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21 de janeiro de 2016

III Encontro de Pedagogia e Agricultura


Para acessar a programação completa e fazer inscrições, acesse o site: 
* No valor do curso está inclusa a alimentação que é optativa. 

21 de agosto de 2015

Leandro Karnal - "As Pessoas Felizes no Brasil"


Reflexão sobre Hamlet e nossa consciência e política.
(trecho da palestra sobre Hamlet, de Shakespeare, e o Mundo como um Palco - para ver na íntegra:https://www.youtube.com/watch?v=GJ2gx1SCUiM)

20 de agosto de 2015

1º Encontro de Professores de Jardinagem Waldorf Brasil



(clique nas imagens para ampliar)


Educação a favor da terra: "Uma cultura humanizada para o futuro só é possível através de uma transformação da nossa relação com a terra.” (Peter Guttenhöfer)

2 de fevereiro de 2015


Convite aberto a todos os interessados!
 Para Programação Completa e Inscrições,
acesse o site www.csabrasil.org 

Contamos com sua participação!
Equipe CSA Brasil

6 de abril de 2013

A IMPORTÂNCIA DO RITMO NA EDUCAÇÃO INFANTIL


INTRODUÇÃO

Na vida tudo está sob a influência de um ritmo como, por exemplo, o dia e a noite; os dias da semana que se repetem; as quatro fases da lua; as quatro estações do ano; etc.
Esta repetição constante é que dá ao homem confiança, segurança e inclusive saúde. O que seria do ser humano se ele não descansasse, dormisse, depois de um dia de vigília?
Assim como o sol nasce todos os dias e se põe no horizonte; assim como as plantas tem seu ritmo de semear, brotar, crescer e amadurecer, a criança também tem seu tempo de crescimento e amadurecimento.
Na criança pequena que está com seu corpo em formação, estar inserida num ritmo diário lhe proporciona saúde e bem estar além de lhe gerar confiança e segurança, pois tudo se repete da mesma forma todos os dias (horário de acordar, de se alimentar, de brincar, fazer a higiene, dormir etc.).
Cuidar de uma criança em desenvolvimento é como cuidar de uma plantinha, com a diferença de que a planta está exposta ao tempo, depende de água, de sol, dos nutrientes da terra. Já a criança, está à mercê dos cuidados de um ser humano. Ela depende do adulto para tudo como para ser alimentada, higienizada, vestida, acalentada, etc.

O RITMO NO JARDIM DA INFÂNCIA

A criança nos sete primeiros anos de vida por não possuir ainda responsabilidade sobre si e autonomia, necessita da atenção dos adultos para sinalizar que atividades são necessárias ao seu bom desenvolvimento no dia a dia.
Ao adulto cabe a tarefa de todos os dias fazer atividades que se repetem numa sequência que dê à criança segurança, desenvolvendo assim a confiança de que tudo vai ocorrer de forma a suprir suas necessidades diárias.
No jardim de infância procura-se seguir um ritmo diário onde há momentos de expansão, como por exemplo, o brincar no parque fora da sala, e momentos de contração, como a hora da alimentação dentro da sala, por exemplo. Brincar livremente dentro da sala pode ser compreendido como uma expansão. Fazer um desenho, uma pintura, uma atividade culinária pode ser compreendido como um momento de contração.
Esse ritmo entre atividades de contração e expansão segue o ritmo cardio respiratório do coração e pulmão. Quando o ser humano respeita essa pulsação ele se insere no ritmo natural das coisas e adquire saúde física e emocional.
Exemplo de um ritmo diário num jardim de infância:
Todos os dias o programa de um jardim de infância segue uma sequência de atividades.
--As crianças chegam de casa, brincam livremente no pátio ou dentro da sala.
--Após todos chegarem é feita uma roda de bom dia.
--São convidadas a fazerem uma atividade como desenho livre, por exemplo; ou pintura em aquarela; ou fazer o pão; pintar ovos para a Páscoa,etc.
--Brincam livremente. (Dentro da sala logo cedo se é inverno e fora da sala se é verão).
--Arrumam os brinquedos em seus lugares.
--Fazem uma roda rítmica (com gestos e canções relacionados coma época do ano).
--Se preparam para o lanche.
--Lancham, ajudam a recolherem a mesa.
--Saem para o pátio.
--Retornam de fora e preparam a sala para ouvir o conto de fadas.
--Retornam para suas casas.
As atividades dirigidas marcam os dias da semana. Por exemplo, segunda-feira dia da feitura do pão; terça-feira dia de pintar em aquarela; quarta-feira ajudar a cuidar da horta; quinta-feira piquenique no pátio; sexta-feira lavar as toalhinhas de mão.
As rodas rítmicas, como são chamadas as rodas com gestos e músicas cantadas, marcam as épocas do ano como a Páscoa, no outono, São João no inverno, Micael na primavera e Natal no verão.
Tem ainda a roda de Pentecostes entre a Páscoa e São João; a roda do vento entre São João e Micael e a roda da Primavera entre Micael e Natal.
São essas atividades que se repetem diariamente,semanalmente e mensalmente que ajudam a formar o ritmo na vida da criança.
A criança que é educada dentro de uma rotina diária, sendo respeitada em suas necessidades básicas como alimentação, higiene, sono, lazer, aconchego, carinho e respeito, com repetições semanais de atividades adequadas a sua faixa etária, adquirem saúde e confiança como base para sua vida futura.

