e bebidas que contenham o bisfenol-A (BPA), segundo informação da Câmara dos Vereadores da cidade nesta quinta-feira.
O projeto de lei proposto pelo vereador Capitão Gomes (PP) aguarda somente a sanção do prefeito.
O bisfenol-A é um químico usado na fabricação do plástico e no revestimento interno de latas de bebidas e alimentos. Pode provocar puberdade precoce, câncer, alterações no sistema reprodutivo e no desenvolvimento hormonal, infertilidade, aborto e obesidade, de acordo com pesquisas.
A substância já foi proibida na União Europeia, no Canadá, na China, na Malásia e na Costa Rica, além de 11 Estados norte-americanos.
Segundo a Câmara, o projeto concede um prazo de 120 dias para os fabricantes, distribuidores e comerciantes se adequarem à proibição.
Em âmbito nacional também está em tramitação na Câmara dos Deputados um projeto de lei do deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) que proíbe o uso do bisfenol-A em mamadeiras e produtos destinados ao consumo em todo o território nacional. "
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Reportagem da Folha.com (veja aqui).

Para saber mais: 

imagens daqui e daqui

19 de abril de 2011

"Viver sem alguns aborrecimentos é algo impossível"



Lendo um informativo jurídico deparei-me com uma sentença que me causou risos contidos e também certa admiração pela objetividade e lucidez.  A decisão foi proferida por um juiz de Pedregulho/SP. Um cidadão promoveu uma ação de danos morais por ter sido barrado na porta giratória de um banco. Além da frase (poética para os meus ouvidos) que intitula este post, outras citações fazem valer a pena a leitura completa da curta decisão, aí vai:

" O pedido é improcedente. O autor quer dinheiro fácil. Foi impedido de entrar na agência bancária do requerido por conta do travamento da porta giratória que conta com detector de metais. Apenas por isto se disse lesado em sua moral, posto que colocado em situação “de vexame e constrangimento” . Em nenhum momento disse que foi ofendido, chamado de ladrão ou qualquer coisa que o valha. O que o ofendeu foi o simples fato de ter sido barrado – ainda que por quatro vezes – na porta giratória que visa dar segurança a todos os consumidores da agência bancária. Ora, o autor não tem condição de viver em sociedade. Está com a sensibilidade exagerada. Deveria se enclausurar em casa ou em uma redoma de vidro, posto que viver sem alguns aborrecimentos é algo impossível. Em um momento em que vemos que um jovem enlouquecido atira contra adolescentes em uma escola do Rio de Janeiro, matando mais de uma dezena deles no momento que freqüentavam as aulas (fato notório e ocorrido no dia 07/04/2011) é até constrangedor que o autor se sinta em situação de vexame por não ter conseguido entrar na agência bancária. Ao autor caberá olhar para o lado e aprender o que é um verdadeiro sofrimento, uma dor de verdade. E quanto ao dinheiro, que siga a velha e tradicional fórmula do trabalho para consegui-lo. "


imagem: Irisz Agocs

28 de março de 2011

Agrotóxicos no Leite Materno



Uma pesquisa realizada no município de Lucas do Rio Verda, cidade no Mato Grosso, revelou a presença de agrotóxicos no leite materno "em níveis bem acima da média" (sic).

Foram colhidas amostras de 62 mulheres atendidas pelo programa de saúde da família do município. Em todas as amostras foram encontradas ao menos um tipo de agrotóxico e em 85% das amostras foram encontrados entre 2 e 6 tipos de agrotóxicos.

Surpreende (mesmo?) que a substância encontrada com maior incidência é o DDE, um derivado de outro agrotóxico, o DDDT, que está proibido pelo Governo Federal desde 1998 por provocar infertilidade no homem e abortos espontâneos nas mulheres.

Lucas do Rio Verde é o segundo maior produtor de grãos do Estado, em 2009 cultivou 410 mil hectares de soja e milho e utilizou 5.162.029 litros de agrotóxicos.

Tem uma reportagem muito interessante da Sonia Hirsch sobre o assunto aqui: Radiação atômica? Nem precisa: agrotóxicos já estão no leite materno no MT.

