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19 de agosto de 2015

Você sabe o que consome?

Você sabe o que consome?A animação “Comida que alimenta”, dirigida pela artista plástica e animadora Ianah Maia, trata através da conversa de uma criança com um agricultor agroecológico de questões como os problemas causados à saúde pelo consumo de agrotóxicos e dos produtos transgênicos. http://migre.me/qdkzJO desenho animado também aborda a importância de se valorizar a produção local, o comércio solidário, a agricultura agroecológica e a cultura das feiras.

Posted by MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra on Quarta, 10 de junho de 2015

22 de maio de 2014

CSA é tema de reportagem: Assista!

REPORTAGEM CSA 
Agricultura Sustentada pela Comunidade


O CSA foi ao programa do Globo Rural no último Domingo pela manhã!
Para aqueles que não puderam ver, segue o link da reportagem que foi ao ar no dia 18/5 em primeira exibição pela TV Globo no Programa Globo Rural.Acreditamos que esta iniciativa seja um impulso para o nascimento de outros núcleos dentro deste modelo de economia associativa.Divulguem para que todos possam conhecer o Projeto.

Abraço a todos,

Hermann pelo CSA Demetria

12 de abril de 2014

O MILHO NOSSO DE CADA DIA



Estamos no final das deliciosas e tradicionais festas do milho da região. Além das delícias gastronômicas, essas festas evocam nossa cultura caipira, tão rica e importante e também as tradições religiosas e a vida em comunidade.
Mas, será que todos repararam no sabor das pamonhas, dos curaus, do milho verde com manteiga? Saborosos como nos anos anteriores? Um pouquinho diferente, talvez?
Se não foi perceptível no sabor, a diferença foi bem acentuada para o meio ambiente da nossa região, nos campos onde, pelo menos uma parte desses milhos foi cultivada.
Isso porque, desde 2007 existem no mercado sementes de milho chamadas de transgênicas, isto é, sementes geneticamente modificadas em laboratórios para serem tolerantes a herbicidas. Ou ainda sementes com a tecnologia Bt, no qual foram introduzidos genes específicos de uma bactéria de solo que fazem com que a planta produza uma proteína tóxica para alguns grupos de insetos, para que a planta resista ao ataque de lagartas.
O agricultor que planta o milho transgênico adquire o agrotóxico e as sementes de uma mesma empresa e ainda paga royalties pelo uso das mesmas.  De acordo com a propaganda, os transgênicos trariam aos agricultores maior produtividade. Porém isso nem sempre acontece...
O que se observa ao longo destes anos é que os insetos que normalmente atacam a cultura e as plantas invasoras adquirem resistência e então é necessário o uso de quantidades cada vez maiores de inseticidas e herbicidas. E normalmente o agricultor tem perda de parte da colheita.

