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21 de agosto de 2015

Leandro Karnal - "As Pessoas Felizes no Brasil"


Reflexão sobre Hamlet e nossa consciência e política.
(trecho da palestra sobre Hamlet, de Shakespeare, e o Mundo como um Palco - para ver na íntegra:https://www.youtube.com/watch?v=GJ2gx1SCUiM)

18 de agosto de 2015

A Política e Juventude - Uma reflexão

Há alguns dias foi publicado aqui no Blog uma reflexão do Marcelo Gomes sobre a Política nos dias de hoje (leia clicando aqui). Li esse outro texto e resolvi o replicar abaixo, pois considerei que seu conteúdo trará elementos de aprofundamento e contraponto ao que foi escrito por Marcelo, enriquecendo sua reflexão.
Vejam o que acham!

Eduarda


Por: Renato Souza de Almeida
(mestre em Ciências Sociais e coordenador do Instituto Paulista de Juventude -IPJ, São Paulo, SP.viramundo@ig.com.br)

Votar com consciência social, discernindo o que é melhor para o município, mas sobretudo votar com o coração, com a sensibilidade e o senso de justiça para enxergar o sofrimento dos pobres que mais precisam do serviço público.
Este é um direito e uma obrigação dos jovens que começam a participar, não apenas das eleições, mas também da organização de grupos e do debate sobre o futuro que queremos. Um debate que conta com as ideias e a ação de Renato Souza de Almeida. Leia sua entrevista:


Dizem que o jovem não gosta de política. Isto é verdade?

O jovem não é um sujeito isolado do restante da sociedade. E, de uma forma geral, toda a sociedade tem partilhado certa descrença na ação política. Num contexto histórico em que muitas pessoas estão desanimadas com a política, é evidente que muitos jovens também vão partilhar desse sentimento. No entanto o que é política? Nas últimas pesquisas realizadas com jovens sobre este tema é interessante notar que, ao falar de política, muitos afirmam que não gostam. Mas quando se trata do tema da participação social, a maioria acha que é muito importante. E participar não é um ato político? A palavra política está muito associada ao governo, ao partido... Se ampliarmos esta noção de política para a ideia de participação pública e coletiva, pode crer que muitos jovens não só gostam de política como têm um forte engajamento, maior inclusive que qualquer outro segmento social. 

O que leva o jovem a desacreditar na política?

Primeiro, é entendermos o que de fato o jovem está chamando de política. Algumas palavras são muito significativas, mas estão desgastadas quanto ao seu uso. Evidentemente isso não é por acaso. No campo da política institucional, a forma com que muitos dos políticos profissionais têm tratado as questões públicas faz com que desacreditemos que qualquer mudança seja possível. Da mesma forma, a mídia também contribui para que tenhamos uma ideia ruim da política. Valoriza-se muito, nos noticiários, atitudes de corrupção, nepotismo... e muito pouco (ou quase nada) as boas ações políticas. Há uma série de leis e políticas públicas importantes que foram pensadas por gente muito comprometida. Mas tenta-se colocar todos no mesmo saco. Se se conhece apenas maus exemplos, o descrédito dos jovens a esta política institucional será natural. 

Que importância e que vantagens tem o jovem ao participar da política?
É de suma importância a participação dos jovens na vida pública de sua cidade, do seu país. Afinal, como membro de uma sociedade, ele tem responsabilidade sobre os rumos que ela vai tomar. Porém isso não é responsabilidade apenas dos jovens, mas de todos. Por vezes, pretende-se lançar nos ombros da juventude toda a responsabilidade pela mudança social. E há também uma crença de que, por se tratar de jovem, a ação política que dele vem será sempre boa. Há jovens políticos no Congresso que defendem as mesmas posições conservadoras de seus pais, de seus avós... Ao tratar do tema da participação, não podemos ignorar o seu conteúdo ideológico. Ou seja, não basta que o jovem participe apenas, mas como se dará esta participação e qual formação tem este jovem são questões fundamentais. O jovem não é naturalmente revolucionário. Dependendo do processo formativo que teve, pode ou não ter uma atitude revolucionária. 

Como ensaiar e "detonar" o debate político nas escolas e grupos?

O debate político está presente o tempo todo nos grupos de jovens, dentro ou fora da escola. Nas conversas de corredores das escolas, nos espaços das igrejas, nos bares, a todo instante os jovens estão partilhando suas vidas, comentando sobre problemas que atravessam seus cotidianos. Tais partilhas são pouco valorizadas em sala de aula e em outros grupos. Nossa vida é composta por questões privadas e públicas. As questões públicas que atravessam nossas vidas como o desemprego, a qualidade na educação, o acesso a bens culturais, a circulação pela cidade estão latentes na vida da maioria da juventude. É necessário colocar a vida, os gostos, as práticas dos jovens na cena pública. É preciso fazer o jovem sacar que uma questão pesada pra ele e que diz respeito à maioria dos jovens é algo público. E para isso não basta uma ação privada, individual, mas uma ação pública, ou seja, uma ação política. Enquanto não percebermos que falar de política é tratar da nossa vida, o debate político sempre será entendido como algo distante.
 
Como criar o gosto, como se encantar pela participação política?

O jovem precisa experimentar o gosto da participação. Os jovens não participarão de ações que não lhe são prazerosas e criativas. Ao iniciar a atuação em um grupo, muitas vezes, o jovem não o faz por uma questão ideológica, mas porque ele acha legal mexer em uma filmadora, aparelho de som, encontrar as pessoas, produzir algo... Creio que a sociabilidade e a produção são os grandes mobilizadores da atuação dos jovens. Os grupos juvenis que produzem algo, como os punks com seu do it yourself, sentem-se capazes de fazer coisas. Esta é a magia: você pode fazer e mudar coisas! Quando o jovem experimenta isto, ele saca a importância de participar. E a sociabilidade faz com que o jovem não se sinta só. A ação individual voluntarista não cria redes e dificilmente este jovem se mantém por muito tempo no desenvolvimento de um trabalho. Estar e agir em grupo encanta os jovens para atuarem na realidade que os envolve e cria um compromisso mais permanente. 

Onde, quando e como o jovem pode começar a participar?

Por mais que ainda possuam grande importância para as transformações sociais, os partidos políticos e sindicatos estão cada vez mais distantes do universo juvenil. Muitos partidos, a partir dos anos de 1990, passaram a organizar setoriais juvenis com o intuito de tratar as questões sobre este segmento de forma mais séria. No entanto o trabalho de fazer jovens despertarem para a militância política dificilmente se inicia dentro dos partidos. A maioria dos jovens que aí milita despertou para a participação em outro movimento ou grupo. A linguagem, a disputa interna e a burocratização das relações partidárias não têm sido muito atraentes para esta geração juvenil. Porém outras formas de atuação têm cada vez mais se apresentado como novos modos de participação, atraindo os jovens para o debate público de questões que dizem respeito a eles e à comunidade na qual estão inseridos. São grupos culturais de produção audiovisual alternativa, projetos e ações pontuais diversas organizadas por jovens. Um novo jeito de participar vem se configurando e se somando a formas mais convencionais de atuação, como movimento estudantil, sindicatos ou partidos. E onde estão esses novos grupos? Estão potencialmente em todos os espaços onde há jovens interessados em desenvolver algum tipo de ação que os interpele. A novidade é cada grupo que vai expressá-la. 

O voto aos 16 anos é uma conquista? Como aproveitá-la?

O voto é uma das formas de participar. Com certeza, a garantia do direito ao voto para adolescentes de 16 e 17 anos é uma conquista importante a se cultivar. O fato de ser facultativo também é interessante, pois participar de forma obrigatória não atrai nem um pouco. Aliás, penso que o voto para todas as pessoas deveria ser facultativo... Para aproveitar melhor esta conquista, deve se fazer um movimento de valorização da ação política. O adolescente jovem que não possui qualquer tipo de atuação, e que partilha da visão negativa presente na sociedade sobre a prática política, dificilmente vai perceber a importância que seu voto tem. Experiências como votação para a chapa do grêmio estudantil, eleger propostas e delegados para uma conferência municipal de juventude, escolher pelo voto o coordenador do grupo ao qual o jovem participa são hábitos democráticos que contribuem para que os jovens percebam a importância que seu voto tem para um país. 