CONCLUSÃO

Assim como em tudo na natureza há um ritmo de nascimento, crescimento, amadurecimento e fenecimento, a criança que é educada seguindo um ritmo adequado à sua idade e necessidades, adquire saúde para toda sua vida pois é na infância que seu organismo está sendo formado.
Nas escolas que seguem a pedagogia Waldorf as crianças são educadas com os cinco erres: RITMO, ROTINA, REPETIÇÃO, RITUAL E REPOUSO.

Autora: Pilar Tetilla Manzano Borba

5 de abril de 2013

Colocar limites é um ato de amor


Assim como a água para formar um rio necessita de margens, a criança necessita de adultos que lhe ensine os parâmetros para se tornar efetivamente humana e viver uma vida socialmente adequada.
Uma criança não nasce sabendo; precisa ser educada e esse papel cabe aos pais.
 Cada vez mais está sendo delegado à escola a educação dos filhos, mas a escola por melhor que se esforce não tem o vínculo afetivo que a família possui e assim consegue muito pouco na colocação de limites educacionais.
Os pais são as bordas desse rio-criança por muitos anos, até que nasça nela a consciência e o controle dos impulsos volitivos, os quais são muito fortes na tenra infância. Como dizia nossos avos:"é de pequenino que se torce o pepino".
Os pais são responsáveis em colocar os limites, os parâmetros, as regras, para que a disciplina ocorra.
A disciplina, junto com os limites é que vão formar o caráter da criança e determinar sua personalidade.
Segundo o dicionário Aurélio, a disciplina é a submissão a um regulamento, é autocontrole.
Toda criança é hedonista por natureza, isto é, busca espontaneamente aquilo que lhe dá prazer, que satisfaz seus desejos, sua curiosidade e suas necessidades.
Imatura ainda em sua consciência, a criança não tem a capacidade de se colocar no lugar do outro. Estando na fase do egocentrismo e incapaz de pensar ou sentir pelo outro. Ate os 3-4 anos a criança esta voltada para si e não divide nada com ninguém pois a consciência do outro ainda não chegou e isso depende do amadurecimento do sistema nervoso central que leva muito tempo para ficar maduro.
Por ser a criança pequena movida por impulsos volitivos muito fortes que ela ainda não controla, sozinha ela não é capaz de frear suas vontades, birra e teimosia. Por essa razão é que necessita do adulto, para educá-la.
Aos pais cabe ir mostrando à criança o que pode e o que não pode, como pode, porque sim e porque não (de maneira econômica). Ensinar e não explicar. Lembrem-se de que ela ainda não tem consciência para raciocinar.
Estabelecer limites aos filhos não e tarefa nada fácil; demanda muita paciência e firmeza dos pais, pois nesse mundo da pressa e do consumo desenfreado tudo é para ontem e as ofertas ao nosso redor não cessam de acontecer...
Os pais necessitam de intuição, conhecimento, firmeza, coerência, consistência, paciência, perseverança, e, acima de tudo amar seu filho. POR LIMITES É UM ATO DE AMOR.
Cabe aos pais, com amor e determinação, sinalizar o que é correto (aceito socialmente, convencionado), sendo necessário muitas vezes que a segure firmemente, olhando em seus olhos e com calma e firmeza dizer "isso não pode" fazer.
Tudo na vida tem limites e sentir frustração e raiva faz parte da educação.
A criança educada num ambiente de amor e de parâmetros cresce com segurança e confiança, pois a falta de limites na educação torna a criança insegura, confusa, com dificuldades na socialização e na aprendizagem escolar, e muitas vezes déspota.
Com autoridade e amor ajudamos a desenvolver na criança o autocontrole, o caráter, a consciência, as regras, o limite, a disciplina e a obediência às normas e leis.
Por amor aos pais, a criança obedece e aprende a controlar seus impulsos e sua raiva. E preciso que ela sinta que seus pais ficaram aborrecidos com sua atitude inadequada. Precisa ficar claro para a criança que aquilo que ela fez desagradou, feriu ou entristeceu seus pais. Dessa forma, por querer e necessitar de seu amor e compreensão, a criança tentará cada vez mais se controlar e agir de forma correta e aceitável.
Padrões de comportamento, desenvolvimento social, inibição dos impulsos e anseios, não se desenvolvem sozinhos. E preciso ensinar tudo isso à criança. E, não e nada fácil desagradá-la, frustrá-la, impedi-la, mas essa é a função dos pais: a de dar um "norte", um rumo, um leito seguro e um solo firme porque na vida tem-se que estar seguro e confiante para poder enfrentar todas as vicissitudes que por ventura surgirem.
Muitos pais têm dificuldades em impor limites aos filhos porque eles próprios não os têm. Bebem e comem demais, correm demais, veem televisão demais, trabalham demais, consomem demais, estão 'plugados' na mídia demais etc. Também, muitos pais não dão limites por culpa de não estarem mais presentes na vida dos seus filhos e acham que se os repreenderem serão menos amados por eles.
Mas, uma coisa é certa: se os pais não derem limites aos seus filhos, não se ocuparem efetivamente da educação deles, outros se ocuparão em fazê-lo, como os programas de televisão, os videogames, o consumismo, as más companhias etc. Afinal, o filho é de quem?
Sugestão bibliográfica:
LIMITES SEM TRAUMA, Construindo Cidadãos, Tania Zagury, Editoria Record
EDUCAR SEM CULPA, Tania Zagury, Editora Record
ESCOLA DE PAIS, Para Que Seu Filho Cresça feliz, Luiz Lobo, Editora Lacerda
MOSTRAS CAMINHOS, Prevenção ao Abuso de Drogas e Recuperação, Jose NeubeBrigagão ,Edições Loyola
MIDIA E VIOLÊNCIA, Heinz Buddemeier, EditoraAntroposófica