O uso desses agroquímicos (inseticidas, herbicidas, etc.) causa cada vez maiores impactos à saúde humana e ambiental. Por exemplo, está para ser liberado no mercado um herbicida que tem como princípio ativo o “2,4 D”, também conhecido como “agente laranja”. Este produto foi utilizado pelos EUA na guerra do Vietnã para desfolhar as florestas tropicais daquele país, revelando a localização dos soldados inimigos que lá estavam escondidos. O “2,4D”, quase uma arma de guerra, em breve chegará às nossas mesas, através da soja e do milho geneticamente modificados. 
O Brasil vem registrando um aumento expressivo no uso de veneno para lavoura, também chamados de “defensivos agrícolas”, e já somos o maior consumidor mundial desses produtos. O mercado brasileiro gera com isso, bilhões de dólares de lucro para as multinacionais do setor de agroquímicos, enquanto ficamos com o prejuízo da contaminação progressiva de trabalhadores rurais, de animais silvestres, dos nossos solos, rios, córregos, peixes, entre outros. Estudos já apontam a contaminação até das águas subterrâneas, como é o caso do Aquífero Guarani, presente na nossa região e um dos maiores reservatórios de água doce subterrânea do mundo. Enquanto as multinacionais do agroquímico se beneficiam com a venda desses produtos, o prejuízo é dividido entre todos os cidadãos brasileiros.
Mas, voltando ao nosso assunto inicial, a comercialização das sementes dos milhos transgênicos foi aprovada pela Comissão Nacional de Biossegurança / CTNBio, um órgão do Governo Federal. Imagina-se, dessa forma que a aprovação oficial fosse baseada em estudos científicos consistentes que garantissem a segurança ambiental e da população.
Mas, na verdade, os testes de avaliação que a CTNBio utiliza para aprovar um produto são, principalmente, análises técnicas dos aspectos agronômicos, por exemplo, avaliam a adaptação das sementes a um determinado ambiente, avaliam o  aumento da produtividade, etc..
Já os testes para avaliação dos impactos de transgênicos ou OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) na saúde humana e no ambiente (fauna, água,solo, etc.) além de pouco considerados, apresentam outro aspecto bastante preocupante: o prazo. A CTNBio considera válidos dados de ensaios técnicos feitos em prazos curtos, com avaliações de, no máximo, 45 dias.
Agora vejam: no ano passado, pesquisadores franceses divulgaram o resultado bombástico, de uma pesquisa bastante simples. Os cientistas alimentaram ratos de laboratório com milho transgênico por 2 anos. Depois de cinquenta dias começaram a aparecer mal - formações e muitas mortes. Houve crescimento excessivo das glândulas mamárias, problemas nos rins e fígado. Aqui no Brasil, esse mesmo milho é, no entanto, comercializado livremente e consumido pela população, talvez até para preparar a pamonha e o curau das nossas tradicionais festas do milho.
Muitos produtores de grãos do Brasil já perceberam que plantar milho e soja transgênicos nem sempre é um bom negócio. A Associação Brasileira dos Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Brazilian Association of Non Genetically Modified Grain Producers)/ ABRANGE); que tem como associados grandes empresas como o Grupo André Maggi, a Brejeiro, a Caramuru Alimentos S/A; vem ampliando sua produção e exportação de grãos já que a China, Rússia e vários países da Europa proíbem a entrada de soja e milho transgênicos. O mercado mundial tem uma demanda crescente por produtos não transgênicos e os preços pagos são significativamente maiores do que o valor dos grãos transgênicos.
Hoje em dia, o produtor rural que optar por plantar o bom e velho milho crioulo - não transgênico e não híbrido - tem muita dificuldade em encontrar sementes. O milho cateto, o milho cunha, milho palha roxa, e tantos outros que os agricultores da região conhecem bem, estão desaparecendo, pois as sementes estão acabando.  Pelo menos aqui em São Paulo contamos o bom trabalho do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes da CATI, da Secretaria Estadual de Agricultura produzindo variedades de milho não transgênicos adaptados ao nosso clima. Mas, mesmo se o produtor conseguir estas sementes corre o risco de ter sua plantação contaminada pelo milho transgênico que um vizinho plantou, já que o pólen do milho se espalha pelo vento. A CTNBio diz que apenas 100 m de borda de proteção é suficiente para milhos diferentes não se contaminarem. Imagine com os ventos aqui em Botucatu ...
Então, já temos uma suspeita sobre a diferença do sabor dos quitutes da festa do milho.
É por estas e outras que, esses novos modelos de produção de grãos como o milho, a soja e o feijão e quaisquer outros organismos geneticamente modificados devem ser repensados com muita cautela e responsabilidade.
Dr. Pedro Jovchelevich
 pedro.jov@biodinamica.org.br

Engenheiro Agrônomo – Coordenador da Associação Biodinâmica de Botucatu 

31 de março de 2013

9 de março de 2013

2ª feira sem carne: participe dessa campanha!