De onde virão, como serão os novos políticos? Há esperanças?

Enquanto houver seres humanos, sempre haverá história! E com ela, esperanças de que é possível ser diferente... Em alguns contextos históricos é momento de esperar, de semear, de preparar a terra. Em outros, é hora de fazer o pão com o que você colheu! De onde virão os novos e bons políticos? Com certeza não será do marasmo dos descrentes de hoje. Aqueles que contribuirão para mudar os rumos da história virão da simplicidade do pequeno e paciente trabalho de formação de base. Virão das novas experiências culturais de coletivos juvenis que têm pintado pelas periferias das grandes cidades; virão de jovens que aprenderam que para a utopia ser conquistada lá fora, ela precisa estar primeiro dentro de nós...

Fonte: http://www.mundojovem.com.br/

Conversas Urbanas em pequenos filmes

3 Pequenos vídeos para você saber um pouco sobre como foram as
"Conversas Urbanas" organizadas pelo Ibot , aqui na nossa cidade,  para debatermos a revisão do Plano Diretor de Botucatu 






26 de julho de 2015

A Política e a Barbárie - uma reflexão

"A babilônia por si só cairá a medida em que nos tornarmos independentes dela." 
Gaia Piá

O Ser Humano é um ser político? Para responder a isso é necessário uma avaliação crítica da história e de quem a registrou desde os tempos idos...

Bom, partindo da etimologia das referidas palavras (política e barbárie) podemos tecer algumas reflexões.

Política: deriva do Grego politikos, “relativo ao cidadão ou ao Estado”, de polites, “cidadão”, derivado de polis, “cidade”.

Barbárie: do Grego barbaros, “estrangeiro, forasteiro” literalmente “aquele que fala de modo incomprensível”, de um som barbarar que imitava um balbuceio.

Ou seja, toda nossa história civilizatória deriva de uma cultura eurocentrista que considerava aqueles que não queriam ser submissos a uma domestificação como bárbaros, selvagens... Daí nascem certos preconceitos, tabus e a tal da "ordem social" por uma sociedade "civilizada". Tsc tsc.



"De acordo com quem pai? - Com os 'não-bárbaros'!" (...)

O que será que os "bárbaros", com sua língua balbuciada, pensavam sobre essa definição sobre eles mesmos? Até que ponto os rótulos que surgiram para defini-los não são meros preconceitos de quem define de fora sem conhecer realmente estes outros Seres Humanos?

Bom, acho que temos que reconhecer um pouco do bárbaro que há em nosso sangue, assim como o "selvagem" (do Latim selvaticus, uma alteração de silvaticus, “selvagem”, de silva, “floresta, bosque, selva”, local onde costumam morar seres que não tiveram qualquer informação sobre os modos de se comportar numa sociedade 'civilizada') que também existe em nós. Afinal, estamos vivendo provas de que talvez a organização social em torno de uma "polis" não tenha sido nossa melhor escolha enquanto seres "civilizados", isso nos afastou de uma essência inrotulável que carrega qualquer Ser Humano. Se faz muito confortável, para os que se alimentam de nossa ignorância, que continuemos apontando dedos uns aos outros em nome de cegos ideais, partidos ou instituições.

Enfim, somos hoje seres políticos sim. Urbanóides, desconectos, os 'não-bárbaros' (haha).
 

Que possamos "Ser", para além de qualquer rótulo ou conceito que a conveniência histórico-social nos proporcionou. Olhando mais pra dentro, honrando a co-existência.

Afinal, condenar o próximo segundo nossos próprios ideais num tá com nada... 

"Que o fazer dos membros possa despertar o pensar do intelecto e que essas polaridades possam se equilibrar através do sentir do coração!"
Marcelo Gomes

16 de abril de 2014

Profetas do pânico: os gupos que patrocinam a campanha anticopa


Profetas do pânico: os gupos que patrocinam a campanha anticopa


Existe uma campanha orquestrada contra a Copa do Mundo no Brasil. A torcida para que as coisas deem errado é pequena, mas é barulhenta e até agora tem sido muito bem sucedida em queimar o filme do evento.


Tiveram, para isso, uma mãozinha de alguns governos, como o do estado do Paraná e da prefeitura de Curitiba, que deram o pior de todos exemplos ao abandonarem seus compromissos com as obras da Arena da Baixada, praticamente comprometida como sede.


A arrogância e o elitismo dos cartolas da Fifa também ajudaram. Aliás, a velha palavra “cartola” permanece a mais perfeita designação da arrogância e do elitismo de muitos dirigentes de futebol do mundo inteiro.


Mas a campanha anticopa não seria nada sem o bombardeio de informação podre patrocinado pelos profetas do pânico.


O objetivo desses falsos profetas não é prever nada, mas incendiar a opinião pública contra tudo e contra todos, inclusive contra o bom senso.


Afinal, nada melhor do que o pânico para se assassinar o bom senso.


Como conseguiram azedar o clima da Copa do Mundo no Brasil


O grande problema é quando os profetas do pânico levam consigo muita gente que não é nem virulenta, nem violenta, mas que acaba entrando no clima de replicar desinformações, disseminar raiva e ódio e incutir, em si mesmas, a descrença sobre a capacidade do Brasil dar conta do recado.


Isso azedou o clima. Pela primeira vez em todas as copas, a principal preocupação do brasileiro não é se a nossa seleção irá ganhar ou perder a competição.


A campanha anticopa foi tão forte e, reconheçamos, tão eficiente que provocou algo estranho. Um clima esquisito se alastrou e, justo quando a Copa é no Brasil, até agora não apareceu aquela sensação que, por aqui, sempre foi equivalente à do Carnaval.


Se depender desses Panicopas (os profetas do pânico na Copa), essa será a mais triste de todas as copas.


“Hello!”: já fizemos uma copa antes


Até hoje, os países que recebem uma Copa tornam-se, por um ano, os maiores entusiastas do evento. Foi assim, inclusive, no Brasil, em 1950. Sediamos o mundial com muito menos condições do que temos agora.


Aquela Copa nos deixou três grandes legados. O primeiro foi o Maracanã, o maior estádio do mundo – que só ficou pronto faltando poucos dias para o início dos jogos.


O segundo, graças à derrota para o Uruguai (“El Maracanazo”), foi o eterno medo que muitos brasileiros têm de que as coisas saiam errado no final e de o Brasil dar vexame diante do mundo - o que Nélson Rodrigues apelidou de “complexo de vira-latas”, a ideia de que o brasileiro nasceu para perder, para errar, para sofrer.


O terceiro legado, inestimável, foi a associação cada vez mais profunda entre o futebol e a imagem do país. O futebol continua sendo o principal cartão de visitas do Brasil – imbatível nesse aspecto.


O cartunista Henfil, quando foi à China, em 1977, foi recebido com sorrisos no rosto e com a única palavra que os chineses sabiam do Português: “Pelé” (está no livro “Henfil na China”, de 1978).


O valor dessa imagem para o Brasil, se for calculada em campanhas publicitárias para se gerar o mesmo efeito, vale uma centena de Maracanãs.


Desinformação #1: o dinheiro da Copa vai ser gasto em estádios e em jogos de futebol, e isso não é importante


O pior sobre a Copa é a desinformação. É da desinformação que se alimenta o festival de besteiras que são ditas contra a Copa.


Não conheço uma única pessoa que fale dos gastos da Copa e saiba dizer quanto isso custará para o Brasil. Ou, pelo menos, quanto custarão só os estádios. Ou que tenha visto uma planilha de gastos da copa.


A “Copa” vai consumir quase 26 bilhões de reais.


A construção de estádios (8 bi) é cerca de 30% desse valor.


Cerca de 70% dos gastos da Copa não são em estádios, mas em infraestrutura, serviços e formação de mão de obra.


Os gastos com mobilidade urbana praticamente empatam com o dos estádios.


O gastos em aeroportos (6,7 bi), somados ao que será investido pela iniciativa privada (2,8 bi até 2014) é maior que o gasto com estádios.


