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29 de abril de 2017

Jararaquinha-dormideira

Post originalmente publicado por Vitória em:  25/02/14 21:51 e repostado em 29 de abril 2017.

Recentemente encontrei uma nova moradora em meu quintal. Tratava-se de uma serpente, bem pequena e inofensiva, com a aparência de um filhote de jararaca.

Esta serpente se trata da espécie Sybinomorphus mikanii, mais conhecida como papa-lesmas ou jararaquinha-dormideira. Este animal possui hábito noturno, sendo especializada em se alimentar de lesmas e de outros invertebrados como insetos. É ovípara, seu tamanho varia de 30 a 60 cm.

Infelizmente, pela falta de conhecimento popular sobre esta linda criatura da natureza, muitas pessoas matam estes animais, afetando a população dessas serpentes e conseqüentemente havendo perda de material genético (perda da diversidade genética) que é indispensável para que as populações desses animais possam manter a manutenção biológica no espaço e no tempo.


Portanto, se avistarem estas serpentes não é preciso matá-las. Elas são muito importantes no controle biológico de lesmas e outros invertebrados (uma grande missão ecológica não?), sendo importantes para o equilíbrio do ecossistema.





26 de setembro de 2015

Abastecimento de água: a solução está no estudo e no correto manejo das bacias hidrográficas


“É preciso que as pessoas deixem de mergulhar nos rios para mergulhar nas suas bacias.”

(Osvaldo Ferreira Valente – Engenheiro Florestal, professor da Universidade Federal de Viçosa)



Bacia Hidrográfica

É uma área natural onde ocorre a captação das águas das chuvas devido a características especiais - geográficas e de relevo.

Seus limites são definidos pelos pontos mais altos dos montes ou montanhas.

Dentro de uma bacia uma parte das águas infiltra-se no solo abastecendo o lençol freático e outra parte é drenada superficialmente por um curso de água até sua saída da bacia, no local mais baixo do relevo, ou seja, na foz do curso de água (rio ou mar).

São as bacias hidrográficas que mantêm os cursos de água, sejam eles um córrego, riacho, ribeirão ou um grande rio. Isto significa que para manter ou aumentar a produção de águas é preciso preservar e cuidar das bacias.




Caracterizam as Bacias Hidrográficas


Divisores de águas:
crista ou ponto mais alto das elevações (morros ou montanhas) que separam a drenagem de uma e outra bacia.

Fundo do vale:
áreas adjacentes a rios ou córregos e que geralmente sofrem inundações.

Sub-bacias:
bacias menores, geralmente de algum afluente do rio principal.

Nascentes:
local onde a água subterrânea brota para a superfície formando um corpo d’água.

Áreas de Recarga:
locais onde a água penetra no solo recarregando o lençol freático.

Áreas de descarga:
locais onde a água escapa para a superfície do terreno, vazão

Perfis hidrogeoquímicos:
o estudo do perfil hidrogeoquímico permite avaliar a qualidade da água subterrânea.

Intervenções humanas que prejudicam as bacias:
  • Desmatamento e incêndios: diminuição da infiltração e escoamento superficial das águas, erosões.
  • Grandes movimentações de terra: erosões.
  • Construção de canais: diminui a capacidade de escoamento das águas.
  • Lançamento de resíduos tóxicos provenientes de práticas industriais, agrícolas e pecuárias: poluição / contaminação.
  • Despejo de esgotos domésticos: poluição / contaminação.
  • Construção de diques e barragens: modificam o leito dos rios e afetam todo o ecossistema da região.


Como evitar a degradação das bacias hidrográficas ou O correto manejo das bacias hidrográficas para a produção de águas

As crises de água existem porque ainda não respeitamos os conceitos de hidrologia referentes às pequenas bacias, onde tudo começa, e não aplicamos os princípios e as tecnologias necessárias para os seus manejos.

O correto manejo das bacias hidrográficas passa por receber os volumes de chuvas anuais e processá-los adequadamente, evitando cheias e inundações e armazenando água nos aquíferos para as demandas dos períodos de estiagens.

Políticas Públicas


Somente cercar e plantar árvores não garante o aumento da produtividade de água.

As áreas ciliares não podem ser responsabilizadas pelas quantidades de água produzidas pelas bacias, pois elas representam no máximo 10% das superfícies das mesmas.

Por outro lado, numa área degradada, ou de culturas agrícolas que explorem pequenas profundidades de solo, poderá haver transferência de muita energia para a floresta que, ao explorar camadas mais profundas do solo, poderá provocar altas taxas de evapotranspiração, dificultando o armazenamento de água nos aquíferos subterrâneos.

