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8 de abril de 2013

Cães nos condomínios - continuação

Oi, boa noite a todos,

Eu acredito que muito do que acontece aí é por conta da grande rotatividade de pessoas.
Eu mesma cheguei achando que cachorro manso pode ficar solto, porque não representa perigo. Os meus andavam soltos a toda parte. Com o tempo eu soube: Um dos meus cachorros costumava pular na vizinha . Outro costumava entrar numa casa e deitar no sofá! Esse caso foi tão interessante porque a pessoa reclamou do meu cão e eu disse: Mas o seu cão anda solto por aí! e a resposta foi: Mas o meu cão não incomoda ninguém!!! Eles não sabiam que o cachorro deles rosnava para os meus e comia a comida deles impedindo-os o acesso aos seus  pratinhos  e nem que eu não deixava a minha criança brincar no meu quintal quando ele estava solto. Cães longe da vista do dono! Não dá pra saber o que estão fazendo!

Não dá para basear a convivência de uma comunidade tão grande como a Demétria no bom senso das pessoas! Em geral nós temos um mau senso, um senso egoísta, ao menos até que a consciência chegue. O que não dá é que enquanto ela não chega, todos tenham que pagar por isso. Normas de convivência caem bem em todo lugar, até que a consciência se nivele. Na Demétria não nivela nunca, por conta da rotatividade mas também das opiniões diversas. As pessoas chegam aí com intuitos muito diversos. Por isso as normas e acordos coletivos aí são tão importantes. Eu acredito que as normas deixam de ser rígidas quando elas são explicadas com amor, as razões pelas quais as pessoas optaram por elas etc. Assembléia geral gente! Onde está o centro comunitário da Demétria para que aconteçam reuniões gerais... Na Demétria falta união, comunicação real, acordos sociais, faltam reuniões!!! Quem quer mais social deveria começar a pensar num centro comunitário.  Estamos na era da consciência e na era da fraternidade. 

          Alguém colocou no email que o seu cachorro solto foi atacado por um que estava na coleira. Eu não vejo como pode isso ser possível. Está claro que o cachorro solto foi incomodar os cachorros na coleira e as pessoas que os levavam. Imagino coitadas das pessoas que ficaram  tentando segurar seus animais. Se o cão solto levou uma mordida, foi pela falta de responsabilidade do dono dele. Não dá para confiar a convivência do bairro às particularidades de cada um. As opiniões são confusas...

Também um dia um dos meus cães chegou com um tatu na boca. Aos poucos fui me conscientizando que animais mansos também incomodam e podem danificar a fauna local, causando certamente que se em grande quantidade como acontece na Demétria, um sério desequilíbrio ecológico. É preciso atentar para isso urgentemente. Por acaso alguém já fez algum estudo a respeito?

Sugiro que os donos de cães que acreditam que os seus cachorros não incomodam ninguém, criem coragem e pesquisem por aí qual é a opinião dos vizinhos. Eu sinceramente me surpreendi ao fazer isso. Pelos emails das pessoas, fico com pena delas tendo que viver tanto medo por conta dos cães soltos.

Quando fica difícil ter  pets, porque a responsabilidade por eles fica sendo totalmente nossa  fazemos um favor a nós mesmos de valorizarmos mais os animais e quem não está realmente afim, não vai ter. 

A falta de normas claras dificulta muito a vida na Demétria na minha opinião. Normas deveriam ser apresentadas a cada morador novo e se ele olhar e sentir que não quer isso, então busca outro lugar que lhe seja mais adequado e ao contrário do que se pensa, lhe prestam um favor, ajudando-o a se encontrar e ao local onde pertence. 

Há uma grande confusão quanto à Demétria ser zona rural e que isso necessariamente implica no não uso de conhecimento, normas de convivência, tecnologia, infra estrutura, organização social etc. Por exemplo certa vez eu sugeri que se fizesse ciclovias dentro da Demétria.. As pessoas se indignaram e disseram que isso seria trazer a cidade para a Demétria. Ora se assim é, pensei, então vendam seus carros e andem de carroça, bicicleta e a pé, produzam seus alimentos ao invés de comprá-los no supermercado, teçam suas roupas, quebrem suas cercas e mansões e vivam de maneira realmente simples, doem seus cães de guarda e fiquem com alguns vira latas comunitários e façam angu pra eles ao invés de dar-lhes ração. Realmente ciclovia seria um desperdício em um ambiente tão bucólico.