O ministério que teve o maior crescimento do volume de recursos, de 2012 para 2013, não foi o dos Esportes (que cuida da Copa), mas sim a Secretaria da Aviação Civil (que cuida de aeroportos).


Quase 2 bi serão gastos em segurança pública, formação de mão de obra e outros serviços.


Ou seja, o maior gasto da Copa não é em estádios. Quem acha o contrário está desinformado e, provavelmente, desinformando outras pessoas.


Desinformação #2: se deu mais atenção à Copa do que a questões mais importantes


Os atrasos nas obras pelo menos serviram para mostrar que a organização do evento não está isenta de problemas que afetam também outras áreas. De todo modo, não dá para se dizer que a organização da Copa teve mais colher de chá que outras áreas.


Certamente, os recursos a serem gastos em estádios seriam úteis a outras áreas. Mas se os problemas do Brasil pudessem ser resolvidos com 8 bi, já teriam sido.


Em 2013, os recursos destinados à educação e à saúde cresceram. Em 2014, vão crescer de novo.


Portanto, o Brasil não irá gastar menos com saúde e educação por causa da Copa. Ao contrário, vai gastar mais. Não por causa da Copa, mas independentemente dela.


No que se refere à segurança pública, também haverá mais recursos para a área. Aqui, uma das razões é, sim, a Copa.


Dados como esses estão disponíveis na proposta orçamentária enviada pelo Executivo e aprovada pelo Congresso (nas referências ao final está indicado onde encontrar mais detalhes).


Se alguém quiser ajudar de verdade a melhorar a saúde e a educação do país, ao invés de protestar contra a Copa, o alvo certo é lutar pela aprovação do Plano Nacional de Educação, pelo cumprimento do piso salarial nacional dos professores, pela fixação de percentuais mais elevados e progressivos de financiamento público para a saúde e pela regulação mais firme sobre os planos de saúde.


Se quiserem lutar contra a corrupção, sugiro protestos em frente às instâncias do Poder Judiciário, que andam deixando prescrever crimes sem o devido julgamento, e rolezinhos diante das sedes do Ministério Público em alguns estados, que andam com as gavetas cheias de processos, sem dar a eles qualquer andamento.


Marchar em frente aos estádios, quebrar orelhões públicos e pichar veículos em concessionárias não tem nada a ver com lutar pela saúde e pela educação.


Os estádios, que foram malhados como Judas e tratados como ícones do desperdício, geraram, até a Copa das Confederações, 24,5 mil empregos diretos. Alto lá quando alguém falar que isso não é importante.


Será que o raciocínio contra os estádios vale também para a Praça da Apoteose e para todos os monumentos de Niemeyer? Vale para a estátua do Cristo Redentor? Vale para as igrejas de Ouro Preto e Mariana?


Havia coisas mais importantes a serem feitas no Brasil, antes desses monumentos extraordinários. Mas o que não foi feito de importante deixou de ser feito porque construíram o bondinho do Pão-de-Açúcar?


Até mesmo para o futebol, o jogo e o estádio são, para dizer a verdade, um detalhe menos importante. No fundo, estádios e jogos são apenas formas para se juntar as pessoas. Isso sim é muito importante. Mais do que alguns imaginam.


Desinformação #3: O Brasil não está preparado para sediar o mundial e vai passar vexame


Se o Brasil deu conta da Copa do Mundo em 1950, por que não daria conta agora?


Se realizou a Copa das Confederações no ano passado, por que não daria conta da Copa do Mundo?


Se recebeu muito mais gente na Jornada Mundial da Juventude, em uma só cidade, porque teria dificuldades para receber um evento com menos turistas, e espalhados em mais de uma cidade?


O Brasil não vai dar vexame, quando o assunto for segurança, nem diante da Alemanha, que se viu rendida quando dos atentados terroristas em Munique, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1972; nem diante dos Estados Unidos, que sofreram atentados na Maratona Internacional de Boston, no ano passado.


O Brasil não vai dar vexame diante da Itália, quando o assunto for a maneira como tratamos estrangeiros, sejam eles europeus, americanos ou africanos.


O Brasil não vai dar vexame diante da Inglaterra e da França, quando o assunto for racismo no futebol. Ninguém vai jogar bananas para nenhum jogador, a não ser que haja um Panicopa no meio da torcida.


O Brasil não vai dar vexame diante da Rússia, quando o assunto for respeito à diversidade e combate à homofobia.


O Brasil não vai dar vexame diante de ninguém quando o assunto for manifestações populares, desde que os governadores de cada estado convençam seus comandantes da PM a usarem a inteligência antes do spray de pimenta e a evitar a farra das balas de borracha.


Podem ocorrer problemas? Podem. Certamente ocorrerão. Eles ocorrem todos os dias. Por que na Copa seria diferente? A grande questão não é se haverá problemas. É de que forma nós, brasileiros, iremos lidar com tais problemas.


Desinformação #4: os turistas estrangeiros estão com medo de vir ao Brasil


De tanto medo do Brasil, o turismo para o Brasil cresceu 5,6% em 2013, acima da média mundial. Foi um recorde histórico (a última maior marca havia sido em 2005).


Recebemos mais de 6 milhões de estrangeiros. Em 2014, só a Copa deve trazer meio milhão de pessoas.


De quebra, o Brasil ainda foi colocado em primeiro lugar entre os melhores países para se visitar em 2014, conforme o prestigiado guia turístico Lonely Planet (“Best in Travel 2014”, citado nas referências ao final).


Adivinhe qual uma das principais razões para a sugestão? Pois é, a Copa.



Desinformação #5: a Copa é uma forma de enganar o povo e desviá-lo de seus reais problemas


O Brasil tem de problemas que não foram causados e nem serão resolvidos pela Copa.


O Brasil tem futebol sem precisar, para isso, fazer uma copa do mundo. E a maioria assiste aos jogos da seleção sem ir a estádios.


Quem quiser torcer contra o Brasil que torça. Há quem não goste de futebol, é um direito a ser respeitado. Mas daí querer dar ares de “visão crítica” é piada.


Desinformação #6: muitas coisas não ficarão prontas antes da Copa, o que é um grave problema


É verdade, muitas coisas não ficarão prontas antes da Copa, mas isso não é um grave problema. Tem até um nome: chama-se “legado”.


Mas, além do legado em infraestrutura para o país, a Copa provocou um outro, imaterial, mas que pode fazer uma boa diferença.


Trata-se da medida provisória enviada por Dilma e aprovada pelo Congresso (entrará em vigor em abril deste ano), que limita o tempo de mandato de dirigentes esportivos.


A lei ainda obrigará as entidades (não apenas de futebol) a fazer o que nunca fizeram: prestar contas, em meios eletrônicos, sobre dados econômicos e financeiros, contratos, patrocínios, direitos de imagem e outros aspectos de gestão. Os atletas também terão direito a voto e participação na direção. Seria bom se o aclamado Barcelona, de Neymar, fizesse o mesmo.


Estresse de 2013 virou o jogo contra a Copa


Foi o estresse de 2013 que virou o jogo contra a Copa. Principalmente quando aos protestos se misturaram os críticos mascarados e os descarados.


Os mascarados acompanharam os protestos de perto e neles pegaram carona, quebrando e botando fogo. Os descarados ficaram bem de longe, noticiando o que não viam e nem ouviam; dando cartaz ao que não tinha cartaz; fingindo dublar a “voz das ruas”, enquanto as ruas hostilizavam as emissoras, os jornalões, as revistinhas e até as coitadas das bancas.


O fato é que um sentimento estranho tomou conta dos brasileiros. Diferentemente de outras copas, o que mais as pessoas querem hoje saber não é a data dos jogos, nem os grupos, nem a escalação dos times de cada seleção.


A maioria quer saber se o país irá funcionar bem e se terá paz durante a competição. Estranho.


É quase um termômetro, ou um teste do grau de envenenamento a que uma pessoa está acometida. Pergunte a alguém sobre a Copa e ouça se ela fala dos jogos ou de algo que tenha a ver com medo. Assim se descobre se ela está empolgada ou se sentou em uma flecha envenenada deixada por um profeta do apocalipse.