Parar de comer carne pelo menos um dia por 
semana é uma mudança significativa que 
todos podem adotar.Paul McCartney, músico.

Aqui no Bairro Demétria o Café Somé já aderiu à campanha há um ano. Esperamos que todos no bairro também o façam  em breve!

O Distrito Federal ingressou definitivamente na campanha mundial da Segunda Sem Carne. Nesta quarta-feira (27), foi publicada no Diário Oficial do DF a Lei.5.027/2013, que institui a comemoração anual da data na primeira segunda-feira do mês de outubro.
Autora da lei, a deputada Eliana Pedrosa (PSD) explicou a importância da conscientização sobre os bons hábitos alimentares. “Hoje vemos crianças e jovens deixando de comer legumes, verduras e outros alimentos saudáveis. A comida rápida e menos saudável acaba tomando conta do cardápio deles. Isso pode ser diferente”, afirmou.
De acordo com o texto da lei, na primeira segunda-feira de outubro serão realizadas palestras, debates, seminários e outros eventos que estimulem as pessoas a mudarem padrões de consumo. O maior objetivo é conscientizar os participantes sobres os impactos ao meio ambiente, à saúde humana e aos animais do consumo de carne na alimentação.
http://www.segundasemcarne.com.br/

25 de julho de 2012

Lavar retira os agrotóxicos dos alimentos?


NÃO COMPLETAMENTE:
O processo de lavagem dos alimentos contribui para a retirada de parte dos agrotóxicos.
Os agrotóxicos podem ser divididos quanto ao modo de ação entre sistêmicos e de contato. Os sistêmicos são aqueles que, quando aplicados nas plantas, circulam através da seiva por todos os tecidos vegetais, de forma a se distribuir uniformemente e ampliar o seu tempo de ação. Os de contato são aqueles que agem externamente no vegetal, tendo necessariamente que entrar em contato com o alvo biológico. E mesmo estes são também, em boa parte, absorvidos pela planta, penetrando em seu interior através de suas porosidades.
Uma lavagem dos alimentos em água corrente só poderia remover parte dos resíduos de agrotóxicos presentes na superfície dos mesmos. Os agrotóxicos sistêmicos e uma parte dos de contato, por terem sido absorvidos por tecidos internos da planta, caso ainda não tenham sido degradados pelo próprio metabolismo do vegetal, permanecerão nos alimentos mesmo que esses
sejam lavados. Neste caso, uma vez contaminados com resíduos de agrotóxicos, estes alimentos levarão o consumidor a ingerir resíduos de agrotóxicos.

FONTE:ANVISA

14 de março de 2012

Carne vermelha é mais letal do que se pensava

Já se sabia que as carnes vermelhas deviam ser consumidas moderadamente, mas um amplo estudo da Harvard School of Public Health agora divulgado acentua essa ideia, concluindo que mesmo quando comida em quantidades reduzidas, em apenas uma refeição diária, aumenta significativamente os riscos de doenças cardiovasculares e câncer.
Pequenas quantidades de carne processada como bacon, salsichas ou salame aumentam em um quinto as probabilidades de morte precoce, no caso de bifes o risco aumenta em 12%, referem as conclusões do estudo da universidade norte-americana divulgado agora nos Archives of Internal Medicine , publicação bi-mensal da American Medical Association.
"Tendo em conta o aumento das evidências de que mesmo quantidades moderadas de carne vermelha são associadas ao aumento do risco de doenças crônicas e mortes prematuras, (a dose recomendada) de 70 gramas por dia parece ser generosa. O ponto a reter é que deveríamos comer carnes vermelhas apenas ocasionalmente e não como parte da nossa dieta regular", afirmou Frank Hu, um dos co-autores do estudo.
As conclusões são baseadas nos dados recolhidos ao longo de 28 anos num grupo de cerca de 38 mil homens e 84 mil mulheres.
Os investigadores recomendam que as carnes vermelhas sejam substituídas por outras fontes de proteínas como peixes, aves domésticas, nozes e legumes.