Escrito por: Pilar Tetilla Manzano Borba
Terapia Ocupacional e  Pedagoga Waldorf

20 de março de 2013

Cadernos de Educação Ambiental

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente publicou, por meio da Coordenadoria de Educação Ambiental (CEA), 16 cadernos de educação ambiental para informar a população sobre a agenda ambiental. A sociedade brasileira, crescentemente preocupada com as questões ecológicas, merece e busca mais informações. A construção do amanhã exige novas atitudes da cidadania, embasadas nos ensinamentos da ecologia e do desenvolvimento sustentável. Os cadernos de educação ambiental são uma proposta educadora, uma ferramenta facilitadora, nessa difícil caminhada rumo à sociedade sustentável.
  
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10 de dezembro de 2011

Qual a melhor idade para a entrada no primeiro ano do ensino fundamental?




Muito tem se falado nos últimos meses sobre a idade da criança para a matrícula no primeiro ano escolar.
Recebi recentemente um e-mail de um escritório de advocacia (?) oferecendo serviços aos pais que desejam que seu filho ingresse no primeiro ano escolar com idade inferior à designada pelos órgãos de educação. As escolas estão cheias de crianças imaturas para o primeiro ano escolar.
Muitos pais e escolas alegam que as crianças irão perder um ano permanecendo por mais tempo no jardim de infância.
Perderem um ano de serem crianças? de brincar? Não posso entender como isso passa pela cabeça de um genitor ou educador. Ser criança é se preparar para a vida adulta. A infância tem um papel muito importante no desenvolvimento do ser humano. Não podemos permitir eliminá-la nem encurtá-la.
O que pais, profissionais da educação e do direito conhecem sobre desenvolvimento infantil? Qual a devida importância  dada ao período da infância?