Todo mundo em pânico: esse filme de comédia a gente já viu


Funciona assim: os profetas do pânico rogam uma praga e marcam a data para a tragédia acontecer. E esperam para ver o que acontece. Se algo “previsto” não acontece, não tem problema. A intenção era só disseminar o pânico e o baixo astral mesmo.


O que diziam os profetas do pânico sobre o Brasil em 2013? Entre outras coisas:


Que estávamos à beira de um sério apagão elétrico.


Que o Brasil não conseguiria cumprir sua meta de inflação e nem de superávit primário.


Que o preço dos alimentos estava fora de controle.


Que não se conseguiria aprontar todos os estádios para a Copa das Confederações.


O apagão não veio e as termelétricas foram desligadas antes do previsto. A inflação ficou dentro da meta. A inflação de alimentos retrocedeu. Todos os estádios previstos para a Copa das Confederações foram entregues.


Essas foram as profecias de 2013. Todas furadas.


Cada ano tem suas previsões malditas mais badaladas. Em 2007 e 2008, a mesma turma do pânico dizia que o Brasil estava tendo uma grande epidemia de febre amarela. Acabou morrendo mais gente de overdose de vacina do que de febre amarela, graças aos profetas do pânico.


Em 2009 e 2010, os agourentos diziam que o Brasil não estava preparado para enfrentar a gripe aviária e nem a gripe “suína”, o H1N1. Segundo esses especialistas em catástrofes, os brasileiros não tinham competência nem estrutura para lidar com um problema daquele tamanho. Soa parecido com o discurso anticopa, não?


O cataclismo do H1N1 seria gravíssimo. Os videntes falavam aos quatro cantos que não se poderia pegar ônibus, metrô ou trem, tal o contágio. Não se poderia ir à escola, ao trabalho, ao supermercado. Resultado? Não houve epidemia de coisa alguma.


Mas os profetas do pânico não se dão por vencidos. Eles são insistentes (e chatos também). Quando uma de suas profecias furadas não acontece, eles simplesmente adiam a data do juízo final, ou trocam de praga.


Agora, atenção todos, o próximo fim do mundo é a Copa. “Imagina na Copa” é o slogan. E há muita gente boa que não só reproduz tal slogan como perde seu tempo e sua paciência acreditando nisso, pela enésima vez.


Para enfrentar o pessoal que é ruim da cabeça ou doente do pé


O pânico é a bomba criada pelos covardes e pulhas para abater os incautos, os ingênuos e os desinformados.


Só existe um antídoto para se enfrentar os profetas do pânico. É combater a desinformação com dados, argumentos e, sobretudo, bom senso, a principal vítima da campanha contra a Copa.


Informação é para ser usada. É para se fazer o enfrentamento do debate. Na escola, no trabalho, na família, na mesa de bar.


É preciso que cada um seja mais veemente, mais incisivo e mais altivo que os profetas do pânico. Eles gostam de falar grosso? Vamos ver como se comportam se forem jogados contra a parede, desmascarados por uma informação que desmonta sua desinformação.


As pessoas precisam tomar consciência de que deixar uma informação errada e uma opinião maldosa se disseminar é como jogar lixo na rua.


Deixar envenenar o ambiente não é um bom caminho para melhorar o país.


A essa altura do campeonato, faltando poucos meses para a abertura do evento, já não se trata mais de Fifa. É do Brasil que estamos falando.


É claro que as informações deste texto só fazem sentido para quem as palavras “Brasil” e “brasileiros” significam alguma coisa.


Há quem por aqui nasceu, mas não nutre qualquer sentimento nacional, qualquer brasilidade; sequer acreditam que isso existe. Paciência. São os que pensam diferente que têm que mostrar que isso existe sim.


Ter orgulho do país e torcer para que as coisas deem certo não deve ser confundido com compactuar com as mazelas que persistem e precisam ser superadas. É simplesmente tentar colocar cada coisa em seu lugar.


Uma das maneiras de se colocar as coisas no lugar é desmascarar oportunistas que querem usar da pregação anticopa para atingir objetivos que nunca foram o de melhorar o país.


O pior dessa campanha fúnebre não é a tentativa de se desmoralizar governos, mas a tentativa de desmoralizar o Brasil.


É preciso enfrentar, confrontar e vencer esse debate. É preciso mostrar que esse pessoal que é profeta do pânico é ruim da cabeça ou doente do pé.


(*) Antonio Lassance é doutor em Ciência Política e torcedor da Seleção Brasileira de Futebol desde sempre.

9 de junho de 2011

6º Dia da semana do Meio Ambiente e as Instituições do bairro se posicionam!


A Demétria é um bairro diferenciado dentro do município de Botucatu. Iniciado pelo impulso de se realizar uma agricultura saudável, harmonizando o homem com o ambiente, hoje abriga muitas iniciativas sociais, tonando-se uma referência não apenas no município, mas no país e no mundo.
Essas instituições de cunho agrícola, educacional, artístico, científico, terapêutico e religioso, são como vários órgãos de um organismo que, apesar de suas especificidades, possuem uma profunda relação de interdependência.

Uma visita rápida a essa página na web já dará aos nossos leitores uma pequena idéia desse entrelaçado de suas instituições e associações: http://www.bairrodemetria.com.br/bairro/index.htm

Cada uma dessas instituições elabora nessa semana um documento individual a ser divulgado na Prefeitura, junto à Procuradoria de Justiça e na Imprensa em geral. O foco do mesmo será a necessidade de se preservar o entorno do bairro Demétria através das diretrizes já definidas no Plano Diretor de Botucatu.

É importante ressaltar que esta é uma comunidade bastante diversificada, inclusive no aspecto político/partidário, mas indepententemente do posicionamento de cada um de seus membros, todos estão e acordo com o princípio geral que aquilo que uma administração anterior fez de mal feito para o Município é dever da nova gestão melhorar e/ou reparar, mas aquilo que fez de proveitoso deve ser respeitado e mais, deve ser encaminhado com agilidade!

Essa é a ação política moderna e socialmente responsável que esperamos da atual gestão no que diz respeito ao Plano Diretor.

A ocupação e desenvolvimento de novas atividades no entorno do bairro tem que respeitar a vocação da região que foi se definindo ao longo dos últimos 30 anos e legitimada com o Plano Diretor de 2007.
Pela regulamentação imediata do Plano Diretor!

4 de junho de 2011

Um pouco de história do Bairro Demétria e o Plano Diretor de Botucatu que ainda não foi regulamentado...

Cultivo Biodinâmico de Morango


A atual situação de risco para sua  verdadeira vocação que o entorno do Bairro Demétria se encontra com a iminente possibilidade de ser aprovada a construção de 2 galpões de ração de uma indústria de M.Gerais, bem na frente da entrada do bairro,  nos remete a várias questões e reflexões que compartilharemos aqui durante a toda semana do meio ambiente.

A primeira delas diz respeito ao histórico desse bairro que hoje já contabiliza 37 anos de  valiosas ações  sócio-ambientais para Botucatu e Brasil, configurando-se pioneiramente como um belo exemplo de ecovila no Brasil.

Essa caracterização, que vem sendo construída por inúmeras pessoas agindo dentro de espírito inovador, através de ações  constantes, de grande alcance e enorme variedade durante todos esses anos, está muito bem amparada pela concepção do Plano Diretor já elaborado para a cidade de Botucatu, mas que ainda não foi regulamentado!

Nesse Plano Diretor não só o Bairro Demétria como também ampla área circunvizinha, que inclui entre outros todo o Green Valley e o Bairro Roseira, estão enquadrados como ZONA ESPECIAL DE INTERESSE SÓCIO AMBIENTAL e como tal estariam a salvo de intervenções com mero interesse econômico e especulativo.

A Semana do Meio Ambiente de Botucatu só poderá ser verdadeiramente comemorada quando a regulamentação desse Plano Diretor se der no mesmo espírito em que foi construído: -participativamente! 