O texto da Sônia fala, inclusive, do poder manipulador da agroindústria e das ameaças que os pesquisados e afins sofrem ao tentar expor os riscos dos agrotóxicos. Vale (muito) a leitura!


(imagem daqui )

26 de dezembro de 2010

Coisas da cidade...

Acaba-se com todo o verde e põe-se cimento e asfalto por todo lado. Depois faz-se jardins sobre os ônibus com aplausos à iniciativa ecologicamente correta...

O primeiro protótipo, testado em Nova York, foi instalado no teto do Biobus, que é pioneiro no uso de um sistema de telhado verde na metrópole americana.

17 de dezembro de 2010

Alguns dados sobre Poluição Sonora

 A OMS (Organização Mundial de Saúde) considera que um som deve ficar em até 50 db (decibéis – unidade de medida do som) para não causar prejuízos ao ser humano. A partir de 50 db, os efeitos negativos começam. Alguns problemas podem ocorrer a curto prazo, outros levam anos para serem notados.

Nível de ruído provocado (aproximadamente – em decibéis):
- torneira gotejando (20 db)
- música baixa (40 db)
- conversa tranqüila (40-50 db)
- restaurante com movimento (70 db)
- secador de cabelo (90 db)
- caminhão (100 db)
- britadeira (110 db)
- buzina de automóvel (110 db)
- turbina de avião (130 db)
- show musical, próximo às caixas de som (acima de 130 db)
- tiro de arma de fogo próximo (140 db)

Efeitos negativos da poluição sonora na saúde dos seres humanos:
· Insônia (dificuldade de dormir);
· Estresse
· Depressão
· Perda de audição
· Agressividade
· Perda de atenção e concentração
· Perda de memória
· Dores de Cabeça
· Aumento da pressão arterial
· Cansaço
· Gastrite e úlcera
· Queda do rendimento na escola e no trabalho
· Surdez (em casos de exposição à níveis altíssimos de ruído)

16 de dezembro de 2010

Impacto da pecuária bovina sobre o Brasil e o planeta

Diante de um bife mesmo os mais “conscientes” ambientalistas rendem-se à tentação e se enfastiam de tanta carne. Engole-se a pecuária bovina no Brasil como algo natural, sem notarmos a sua dimensão e urgência. Mais do que cercas e marcos, as fundações do Brasil foram socadas à pata de boi. Jamais o Brasil parou para pensar o impacto de sua decisão pela pata do boi, medir seu impacto social, ambiental e, mesmo, econômico.

Empurramos o problema para o fundo do Brasil, distante das grandes cidades, das telas das TVs... E deixamos terras arrasadas – a Mata Atlântica, a Caatinga, e agora o Cerrado e a Amazônia. Afinal, o Brasil é imenso, as terras, infinitas, e o boi sempre parte da paisagem, não é?


A “quente” última década nos oferece um cardápio picante, com temas novos como as mudanças climáticas e o esgotamento do planeta. São estudos científicos e relatórios internacionais, que desossam a questão e, pela primeira vez, apontam o impacto da pecuária bovina sobre o Brasil e o planeta. Se o tema era visto como bravata de alguns radicais, ocupa crescente espaço, ainda de canapés, longe de ser o prato principal das questões de estado. O Brasil é que não se percebe, é o peão-de-culatra, que nada vê, a boiada adiante, pra trás a poeira...

As mudanças climáticas, a segurança alimentar, a conservação da biodiversidade, a sobrevivência de populações tradicionais, as crescentes desigualdades entre ricos e pobres, o acesso a água, são hoje questões centrais e se relacionam diretamente à maneira que a nossa comitiva conduz a pecuária bovina: de forma extensiva, a ocupar terras infinitas, ao provocar o maior processo de deslocamento de populações tradicionais, e de erosão do planeta Terra.