Tendo percebido ao longo desses trinta anos como educadora e terapeuta ocupacional, que as dificuldades de aprendizagem, os problemas de comportamento, as chamadas crianças hiperativas e  violentas tem aumentado dia-a-dia, e que as crianças estão cada vez mais doentes, tristes e deprimidas, senti a necessidade de escrever esse artigo e encaminhá-lo a vocês todos.
Como profunda estudiosa, observadora e pesquisadora da infância, sempre proferindo cursos e palestras sobre o desenvolvimento infantil, me deparei hoje, novamente, com o livro de Steve Biddulph, editora Fundamento,2004, intitulado “Criando Meninos” e tomo a liberdade de transcrever aqui o trecho da página 60:

“Aos seis ou sete anos, quando realmente começa a escolaridade, o desenvolvimento mental dos meninos está seis a doze meses atrasado em relação ao das meninas. Eles são especialmente pouco desenvolvidos no que chamamos “coordenação motora fina”, que é a capacidade de usar os dedos para segurar uma caneta ou tesoura. Como ainda estão no estágio do desenvolvimento dos grandes músculos ficam loucos para exercitá-los e não são muito bons em ficar sentados quietinhos....Os meninos deveriam esperar mais um ano...Os meninos deveriam  ficar mais tempo no Jardim de Infância – em alguns casos, mais um ano... Nos primeiros anos do ensino fundamental, os meninos cujos nervos do sistema motor ainda estão em desenvolvimento recebem sinais de seu corpo, que diz: Mexa-se. Use-me"(grifo meu)

O livro continua fundamentando essa imaturidade no desenvolvimento neurológico do cérebro e a necessidade da criança ainda se movimentar muito antes de ficar sentada, parada na carteira escolar como é exigida na grande maioria das escolas que não seguem a pedagogia Waldorf.
Todo e qualquer professor do primeiro e segundo ano do ensino fundamental observa que os alunos não param quietos. Essa atitude fica esclarecida quando aprendemos que nessa idade a criança ainda está adquirindo coordenação motora grossa e aprendendo hábitos sociais; e, para permanecer  parada e quieta ela precisa ter maturidade orgânica.  Aliás nosso corpo não foi 'projetado' para ficar parado por muito tempo nunca!

Outro livro que ora se encontra em minhas mãos versa sobre a saúde e a doença: “Medicina Antroposófica” de Victor Bott, da Associação Beneficente Raphael, Juiz de Fora, MG, 1984. página 25, ele diz o seguinte:

 “...Há um exemplo, infelizmente muito freqüente hoje em dia, desta retirada precoce das forças etéricas (forças vitais): a escolarização precoce, levando a um desenvolvimento intelectual antes que as forças etéricas normalmente estejam disponíveis. É perfeitamente possível apelar prematuramente a essas forças a fim de apressar o desenvolvimento intelectual; é precisamente aí que  está o perigo, porque esquecemos que esta retirada precoce das forças etéricas se faz em detrimento da saúde, mesmo que as conseqüências não apareçam de imediato. As repercussões podem surgir muito tempo depois e se manifestam freqüentemente ao longo de toda a existência”.

Eu me pergunto: é isso que querem para vossos filhos e/ou alunos?

A questão que coloco aqui é a seguinte: o que se pretende com essa entrada precoce na escola de ensino fundamentalcom esse encurtamento da infância das crianças? Competir no mercado de trabalho? Entrar mais cedo na faculdade? Haverá maturidade para isso? Vocês já pararam para observar como é o estudante universitário jovem hoje? Pasmem todos: eles ‘batem’ figurinhas na sala de aula ! Conversam o tempo todo, não param quietos. Continuam sendo infantis porque na época de sua infância não puderam sê-lo.

Outra observação: entrar muito cedo na faculdade faz com que desistam mais cedo dela também. Quantos jovens vocês conhecem que ingressaram cedo e cursaram até o fim a faculdade sem trocar de curso? Isso ocorre porque na época da escolha da carreira ainda não estavam amadurecidos para ela.

Tudo tem seu tempo certo. Vamos procurar aprender o que é amadurecimento observando  a grande mãe Natureza. Uma fruta não amadurece por nossa vontade. Ela tem seu próprio tempo de amadurecimento tal qual a flor para seu florescimento.
Por que então apressarmos a criança encurtando seu período de infância?
Vamos preservar a infância deixando a criança brincar o quanto for necessário. Vamos deixar o adolescente viver a adolescência no tempo da adolescência se quisermos ter adultos responsáveis, habilidosos e felizes!