25 de fevereiro de 2011

Distorções ideológicas

Uma crônica afiada da Ana, moradora do condomínio Verbena e professora do Quintaventura:

Tive um professor querido de História, muitos anos atrás, que me explicou de forma exemplar o que é ideologia. Ideologia, dizia ele, é o seguinte: você passa muitos e muitos anos (por exemplo) odiando ler, repudiando tudo o que seja matéria impressa; num certo momento, percebe a importância da leitura, e passa entusiasmado ao estatuto de leitor contumaz. Porém, o mundo lá fora, que tudo observa, permanece com o você antigo, aquele que não gostava de ler, e por mais que você diga, prove, leia!, nada convence ninguém de que você mudou, que as coisas mudaram, que agora não só você reconhece o valor e o prazer de ler, mas lê o dia inteiro. Ideologia é isso: a permanência de uma determinada forma de pensar a respeito de uma realidade que,entretanto, já mudou e não é a mesma. Hoje eu sei que ele se apoiou nas reflexões de Marilena Chauí, mas na altura essa explicação me cativou.

O pensamento ideológico tem uma missão importante, ainda que inconsciente: convencer o resto do mundo que a mudança não aconteceu. O pensamento ideológico sai às ruas enérgico para comprovar, constatar, convencer e provar o que lhe parece óbvio: você não lê e não gosta de ler. Os fins, aqui, justificam os meios, e por isso a liberdade é irrestrita para camuflar, distorcer, omitir ou corroer fatos e informações. Vale tudo, porque há uma missão em jogo, há uma luta em campo que não é racional, mas absolutamente passional. O ser humano tem problemas com a desacomodação e a mudança – por isso, mais fácil garantir que nada mudou e que podemos continuar reclamando, eternamente, das mesmas coisas. Ainda que não existam mais. A sorte é que, como agora você gosta e lê, sabe disso e não se incomoda tanto. Até entende, quem sabe se magnânimo...

Os caminhos do pensamento ideológico são muitos, e todos estamos à sua mercê. O email que circula há algum tempo pela internet, com uma redação de uma aluna da UFRJ, pretensa ganhadora de um prêmio concedido pela UNESCO entre outros 50000 estudantes, é uma prova fantástica deste assunto. Ora vejam:

O email em questão conta que Clarice-alguma-coisa, aluna do último ano do curso de Direito da UFRJ, ganhou um prêmio concedido pela UNESCO, pela sua redação sobre o fim da pobreza e da desigualdade. Segue-se o email com o texto na íntegra, e ao final solicita-se que se encaminhe adiante, e assim “aos poucos vamos acordar este Brasil!”

Convém saber que o texto da estudante não ganhou o concurso, mas foi selecionado, com outros 100 textos, para integrar uma publicação da Folha Dirigida em parceria com a UNESCO (ou vice-versa, para não me acusarem de distorção!). Foram 42.000 estudantes, e todos eles brasileiros universitários, porque o concurso, que dá a impressão de ser mundial, aconteceu apenas no Brasil. A publicação tem a data de 2006-2007, e está disponível no site http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001576/157625m.pdf.

A intenção da UNESCO não foi destacar o bom uso da língua, a clareza na exposição das ideias, a articulação equilibrada, a coesão trabalhada. Talvez, se fosse, a estudante de 26 anos tivesse uma nota razoável, apesar de não ser um texto exemplar e de, dependendo do ponto de vista, ter as qualidades necessárias a uma prova de ingresso à universidade e não as que se presumem necessárias a uma já-quase advogada.

A intenção foi justamente dar relevância a boas ideias que combatam e a pobreza e a desigualdade, conforme reza o título da publicação, e não a habilidade para “construir belas frases com palavras simples”, como elogia anonimamente quem coloca o texto em circulação. É claro que vemos e percebemos da realidade aquilo que a nossa percepção e história pessoal informa; é claro que a pluralidade de opiniões é a garantia da nossa democracia. Mas choca-me que a UNESCO consiga entender representativas da realidade brasileira as ideias expressas pela estudante, por muito irrepreensível (e não é) que seja seu texto. Se ainda penso que é uma aluna de último ano de Direito, mais me espanta e incomoda. E quando vejo que é aluna de uma universidade federal, pior ainda.

"Abundância de falta de solidariedade" e "exagero de falta de caráter" (para não passar do primeiro parágrafo) são expressões fortes demais para caracterizar um país onde precisamos de muitos e muitos dedos de muitas mãos para contar exemplos justamente do contrário. Eu sei (e por isso aquela introdução no início deste texto) que dificilmente se constrói um discurso ideologicamente livre, mas há limites, e uma estudante de último ano de Direito deveria ter construído, ao longo do seu tempo de estudo, a capacidade de olhar em volta com os olhos abertos. Seu texto está repleto de lugares comuns e chavões como aqueles que ouvimos repetidamente, que elegem o Tiririca como exemplo acabado do congresso que acaba de ser eleito, ignorando os tantos e tantos deputados capazes e honestos que povoam a Câmara. Joga-se o bebê, a água do banho e a própria bacia. Bastante fácil levantar bandeira por revoluções e reformas estruturais, sem perceber as que estão em curso, e que permitiram, inclusive, que a autora do texto chegasse a seu último ano de um curso de Direito do calibre do curso da UFRJ, "vítima" dos investimentos fantásticos que o Governo Federal fez nos últimos 8 anos no ensino superior público.

O texto de Clarice tem, no entanto, um aspecto positivo, e a sua circulação irrestrita e distorcida pela internet idem: são bons exemplos do que é preciso fazer com textos lidos no ambiente virtual. Por um lado, desconfiar, a partir do exercício do pensamento crítico e da análise da realidade, da veracidade dos fatos que veiculam, confrontá-los e confirmá-los buscando outras fontes; por outro, descobrir a imensa riqueza democrática que esse mesmo espaço virtual carrega em si, acessível por caminhos que lhe são próprios e peculiares e que precisam ser aprendidos e explorados nos últimos anos da educação básica, justamente porque são isso mesmo: básicos. As nossas salas de aula estão repletas de alunos que usam a internet e o universo virtual diariamente, de forma limitada mas muito intensa. Faltam-lhes recursos que lhes permitam dominar as ferramentas de pesquisa, faltam-lhes capacidades para poderem encontrar, nessa gigantesca caixa de Pandora, aquilo que necessitam e aquilo que ainda nem sabem que existe. Quem sabe possamos contribuir para que as próximas gerações de alunos da UFRJ consigam desenvolver textos mais articulados, maduros, reflexivos, inteligentes e bem escritos. O lucro será de todos.

24 de fevereiro de 2011

Ouvidoria Municipal

Colocamos na coluna à direita do Blog o banner com o link direto para o formulário de contato com a Ouvidoria da Prefeitura Municipal de Botucatu. Basta clicar na imagem que o formulário se abre automaticamente. Nele suas críticas, sugestões e reclamações serão enviadas à ouvidora Isabel Cristina Rossi Conte, que fala:

“Temos muito ainda a aprender e por isso gostaríamos de sempre receber comentários, críticas, sugestões. Acreditamos que o estreito relacionamento entre o munícipe e o poder público melhora a prestação do serviço e é de grande valia, pois o objetivo da existência da Ouvidoria Municipal é o cidadão que utiliza nossos serviços”

24 de novembro de 2010

"Por que participar da política?"

Recebi hoje um exemplar do livro do Plínio Arruda Sampaio que tem o título acima, irei lê-lo e comentar aqui no Blog e na lista yahoo de discussão política dos moradores do bairro, o "Papo Politico".
Numa primeira olhada me pareceu um livro muito interessante como apoio pedagógico no ensino de 2º grau.
O livro aborda a formação do Estado brasileiro, os sistemas de governo parlamentarista e presidencialista, a Nova República e os impactos cotidianos da ação política na vida dos brasileiros. Dividido em sete capítulos distribuídos em 64 páginas, a brochura é um convite a que os leitores, especialmente a juventude, conheçam e participem da vida política nacional. O questionamento central da obra é: “o que perdemos por nos desinteressar da política e o que ganhamos procurando entendê-la?”





“Por que participar da política?”, pela Editora Sarandi

Para onde sua bússola política aponta?