As políticas públicas para a solução da crise hídrica devem contemplar:
  • Estudo hidrológico do comportamento das bacias formadoras do sistema, incluindo informações sobre geologia e solos e procedimentos adotados no uso da terra. 
  • Aspectos socioeconômicos dos ecossistemas familiares, principalmente dos que ocupam áreas rurais. 
  • Fixação de metas de produção de água para os próximos cinco anos com o dimensionamento das estruturas de recarga artificial de aquíferos.

Medidas para a produção de águas:
  • Cercas e plantio de árvores em áreas de recargas, nascentes e cursos de água
  • Adoção de tecnologias de abastecimento artificial de aquíferos de acordo com os princípios hidrológicos:
    • Terraços de bases estreitas nas encostas
    • Caixas de captação de enxurradas nas áreas mais torrenciais, ou ao longo de estradas
    • Barraginhas em áreas mais planas ou ligeiramente onduladas
  • Adoção de práticas vegetativas: 
    • Cultivos em contorno
    • Rotação de pastagens
    • Plantios diretos
  • PSA - Pagamento de Serviços Ambientais e conscientização dos produtores rurais: suporte técnico e financeiro aos donos das propriedades onde nascem e correm os pequenos cursos d’água.
  • Assessoria especializada em produção de água: repasse de recursos arrecadados com a cobrança pelo uso da água para assessoria em hidrologia aplicada às pequenas bacias.


Como a cidade pode contribuir:
  • Construção de sarjetas drenantes
  • Calçadas com áreas verdes
  • Adoção de pisos permeáveis
  • Construção de cisternas de infiltração junto às construções

Curiosidade:

As bacias da região sudeste estão sendo usadas no seu limite uma vez que abastecem mais de 42% da população brasileira.


Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - http://bit.ly/1OYRiw1

20 de agosto de 2015

1º Encontro de Professores de Jardinagem Waldorf Brasil



(clique nas imagens para ampliar)


Educação a favor da terra: "Uma cultura humanizada para o futuro só é possível através de uma transformação da nossa relação com a terra.” (Peter Guttenhöfer)

18 de fevereiro de 2014

Plantas exóticas podem causar problemas ambientais?



 Plantas exóticas podem causar problemas ambientais?

Sabemos que o Planeta Terra passa por seu maior período de extinção de espécies, uma grande perda da biodiversidade devido à ação humana. O desmatamento é uma das maiores causas, porém há outras mais sutis como a introdução de espécies exóticas em um ecossistema.
Espécies exóticas são espécies que se originaram em um determinado local segundo os princípios biológicos evolutivos, e foram introduzidas num local diferente do que as originou, onde elas não existiam naturalmente.
Lembremo-nos da sabedoria da natureza que rege a vida na Terra, imaginemos uma planta que se originou num dado local na Terra e por certas razões como barreiras naturais ela não consegue se espalhar pelo globo terrestre. Será que se a movermos para um local onde ela não existia antes não será causa de algum desequilíbrio ambiental?
Essa introdução em um ecossistema onde a espécie não existia causa um distúrbio nas relações entre as espécies nativas, podendo alterar também o ambiente físico em questão.
Um exemplo em nosso bairro é o Ipê-de-jardim (Tecoma stans), que é um problema no Brasil todo, porque além dessa planta ser exótica ela possui a característica de invasora (espécies que invadem os ecossistemas naturais e se proliferam abundantemente, suprimindo o crescimento de outras espécies e alterando a estrutura do ecossistema, do ambiente, do solo, a teia trófica, etc.).
O Tecoma stans tem sua origem no México. Produz muitas sementes que são dispersas pelo vento, atingindo longas distâncias. É conhecido por invadir pastos, Cerrados, Floresta Atlântica Estacional Semidecidual e outras formações vegetais. Aqui em Botucatu, esta planta invadiu uma grande área de APP (área de preservação permanente) em frente de Cuesta, na Fazenda Experimental Edgárdia, próximo à Vitoriana. Esta área é uma transição de Cerradão com Mata Atlântica Estacional Semidecidual, e o Ipê-de-jardim já se encontra dentro da mata alterando as relações entre as espécies nativas, suprimindo o crescimento de plantas nativas.
Nem todas as espécies exóticas causam distúrbios drásticos como as invasoras, porém por não terem evoluído com a flora e fauna local sempre causarão algum distúrbio biológico na teia alimentar.
Todas as plantas têm sua beleza, podemos fazer boa jardinagem com as espécies nativas preservando a biodiversidade e o meio ambiente. Encontremos um equilíbrio em nossos jardins entre espécies exóticas e nativas.

                                   Foto do Ipê-de-jardim (Tecoma stans)

Bibliografia consultada
Kranz, W.M. & Passini, T. 1997. Amarelinho: Biologia e Controle. Informe da pesquisa, nº 121, ano XVII.