Quando eu sugeri a construção de um centro comunitário, a reação foi a mesma. 

Meu intuito é apenas mostrar o quão equivocadas estão as pessoas defendendo situações bucólicas irreais. Uma vez mais cito Rudolf Steiner: Precisamos partir da observação da vida.

Ao meu ver, os moradores da Demétria urgem em modernizar-se,  construir infra estrutura  e consciência coletiva. 

Vou ousar recomendar os livros de Lex Boss, ele tem um pensar tão claro e bem direcionado, tanta experiencia, crucial para comunidades que desejam viver segundo a antroposofia. E vou ousar recomendar que invistam em educação da comunidade para a convivência, com palestras, cursos, vivencias etc. Há por exemplo o pessoal da comunicação não violenta na UNILUZ e o Núcleo Maturi de Ecologia Social e outros. Mas mais ainda, vou ousar dizer, com todo o respeito, nem sei se ele pode fazer isso, mas há aí na Demétria uma pessoa que tem uma consciência muito elevada, que é o Pastor Renato. Creio que a comunidade deveria sempre pedir as opiniões dele.

Um grande abraço a todos, com admiração por vocês,

Denise


6 de abril de 2013

Cães nos condomínios

    Essa discussão me faz lembrar a minha infância. Eu cresci num bairro na periferia de Piracicaba na época, com casas simples. Toda casa tinha um cão, inclusive a minha. Os animais ficavam soltos, passeavam sozinhos, era ótimo, não dava trabalho. O meu cão se chamava Snoopy, era um vira latas porte pequeno, cor de chocolate. Meu vizinho, o Tuco tinha o Xeique, outro vira latas manso, a Cristiane também tinha um vira latas e a Vanessa, o Cristiano, todos tínhamos cães de companhia, companhia das nossas brincadeiras e das nossas vidas.

  Me pergunto, hoje, quem tem esses cães. Se as cercas e portões elétricos são uma ameaça ao social, também a escolha das raças de cães que temos e o propósito para o qual os adquirimos, guardar a casa, igualmente. Cães de guarda são anti sociais por excelência.

   Não vivo mais na Demétria, mas esse assunto me toca porque muitas vezes fomos atacadas, eu e minha filha por cachorros soltos aí e escutei muitas outras histórias de pessoas atacadas, mordidas a até inclusive que correram risco de vida atacadas por matilhas inteiras.

   Andar a pé e permitir que as crianças brinquem livremente nas ruas é um ato que ao meu ver favorece mais o social do que favorecer a socialização canina às custas da segurança dos moradores.

    Quem quer cão de porte grande, cão agressivo, cão de guarda, também precisa entender que a sua escolha implica em uma responsabilidade maior do que a daqueles que preferem as raças mais mansas de companhia. É uma escolha que implica também em privações de espaço e liberdade do animal e talvez mais trabalho para o dono que precisa sair passear com os animais em coleiras, sem falar nos cocos e xixis que se concentram mais em casa e ainda de termos que refletir sobre a sujeira que nosso cão faz ao passear e quem sabe num ato de consciência a jogarmos num mato fora do caminho dos pedestres. 

   Também é bom lembrar que matilhas mesmo sendo de animais mansos podem apresentar perigo, seja para os humanos, seja para a fauna local e no caso de uma grande população como a da Demétria de pessoas na zona rural, fato moderno, pode favorecer a formação de matilhas.

   Parece bem sensato mesmo que cada dono conheça a braveza do seu cão e decida-se livremente se o deixará solto ou não. Mas, por acaso não é isso mesmo o que rege nos condomínios, ou acaso as pessoas que deixam soltos seus cães tem consciência de que alguns deles são agressivos e mesmo assim os soltam, porque os casos de agressão são constantes! Seria muito sensato se todos os donos fossem dignos de confiança, mas não é o caso, como mostra a realidade. Acaso não dizia Rudolf Steiner que precisamos partir da observação da vida...Ora, ela mostra que é insensato confiar na sensatez dos donos de cães da Demétria, porque pessoas e animais são constantemente atacados por cães.