Esse TESTE foi uma colaboração do Zeca de Moraes  para o Blog, vejam aqui um trecho de seu e-mail:

"Ah, lembrei de outra pergunta curiosa, aquela que diz que "em sua opinião, o mais importante é que as crianças conheçam a disciplina e a autoridade", ou algo nesse sentido. Eu não sou nenhum especialista em Pedagogia Waldorf, mas me parece que é um princípio da Pedagogia Waldorf e eu também acredito que é de fato muito importante que crianças até sete anos conheçam autoridade e disciplina. No entanto a pergunta parece ter sido feita sobre um conceito supostamente "esquerdista", pelo qual o importante é a "liberdade individual" em todas as idades e sob todos os aspectos, o que é uma compreensão bem rasa do conceito de liberdade, e me pareceu mais correto responder a pergunta segundo a premissa sob a qual ela me parece ter sido formulada. Na verdade, ali qualquer resposta seria errada, pois se escolho responder sob meu pensamento antroposofista, que parte de outras premissas, não estou concordando com as premissas da entrevista. Por tudo isso que achei isso só uma boa brincadeira mesmo."

Sugiro que também o façam e depois poderão comentar aqui no Blog se concordam ou não com o resultado do seu teste, e também qual foi ele!
No meu caso, ressalvando que em vários momentos fiquei bastante irritada com a limitação das respostas em forma de teste, pois minha posição também ia bem além doque ali se colocava, ao final achei interessante observar meu resultado em relação ao de outras pessoas dos gráficos abaixo.

Explicação inicial: http://politicalcompass.org/es/index


Teste: http://politicalcompass.org/es/questionnaire


Meu resultado: http://politicalcompass.org/es/printablegraph?ec=-5.38&soc=-3.95


Abaixo algumas imagens para referência de resultados:

Esta imagem coloca em destaque alguns líderes, políticos ou religiosos, como Bento XVI ou George W. Bush:



Nesta 2ª imagem, estão em evidência os candidatos às eleições primárias nos EUA (os Democratas azul e os Republicanos a vermelho). Vejam a posição de Barack Obama:

10 de novembro de 2010

Manipulação de informações pela mídia

Vejam os infográficos abaixo (clique na imagem pata ampliar) e vejam como a manipulação de informações pode levar às reações esperadas...
"Para acabar com a tese furada de um Brasil dividido em dois, ou de que Dilma foi eleita pelo nordeste e norte, aí vai um mapinha que fiz. Utilizei porcentagens de ciano e magenta como representando as porcentagens de Serra e Dilma em cada estado.

O que a gente vê é um Brasil roxinho, puxado para para o ciano em alguns lugares (Acre, por exemplo) e para o magenta em outros (Amazonas, por exemplo). O roxinho é mais magenta no geral, por isso Dilma foi eleita." FONTE

FONTE

Reflexão sobre o Sistema de Cotas nas Universidades Brasileiras

Esse era um tema  para o dia 20/11, Dia Nacional da Consciência Negra, mas como ontem, na lista do Yahoo Alô Bairro Demétria, surgiu um e-mail em que esse assunto das cotas foi abordado de forma irônica, resolvi publicá-lo antecipadamente como contraponto ao e-mail, para reflexão no bairro.O quadrinho menor no canto à direita é a expressão clara do tipo de memória social com que nos deparamos diariamente.

6 de novembro de 2010

Não à pasteurização da política!

Como já escrevi aqui no Blog, política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.
Para que a política seja um saudável e democrático instrumento de desenvolvimento social ela deverá preservar a sua dimensão conflitual e nesse contexto, a radicalidade, ao contrário do que alguns professam, é importantíssima como catalisador de mudanças e evolução social.

Neste ensaio sobre Cavaco Silva o ensaísta aborda os desastrosos reflexos para Portugal do recorrente posicionamento "conciliador" desse político.
Lendo-o, percebi ter sido ele o mesmo embora com outras roupagens, que foi muito usado  por alguns "centristas" brasileiros no debate das últimas eleições. 
Vejam aqui um trecho do mesmo (os grifos em azul são meus):

Há, aliás, duas frases que retive na memória, da autoria de Cavaco Silva, que caracterizam bastante bem o político completamente previsível que ele é.

Uma delas foi proferida em 2005, tornou-se famosa e diz o seguinte: "Pessoas inteligentes, com a mesma informação, chegam às mesmas conclusões."
Quem tenha alguns conhecimentos de história, seja do país ou do mundo, seja das ideias ou dos factos políticos, sabe perfeitamente que tal afirmação não é verdadeira. Porque, regra geral, pessoas inteligentes, com princípios, ideias e opções políticas distintas, chegam a conclusões diferentes, mesmo quando possuem a mesma informação. É isso, aliás, que está na base dos sistemas democráticos, pluralistas e pluripartidários.Mas a frase proferida por Cavaco Silva há cinco anos é característica do discurso político dominante nos diversos partidos que alternam no poder em quase todas as democracias ocidentais. É uma frase que traduz aquilo que alguns já designam como "o fim da política".

Para políticos que dizem situar-se rigorosamente ao centro, como é o caso de Cavaco Silva, a política na sua dimensão conflitual é considerada como algo pertencente ao passado. O tipo de democracia que recomendam é uma democracia consensual, totalmente despolitizada, não partidarizada, sem confronto entre adversários, submetida aos princípios tecnocráticos e burocráticos implícitos naquilo que os banqueiros, gestores e empresários "modernos" designam por "boa governança", seja lá isso o que for
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31 de outubro de 2010

Dilma Rousseff é eleita a primeira mulher presidenta do Brasil

"A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.
Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia."*
Dilma Rousseff  
*(trecho do seu primeiro discurso feito logo após a confirmação de sua vitória no 2º turno )

Podemos dizer que esse já foi o exercício de cidadania praticado por muitos dos moradores do bairro Demétria durante todo esse processo eleitoral.Saudamos a nova presidenta e desejamos que seu governo avance significativamente no equacionamento dos enormes desafios desse país.




30 de outubro de 2010

Resultado da 2 ª Enquete do Blog Alô Bairro Demétria (2º turno das eleições presidenciais)

Em quem você irá votar no 2º turno?

Dilma Rousseff 123 (50%)

José Serra 117 (47%)

Em branco 0 (0%)

Nulo 5 (2%)

Votos: 245

Dia 30/10/2010 às 23:23: encerramento da enquete.

Dia 31 a partir das 19h, já saberemos o quanto que a mesma previu, ou não, o resultado efetivo das urnas! Qualquer que seja o resultado nas urnas, com essa enquete já temos documentada uma amostragem significativa do posicionamento político dos moradores do bairro Demétria nessas eleições.

A entrevista de José Dias de Moraes Neto que defende Dilma Rousseff para o 2º Turno

Caros moradores,

Por vários dias procurei entrevistar novamente opiniões diferentes quanto ao 2º turno entre os antropósofos que conheço. Fiz convite formal a dois deles que apoiam a Dilma e ambos imediatamente concordaram em colaborar com o Blog Alô Bairro Demétria e assim enriquecer o debate político no bairro. Apenas um deles me pediu para ficar como uma segunda opção se o outro não pudesse responder. Assim foi feito, e hoje temos a oportunidade de ler as respostas de Zeca Moraes, estudioso de antroposofia há mais de 30 anos e criador/moderador do fórumantroposófico na internet (lista yahoo) desde sua fundação.
Quanto aqueles  que informalmente declaram apoio ao Serra neste 2º turno, infelizmente não obtive sucesso na  busca por um que respondesse à entrevista proposta, apesar de ter feito convites formais a 5 deles.Todos igualmente alegaram estar no momento sem tempo para essas respostas.
Assim, publico hoje exclusivamente o ponto de vista de Zeca Moraes e agradeço a sua colaboração. Estou certa que suas respostas irão suscitar o enriquecimento da reflexão e do debate que já vêm ocorrendo no bairro sobre o 2º turno destas eleições.Boa leitura.


