2 de dezembro de 2011

6º dia do Advento: Morte e Vida Severina

Gravura de Nelson Maldonado : http://iam.artelista.com/

ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO UM DEFUNTO NUMA REDE,   
AOS GRITOS DE "Ó IRMÃOS DAS ALMAS! IRMÃOS DAS ALMAS!
 NÃO FUI EU QUEM MATEI NÃO!"  :
   
— A quem estais carregando,
irmãos das almas,
embrulhado nessa rede?
dizei que eu saiba.   

— A um defunto de nada,
irmão das almas,
que há muitas horas viaja
à sua morada.   

— E sabeis quem era ele,
irmãos das almas,
sabeis como ele se chama
ou se chamava?   

— Severino Lavrador,
irmão das almas,
Severino Lavrador,
mas já não lavra.   

— E de onde que o estais trazendo,
irmãos das almas,
onde foi que começou
vossa jornada?   

—  Onde a caatinga é mais seca,
irmão das almas,
onde uma terra que não dá
nem planta brava.   

— E foi morrida essa morte,
irmãos das almas,
essa foi morte morrida
ou foi matada?   

— Até que não foi morrida,
irmão das almas,
esta foi morte matada,
numa emboscada.   

—  E o que guardava a emboscada,
irmão das almas
e com que foi que o mataram,
com faca ou bala?   

— Este foi morto de bala,
irmão das almas,
mas garantido é de bala,
mais longe vara.   

— E quem foi que o emboscou,
irmãos das almas,
quem contra ele soltou
essa ave-bala?   

— Ali é difícil dizer,
irmão das almas,
sempre há uma bala voando
desocupada.   

— E o que havia ele feito
irmãos das almas,
e o que havia ele feito
contra a tal pássara?   

— Ter um hectares de terra,
irmão das almas,
de pedra e areia lavada
que cultivava.   

— Mas que roças que ele tinha,
irmãos das almas
que podia ele plantar
na pedra avara?   

— Nos magros lábios de areia,
irmão das almas,
os intervalos das pedras,
plantava palha.   

— E era grande sua lavoura,
irmãos das almas,
lavoura de muitas covas,
tão cobiçada?   

— Tinha somente dez quadras,
irmão das almas,
todas nos ombros da serra,
nenhuma várzea.   

— Mas então por que o mataram,
irmãos das almas,
mas então por que o mataram
com espingarda?   

— Queria mais espalhar-se,
irmão das almas,
queria voar mais livre
essa ave-bala.   

— E agora o que passará,
irmãos das almas,
o que é que acontecerá
contra a espingarda?   

— Mais campo tem para soltar,
irmão das almas,
tem mais onde fazer voar
as filhas-bala.   

— E onde o levais a enterrar,
irmãos das almas,
com a semente do chumbo
que tem guardada?   

— Ao cemitério de Torres,
irmão das almas,
que hoje se diz Toritama,
de madrugada.   

— E poderei ajudar,
irmãos das almas?
vou passar por Toritama,
é minha estrada.   

— Bem que poderá ajudar,
irmão das almas,
é irmão das almas quem ouve
nossa chamada.   

— E um de nós pode voltar,
irmão das almas,
pode voltar daqui mesmo
para sua casa.   

— Vou eu que a viagem é longa,
irmãos das almas,
é muito longa a viagem
e a serra é alta.   

— Mais sorte tem o defunto
irmãos das almas,
pois já não fará na volta
a caminhada.   

— Toritama não cai longe,
irmãos das almas,
seremos no campo santo
de madrugada.   

— Partamos enquanto é noite
irmãos das almas,
que é o melhor lençol dos mortos
noite fechada.

   

1 de dezembro de 2011

5º dia do Advento: Morte e Vida Severina


Foto de Sarina Lopes

O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É, E A QUE VAI:

— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.

Mais isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.

Como então dizer quem falo
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,

limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.

Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.

E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).

Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,

a de querer arrancar
alguns roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.

30 de novembro de 2011

Alternativas caseiras: shampoo

Olá

Continuemos com mais uma dica para substituir produtos industrializados: o Shampoo.
Fonte: http://www.evomel.com.br

A receita novamente é muito simples. Em pouco tempo e sem muita mão-de-obra você terá o produto nas mãos.
A mistura engloba sabão de coco e mel, mas é preciso cuidado na hora de preparar os ingredientes.

Ingredientes

  • 1 tablete de 250g de sabão de coco
  • 3 xícaras (chá) de água
  • 1 xícara (chá) de mel

Modo de preparo

Dissolva o tablete de sabão de coco na água morna e acrescente o mel bem devagar, mexendo bastante. Deixe esfriar bem (evite pôr na geladeira para acelerar o processo, pois a mistura tende a ficar muito densa quando esfriada de maneira brusca).


Eu armazeno em embalagens normais de shampoo, bem lavadas e secas, para evitar a mistura de substâncias.

Sugiro não radicalizar no tipo de mel também, o silvestre me pareceu melhor para este fim, mas vale tentar com outros, pois aparecem algumas diferenças no perfume e na viscosidade.

4º dia do Advento: Morte e Vida Severina (versão audiovisual) -Última parte


Hoje termina essa belíssima versão audiovisioal.
Na sequência dos próximos dias de Advento, acompanharemos um pequeno trecho da versão escrita desse auto de natal. Uma obra de arte alusiva ao tema principal do dia o ilustrará.Volte sempre!