Leia o restante desse artigo AQUI
 Bois apreendidos pelo Ibama na Amazônia dentro da Floresta Nacional do Jamanxin (Nelson Feitosa/Ibama)


"The istitution as Servant"

Mais um pouco sobre o tema já abordado nessse Blog há alguns dias :

"...Se uma sociedade melhor tiver que ser construída, uma sociedade que é mais justa e mais amorosa, que provê maior oportunidade criativa para seu povo, então o curso mais aberto é elevar tanto a capacidade para servir quanto o desempenho como servidor de instituições existentes através de novas forças regenerativas operando dentro delas".
Robert K.Greenleaf

6 de dezembro de 2010

Alô do poeta

"Ora, toda a gente que serve deve, parece-nos, buscar agradar a quem serve. Para isso é preciso estudar a quem se serve - mas estudá-lo sem preconceitos nem antecipações, partindo, não do princípio de que os outros pensam como nós - porque em geral não pensam como nós - mas do princípio de que, se queremos servir os outros (para lucrar com isso ou não), nós é que devemos pensar como eles: o que temos que ver é como é que eles efetivamente pensam, e não como nos seria agradável ou conveniente que eles pensassem."
Fernando Pessoa 1888 - 1935


Encontrei essa preciosidade AQUI (Blog do Luiz Pryzant)

Iluminação pública x Visão das estrelas no céu

"São muito poucas as pessoas residentes numa cidade que alguma vez viram a Via Láctea, ou Caminho de Santiago, como era ela conhecida".
"Quando é feito o planejamento da iluminação pública ou dos monumentos, não há um cuidado para, por um lado, poupar energia e, por outro, não perturbar o céu noturno e deixar que as pessoas observem o que está acima das suas cabeças".

"Muitos dos postes usados nas cidades, em vez de iluminarem só para baixo, iluminam também para cima, ou para os lados, e essa luz reflete-se e difunde-se nas poeiras e fumaça em suspensão no ar, tornando o céu noturno mais claro".


"Se pudermos e quisermos mudar algumas lâmpadas da iluminação pública e ao mesmo tempo mudar mentalidades, estaremos a poupar milhões dos contribuintes".
"Não se trata de retirar iluminação, mas de a tornar mais eficaz", sublinhou.

Pedro Ré (integrante do movimento "Noite das estrelas" que, por sua vez, faz parte do projecto internacional "Dark Skyes Awareness")

27 de novembro de 2010

Arco Íris

Colaboração de Jane Baruki Ferreira, moradora do Condomínio Alvorada



Arco Íris
 
Céu cinzento,
Raios penetrantes,
Sons estridentes,
Chuva tranqüilizante.
Cores cintilantes,
Sol brilhante.
 
Precisamos da tormenta
Para aprendermos a amar?
E o Arco Iris enxergar?
Para depois começarmos a pensar?

Vivemos dentro de esferas,
Cada qual com sua cor.
Muitas vezes só através da dor,
Desenvolvemos o amor.

Jane
 

14 de novembro de 2010

III- Cenários com Governança e Cenários sem Governança

       A governança em vários segmentos da sociedade e em conjunto com o Estado, desempenha um importante papel em prol da utilização regulada dos recursos naturais e a conseqüente conservação da integridade ambiental.
       Ela pode ser definida como um processo contínuo pelo qual interesses conflitantes ou divergentes podem ser solucionados e assim se adotar uma ação cooperativa. Envolve tanto organizações não-governamentais, como as governamentais, movimentos de cidadania e ambientalistas, associações e grupos de interesses exclusivos, interagindo com todos eles, os meios de comunicação.
        Contudo, na ausência de governança reconhecida, os impactos relacionados à implantação de qualquer projeto sempre ocorrerão sem contraposição organizada efetiva. Podendo gerar uma série de problemas sociais e ambientais, pois não há qualquer ação de controle efetivo na região, prevalescendo sempre os interesses dos grupos econômicos e sociais no poder.

OBS: Esses 3 posts em sequência foram baseados em:

http://siscom.ibama.gov.br/licenciamento_ambiental/Rodovias/BR%20319/Vol.5%20Progn%C3%B3stico%20Medidas%20Programas%20Conclus%C3%A3o/Vol.5%20Prognostico%20Medidas%20Programas%20Conclus%C3%A3o.pdf