1-A primeira pergunta é relativa ao programa de seu canditato e também sobre o programa do candidato oponente:

Eu não creio que o programa de governo seja o mais importante numa comparação entre os candidatos; mais importante que pontos definidos e particulares é a ideologia que conduz o pensamento e orienta as ações de cada candidato/proposta/coligação. Sendo assim, vou desenvolver uma reflexão sobre o que considero a ideologia de cada candidato. Dessa maneira, a própria figura de cada candidato se torna de menor importância, e passamos a discutir as ideias que os norteiam e a seus grupos políticos.
a)Escreva 3 aspectos bem objetivos do programa de ações de governo do seu canditato que você acha indispensáveis ao nosso país. Justifique essa importância que você atribuiu. 

A ideologia que me parece ser a de Dilma Rousseff - ou do grupo que ela representa - é o socialismo, ou o pensamento dito de esquerda. A meu ver, o princípio fundamental do socialismo é o altruísmo, a preocupação com a comunidade, com o outro: não basta que eu esteja bem, que meus próximos estejam bem; a comunidade só estará bem quando todos, em toda sua variedade, estejam bem. Sendo assim, o governo dos últimos oito anos promoveu uma redistribuição de renda que nunca houvera neste país, e que aconteceu de várias formas, desde a progressiva erradicação da pobreza, com o programa Bolsa-Família, como o apoio à educação em todos os níveis, com a fundação de inúmeras universidades (14) e escolas técnicas (mais de duzentas). O resultado de tal política é que todo o país enriquece. Ao contrário da crença popular e antiga de que "socialismo é tirar dos ricos para dar aos pobres", o socialismo, em nossa prática, mostra que ao darmos condições a todas as classes para que se integrem como cidadãos plenos, portanto também com direito a consumo, toda a sociedade enriquece - inclusive aqueles já ricos. A sociedade inteira então floresce.
b)Escreva 3 aspectos bem objetivos do programa de ações do candidato oponente que você acha muito ruins. Justifique essa sua opinião.

Neste caso, é muito claro que a proposta ideológica de José Serra - ou do grupo que ele representa - é a ditada pelo pensamento neoliberal. Esta proposta prevê sobretudo o conceito de Estado mínimo, com toda a iniciativa de suprimento de serviços e produtos à sociedade passado à iniciativa privada. Eu creio que seu princípio basilar é o egoísmo, a busca da solução e do lucro individual, em detrimento do socialmente importante. O princípio e o fim desse sistema é o dinheiro, o capital. Ora, o capital é apenas uma materialidade. Sendo assim, só almeja o seu próprio crescimento, em prejuízo de todo o resto, sobretudo de qualquer consideração ética ou moral, de qualquer valor. A consequência em nossa prática foi uma aguda divisão de renda - lembremos que nos anos de gestão do PSDB, sob Fernando Henrique Cardoso, o Brasil chegou à segunda pior divisão de renda do mundo, dentre c.170 países, pensemos quantos e quais países estavam então à nossa frente nesse aspecto. O patrimônio do Estado é passado também à iniciativa privada, como mostraram todas as privatizações daquele período, e um dado comparativo me basta: em quase 500 anos de história construímos tudo que havia neste país com o comprometimento de 38% do PIB em dívida externa; apenas durante o governo FHC essa dívida subiu para 78% do PIB - um caso único, uma vez que foi o grande período de privatizações. Sendo José Serra e seu grupo aqueles que defendem o legado de Fernando Henrique Cardoso, creio que podemos esperar o mesmo caso Serra seja eleito.
2-Nessa segunda pergunta, peço-lhe que:

a) Liste 5 ações notáveis e comprovadas (por favor apresente documentação de referência confiável) do seu candidato (pessoa física, não partido) que ao seu ver o gabaritam à presidência.

A primeira coisa que se pode e deve falar de Dilma Rousseff é justamente sobre aquilo que ela é mais injustiçada, que é seu passado de guerrilheira. Considero tal fato extremamente honroso na biografia dela, e pensar de outra maneira é assumir o discurso da ditadura, quase trinta anos depois. Recomendo que se veja este vídeo, para esclarecimento. Dilma teve uma biografia marcada sobretudo pelo idealismo (o que só por si já considero especialmente importante), pricipalmente o de construir um país igualitário e soberano; mesmo sendo oriunda de uma família de classe média alta, recusou as benesses desse status em nome de seus ideais (informações tiradas das primeiras páginas deste artigo); tem uma longa carreira como administradora pública, ascendendo de estagiária na Fundação de Economia e Estatística (órgão responsável por estatísticas do governo do estado do Rio Grande do Sul), secretária da Fazenda da Prefeitura de Porto Alegre, secretária de Minas, Energia e Comunicações do Rio Grande do Sul, ministra das Minas e Energia no primeiro mandato de Lula, até ministra-chefe da Casa Civil do governo que termina. Nesta longa trajetória foi sempre bem sucedida, tendo sempre estado longe de casos rumorosos de corrupção, ainda tão comuns neste país. Confesso aqui que não achei o que eu considerasse "documentação de referência (suficientemente) confiável", como solicitado; nestes tempos de campanha eleitoral o que achei era sempre parcial, ou para um lado, ou para outro. No entanto, como se sabe toda a grande imprensa - a revista Veja, os jornais Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, e a emissora Globo e jornal do mesmo nome - encontra-se flagrantemente alinhada ao candidato Serra. Sendo assim, pode-se imaginar que essa imprensa revirou muitas vezes cada pedra do passado da candidata e não encontrou absolutamente nada suspeito, então ainda que não tenha confirmação do que eu possa julgar fontes de referência independentes, apenas o fato dessa grande imprensa não ter encontrado nada que desabone a candidata Dilma já basta como confirmação de sua ilibada carreira pública.
b) Liste 5 ações notáveis e comprovadas (por favor apresente documentação de referência confiável) que ao seu ver o desabonam como candidato (pessoa física, não partido) à presidência.

A própria campanha que o candidato Serra vem desenvolvendo, com ampla utilização de calúnias, já bastaria para desaboná-lo. O último fato foi a encenação de ter sido atacado com "um objeto pesado", quando foi atingido por uma simples bolinha de papel, em comício no Campo Grande, RJ. Aqui vê-se a reportagem da rede SBT. Dentre outros motivos, posso enumerar: foi o grande propugnador das privatizações, que dilapidaram o patrimônio público brasileiro, como afirma Fernando Henrique Cardoso, neste vídeo, além de várias outras, como se lê aqui; não foi "o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve", como gosta de dizer, ao contrário, quando era ministro do Planejamento e Adib Jatene o da Saúde, não apoiou a vinculação de verbas para a Saúde, como disse Jatene em longa entrevista à Bandeirantes no domingo passado (um resumo se encontra aqui), e não fez os genéricos, que foram feitos pelo ministro Jamil Haddad, durante o governo de Itamar Franco, conforme este mesmo declara; as promessas de Serra são apenas eleitoreiras, sem a menor possibilidade de se tornarem reais, como mostra este artigo, o que torna portanto todas suas outras promessas - como a de não privatizar empresas e patrimônio público - muito suspeitas; não é ambientalista, como diz, ao contrário, faz parte de sua coligação e o apoiam os maiores desmatadores do chamado "arco de fogo" da Amazônia, como mostra este gráfico; e por último (e não precisaria ser), Serra é preconceituoso e por oportunismo eleitoral se junta aos grupos mais reacionários e conservadores de nossa sociedade, até mesmo contra os direitos dos homossexuais.


3-Nessa 3ª pergunta, peço-lhe que:

a)Descreva com suas palavras como você vê a história do partido do seu candidato.

O Partido dos Trabalhadores nasceu dos movimentos sindicais operários que reagiam à ditadura no chamado ABCD paulista. De um partido de espectro relativamente estreito, formado sobretudo por operários (da indústria metalúrgica ou montadoras de automóveis e suas satélites) e intelectuais (sobretudo paulistanos) de esquerda, amadureceu, juntamente com o panorama político do país depois do hiato da ditadura militar, para um partido de centro-esquerda, bastante pragmático, que assumiu a bandeira da social-democracia, abandonada pelo PSDB.


b)Descreva com suas palavras como você vê a história do partido do candidato oponente.