  Quando será que as pessoas vão entender que escolhas implicam em renúncias. Não é possível escolher e desejar liberdade incondicional. Não é isso mesmo que é viver em sociedade. Sermos sociáveis começa pela responsabilidade pelas nossas escolhas.

Denise

25 de maio de 2011

Procurando o Cinema

"O Tempo perguntou pro Tempo quanto tempo o Tempo tem. O Tempo respondeu pro Tempo que o Tempo tem tanto o tempo quanto o Tempo o
tempo tem."

Fui convidado de surpresa pra escrever sobre cinema/video para o blog, e
vou ser sincero, tenho uma grande dificuldade para escrever. Costumo ser bem eloquente e seguro - as vezes arrogante - ao expor minhas ideias em uma conversa informal, principalmente quando há uma cerveja no meio, porém ao me deparar sozinho com minhas palavras o meu muro rui e minhas ideias se mostram frágeis, e eu vacilo... Ainda tenho que aprender a dialogar comigo mesmo, a duvidar do que penso e poder reafirmar sem entregar as rédeas. Acredito que a escrita pode me ajudar nesse caminho de desenlace. Por isso aceitei o desafio de escrever uma vez por semana aqui neste blog.

Já venho estudando a sétima arte faz algum tempo e alimento uma relação um tanto romântica com ela. Grande parte das coisas que me interessam hoje em dia se devem a minha aproximação com o cinema. Porém cinema pra mim não são os filmes da locadora ou do Cine Neli, não são os filmes da Nouvelle Vague Francesa ou do Cinema Novo Brasileiro... É uma espécie de eixo ao redor do qual eu vou e volto. No meu caso extrapola as telas. Não é que vivo uma vida de cinema. Mas essa ideia Cinema vai me levando e trazendo de diversos lugares, abrindo portas e janelas para o mundo e obviamente colocando muita pedra no caminho, deixando-o um pouco mais interessante.

Peço desculpas pelo tom pessoal do texto, mas creio que assumindo a
primeira voz as ideias e impressões aqui expostas não soarão como verdades absolutas, o que me permite errar e depois me retratar, ou assumir meus paradoxos se for o caso. Desde já estendo o convite ao diálogo a todos que se sintam a vontade para participar através dos comentários.

Vou propor nesse primeiro post uma provocação simples que abarca não só o cinema mas todas as artes do tempo. Não sei se já se perguntaram ou
observaram a nossa reação ante as obras que se prolongam no tempo, que tem o tempo como matéria prima. A dança, o teatro, o cinema para ficar nos
mais clássicos, ou pensando nas video-instalações, nas performances, nos videos de museu ou em propostas mais "arriscadas". Cada uma dessas formas de expressão trabalha o tempo a sua maneira, seja ela ritual ou acidental, mas tem em comum que exigem de quem se dispõe a experimentá-las um pouco de tempo. Estamos dispostos a entregar nosso tempo? A participar da experiência? Ou esperamos ser tomados por algo que nos transporte para outra dimensão onde nos esquecemos do tempo e pouco depois esquecemos o que acabamos de presenciar? Ao entregar nosso tempo sem preconceitos estamos experimentando finalmente
a obra de forma ativa. Ser ativo não quer dizer desvendar ou analisar a exaustão uma obra, mas sim se dispor a estar presente no transcurso da obra, vivendo esse tempo como um acontecimento da vida. A experiência transcende o tema e a forma, as vezes não se nota, mas fica sempre latente.

Gosto de pensar o cinema por exemplo como parte da minha vida, ao

contrario de me entregar a um universo paralelo, tento viver esse tempo
como parte da minha vida. Questão de postura, de consciência, já que o
tempo não é recuperado... E se volta de alguma maneira volta com filtros
em um novo tempo, volta como criação.

Deixo uns link de alguns videos no youtube se se sentem dispostos a dedicar um pouco de tempo talvez sejam de interesse:

Stan Brakhage _ Water for Maya (2003)
Walter Ruttman _ Opus I (1921)
Stan Brakhage _ Dog Star Man - Prelude (1961)



Bons filmes