Artigo de Pilar Tetilla Manzano Borba
Graduada em Terapia Ocupacional pela Faculdade de Medicina da USP
Especializada em Tratamento Neuroevolutivo - Conceito Bobath – Terapia de Integração Sensorial e Problemas de Aprendizagem – Extra Lesson
Formada em Pedagogia Waldorf
Pós-graduada em Antroposofia na Saúde pela UNISO
Ministra palestras e cursos para pais e professores de educação infantil.
Professora nos cursos de fundamentação e treinamento em pedagogia Waldorf.
Consultora em educação infantil de escolas Waldorf, escolas municipais e particulares.          
Contato: pilarborba@gmail.com

4 de maio de 2011

Semana da ação mundial

A Semana de Ação Mundial (SAM) acontece desde 2003 em mais de 100 países a fim de fazer valer os tratados e as leis nacionais e internacionais, como o Programa de Educação para Todos (Conferência Mundial de Educação, Dacar/Senegal, Unesco, 2000), e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ONU, 2000), no sentido de garantir educação pública de qualidade.
O tema deste ano é Educação não-discriminatória, com o tema “Diferenças sim! Desigualdades não!”.
http://semanaacaomundial2011.wordpress.com/

31 de janeiro de 2011

Justiça autoriza família a educar filhos em casa

Reportagem de Fernanda Bassette
(publicada no Estado de São Paulo - VIDA - 29.01.2011 e aqui )
Uma família de Maringá, no interior do Paraná, tirou os filhos da escola e os educa em casa com aval da Justiça. Com apoio do Ministério Público, os pais conseguiram convencer o juiz da Vara da Infância e Juventude de que a educação domiciliar é possível e, teoricamente, não traz prejuízos.

Ao contrário deles, conforme o Estado noticiou ontem, uma família de Serra Negra, que também tirou os filhos da escola, ainda tenta provar ao Judiciário que tem condições de educá-los em casa. Em Minas, isso não foi possível e um casal foi condenado pelo crime de abandono intelectual - no Brasil, a legislação determina que as crianças sejam matriculadas em escola de ensino regular.

Apesar de não existir uma decisão formal do magistrado a respeito do assunto, as crianças são oficialmente avaliadas pelo Núcleo Regional de Educação de Maringá a pedido da Justiça.

O núcleo, vinculado à Secretaria de Educação, elabora e aplica às crianças provas de português, matemática, ciências, história, geografia, artes e educação física. Eles também passam por uma análise psicossocial.

Após cumprir essa etapa, o núcleo elabora um relatório e o encaminha ao Judiciário, dizendo se as crianças têm ou não condição intelectual para cursar determinada série. Há três anos é assim e o juiz nunca se opôs aos resultados apresentados.

"Os pais conseguiram comprovar que elas têm o conhecimento intelectual necessário, de acordo com as diretrizes curriculares. Essas crianças nunca tiveram dificuldade para resolver as provas. Os resultados demonstram que elas têm aptidão para cursar a série seguinte ", diz Maria Marlene Galhardo Mochi, assistente técnica do núcleo.

Recursos
Segundo Maria Marlene, esse é o único caso de educação domiciliar atendido pelo núcleo de Maringá. "Os pais dessas crianças têm condições, instrução e recursos para educá-las em casa. Como elas ainda estão cursando o ensino fundamental, por enquanto está funcionando. Minha preocupação é quando elas chegarem ao ensino médio, quando as matérias ficam mais complicadas", avalia.

Os irmãos Lucas, de 12 anos, e Julia, de 11, são filhos de pedagogos. O pai é professor da Universidade Estadual de Maringá. Eles foram tirados da escola há quatro anos, após duas tentativas frustradas de tentarem matriculá-los em uma escola regular.

As crianças cursam inglês e matemática fora de casa. As outras disciplinas ficam a cargo dos pais. Também praticam esportes e não podem ver televisão em qualquer horário - só quando os pais autorizam.

Para Luiz Carlos Faria da Silva, pai das crianças, além dos conflitos na educação moral dos filhos, a escola também oferecia conteúdos que ele considerava ruins. Ele reclama, por exemplo, que a escola ensinava arte moderna em vez de arte sacra.

Diz também que o aquecimento global é contraditório. "Só os vulcões lançam mais dióxido de carbono no ar que toda atividade humana", afirma o pai.

Para o educador português José Pacheco, idealizador da Escola da Ponte (em que não há salas de aula), o juiz teve sensibilidade para entender o caso. "É possível que haja o ensino domiciliar, desde que a escola avalie periodicamente essas crianças. É uma alternativa sábia, já feita em países da Europa há muito tempo."