O PSDB, ou Partido da Social Democracia Brasileira, nasceu como divisão do antigo MDB, este o único partido de oposição admitido pela ditadura militar. Como o nome diz, em princípio pretendeu assumir a bandeira da social-democracia, e reuniu intelectuais e economistas paulistanos de centro-direita ligados ao grande capital. Progressivamente abandonou o discurso social-democrata e assumiu o neoliberal, que praticou largamente durante os anos em que esteve no poder, de 1995 a 2002, com Fernando Henrique Cardoso. Hoje parece estar derivando ainda mais à direita, ligando-se a grupos de extrema-direita, como Opus Dei, TFP, fundamentalistas evangélicos, e até mesmo integralistas. Assume o discurso golpista da antiga UDN, partido da elite paulista de antes do golpe militar de 1964.


E para finalizar, fale um pouquinho sobre sua própria trajetória política.

Meu nome é José Dias de Moraes Neto, ou mais simplesmente Zeca Moraes, 53 anos, paulistano mas morando em Curitiba há 25 anos. Sou músico, clarinetista da Orquestra Sinfônica Estadual do Paraná. Estudo a Antroposofia há já quase trinta anos, tendo me interessado sempre mais pela doutrina em si do que pelas suas aplicações práticas, como agricultura biodinâmica, medicina, ou pedagogia Waldorf. Nunca tive uma carreira política; se se pode dizer isso, tive pequena atuação no movimento estudantil dos anos 70, e fui por algumas gestões (de um ano) presidente da associação profissional dos músicos de minha orquestra. Não sou filiado a nenhum partido nem nunca participei de movimentos políticos. Há relativamente pouco tempo conheci a proposta da Trimembração Social de Steiner. A meu ver essa proposta de organização político-social é uma forma alterada de socialismo, cujo princípio permanece o mesmo: o ser humano como princípio e fim, e seu valor maior o altruísmo. Minha escolha política nesta eleição (e nas passadas) pautou-se sempre por estes princípio e valor, e por isso vejo com felicidade a congruência de minha escolha com os princípios da Antroposofia.
Por último, e pressupondo que me dirijo a uma plateia de antroposofistas, gostaria de sugerir que lessem este artigo, que investiga e perscruta as forças que sustentam e estimulam o neoliberalismo, e que meditem sobre que forças espirituais estarão apoiando com seus votos.

29 de outubro de 2010

"Você é, oficialmente, uma pessoa manipulável"

Esse ótimo post foi transcrito na íntegra DAQUI e vem bem a calhar para nós se observarmos  nossas caixas de correio eletrônico e as correntes de e-mails anônimos que nos são reenviados diariamente fazendo apelações ou propagandas, ou veiculando as mais variadas lendas urbanas:

Caro(a) amigo(a), se você decide seu voto por conta de uma das dezenas de correntes apócrifas que circulam pela internet, pró-Dilma e pró-Serra (ou anti-Dilma e anti-Serra), parabéns. Você é, oficialmente, uma pessoa manipulável.
Nunca entendi muito bem porque as pessoas acreditam piamente naquilo que recebem em suas caixas de e-mail. Será que o anonimato das mensagens apócrifas é entendido como uma espécie de “sinal”? Do tipo: “Senhor, me dê os números vencedores do jogo do bicho” e, dias depois, você interpreta uma propaganda de um haras, que chegou acidentalmente por e-mail, como resposta para apostar no “cavalo”?! Vai que, da mesma forma que o Altíssimo escreve certo por linhas tortas, ele também “emeia” justo por internet frouxa, não é?
O mais interessante é que algumas dessas mensagens contam com mentiras tão bem construídas que tem mais gente acreditando nelas do que em boas matérias, com dezenas de fontes, feitas por jornalistas com décadas de credibilidade, que desmentem ou explicam o caso.
- Pô, o texto é super bem escrito. Não deve ser falso.
- O e-mail trouxe vários números. Ou seja, não pode ser mentira.
- Ele tem fotos. É mais difícil manipular fotos.
- Recebi isso do Ronaldo, irmão da Ritinha, casada com o Roberval, filho do seu Romeu, lembra? É, Ro-meu. Ele repassou um e-mail que recebeu do Rui, que é chefe dele na Ramos e Ramos, aquela empresa de retroescavadeiras. Homem decente o Ronaldo… então é coisa séria.

É muito mais “quente” acreditar, neste segundo turno, que a candidata X devora criancinhas e o candidato Y bate constantemente nas suas amantes do que encarar que, na vida real, os defeitos, esquisitices e idiossincrasias podem ser outros. Também bizarros, mas que não influenciam no seu caráter e no seu comportamento político, – e que, talvez, não atraiam tanto a atenção. Sabendo disso, o pessoal mal intencionado apela.
A rede mundial de computadores nos abriu um mundo de possibilidades. Hoje, um leitor – se quiser – consegue acessar fontes confiáveis e encontrar números, checar dados, trocar idéias com amigos, comparar governos ou mesmo desmentir pataquadas. Avalie o que você quer para o país e faça uma escolha, sua escolha. Não jogue fora seu voto por uma mensagenzinha mequetrefe. Ah, mas cuidado! Ao se debruçar sobre essas questões, se informar, debater com outras pessoas, mandar e-mail e cobrar do candidato posições, você vai estar fazendo Política, com “P” maiúsculo e não politicagem. E atacando a raiz de muitos preconceitos.
Coisa que o Povo do Spam não quer. Pois, o Povo do Spam quer sangue.
***
Algumas mensagens de spam travestem opinião como dados isentos e descontextualizam ou ocultam fatos que não são interessantes para o argumento defendido. Trouxe algumas sugestões reunidas tempos atrás por Rodrigo Ratier, jornalista e mestre em pedagogia, grande especialista na área de educação e comunicação, para usar a lógica a fim de perceber problemas nos textos. Quem já adota essas ferramentas, pode parar a leitura por aqui e vá apagar o lixo acumulado na caixa de entrada. Caso contrário, fica aqui a sugestão.
“A camisinha não protege contra o vírus HIV. A epidemia de Aids cresceu justamente porque se confia nessa proteção”, disse um bispo certa vez.
Desconfie dos argumentos de autoridade. Não é porque o Papa, o Patriarca de Istambul ou a Bispa Sônia disseram algo que você tem que acreditar, não é? O mesmo vale para o presidente da sua associação de moradores ou o diretor do seu sindicato. É preciso provar o que se diz. Exija confirmação dos fatos ou vá atrás dela.

“Não ouviremos as posições do antropólogo Luiz Mott sobre o casamento gay: ele é homossexual.”
Para desmontar um discurso, não se ataca o argumentador, mas sim o argumento.

“Nesta eleição, vamos escolher entre um Sartre e um encanador.”
Não se ridiculariza o outro apenas por ser seu adversário.

“Antes do MST existir, não havia violência no campo.”
Falsa relação de causa e conseqüência – um fato que acontece depois do outro não necessariamente foi causado pelo primeiro.

“Na guerra contra o terrorismo, ou você apóia a invasão do Iraque ou está alinhado com o mal.”
É errado excluir o meio termo. Um debate maniqueísta é mais fácil de ser entendido, mas o mundo real não é um Palmeiras e Corinthians, um Fla-Flu, um Grenal, enfim, vocês entenderam.

“Ou se dá o peixe ou se ensina a pescar.”
Isso é uma falsa oposição. Não se opõe curto e longo prazo necessariamente. Uma ação não invalida a outra. Elas podem ser, inclusive, subsequentes ou coordenadas.

“Isso não é demissão. A empresa apenas avisou que precisará passar por um redimensionamento do quadro de empregados.”
Não se deixe levar pelos eufemismos. Nem por quem fala bonito. Uma pessoa pode te xingar e você, às vezes, nem vai perceber se não se atentar para as palavras que ela escolheu.

“Avenida Faria Lima, Águas Espraiadas, Imigrantes, Minhocão, Rodovia dos Trabalhadores: alguém aí consegue imaginar São Paulo sem todas essas obras feitas pelo Maluf?”
Desconfie dos e-mail que contém um monte de acertos de alguém e ignorem, solenemente, os erros.

Leonardo Sakamoto (jornalista)