7 de março de 2012

População do Reino Unido pressiona e Nestlé passa para os naturais

De acordo com um artigo publicado nessa semana no Le Fígaro, a tradicional marca suíça Nestlé removeu todos os sabores artificiais de seus produtos de confeitaria no Reino Unido, para atender à demanda dos consumidores locais.

Esses sabores artificiais foram substituídos por alternativas naturais em 79 produtos de confeitaria vendidos pela Nestlé no Reino Unido.

De acordo com estudos realizados por associações de consumidores britânicos, três quartos dos britânicos estão procurando produtos sem sabor artificial quando compram produtos de confeitaria.

A Nestlé já havia removido os produtos artificiais em todas as suas bebidas no Reino Unido, incluindo o Nesquik, uma bebida de chocolate.

Cerca de 7 anos de investigação foram necessários para Nestlé remover 80 produtos artificiais na sua confeitaria e substituí-los por produtos naturais.

Pesquisa semelhante está em curso no Canadá e em alguns outros países europeus, assim informou a produtora nº no ranking mundial de produtos alimentícios industrializados.

Fonte: Le Figaro

2 de setembro de 2011

O Desperdício é o amigo da Fome de 44 milhões de famintos no Brasil


No Brasil, há 44 milhões de famintos, e, diariamente, são jogadas no lixo 170 toneladas de alimentos. O País produz 20% de alimento a mais do que seria necessário para nutrir cada habitante. No entanto, desperdiça aproximadamente 60% de toda sua produção: 20% é perdido na hora da colheita, 8%, durante o transporte, 1% no varejo, 15% na indústria e 20% em casa (SEBRAE, 2004).

1 de agosto de 2011

Triste recorde (Lia Giraldo)

Ilustração: Lollo

O Brasil é hoje o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, como consequência de uma política que vem sendo construída desde meados da década de 1970 – quando o Plano Nacional de Defensivos Agrícolas foi lançado, condicionando o crédito rural à compra obrigatória de agrotóxicos pelos agricultores – e vem se intensificando pelo modelo agrícola monocultor extensivo e concentrador de terras.
O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), criado pela Anvisa em 2001, revela, ano após ano, que muitos agrotóxicos excedem os limites máximos de resíduos (LMR) autorizados pela legislação. A iniciativa também detecta a presença de agrotóxicos proibidos para diversas culturas analisadas e que são produtos de mesa do consumidor, mostrando assim o franco desrespeito à legislação e as sérias implicações para a saúde pública.
Leia o artigo completo no Le Monde Diplomatique-Brasil

26 de junho de 2011

Seria a nova e perigosa E.Coli fruto da Bioengenharia?

A nova E.Coli que asssuta parte da Europa levando milhares de pessoas a não consumir alimentos frescos, seria fruto da bioengenharia?

Existe alguma relação entre a proibição do uso da medicina natural na Europa e o aparecimento dessa superbactéria?

Seu aparecimento seria parte de um complô contra a agricultura familiar?

O artigo abaixo cuja fonte é o site El Projecto Matriz (dica de leitura da Angee Cristina), nos propõe que sim, que tudo faz parte de uma enorme conspiração contra a população humana.

Leia a versão espanhola do texto e tire suas próprias conclusões:
http://www.bibliotecapleyades.net/ciencia/ciencia_virus19.htm

7 de março de 2011

Estado de São Paulo aprova lei mais rígida para rotulagem dos transgênicos


Por Alexandre Inacio e Bettina Barros - De São Paulo

(notícia publicada no Valor Econômico, e aqui)


"A indústria de alimentos se prepara para iniciar uma nova etapa em relação à apresentação dos alimentos transgênicos. O setor deverá se adequar à nova lei, aprovada pela Assembléia Legislativa de São Paulo, que muda a rotulagem e distribuição desses produtos nas gôndolas dos supermercados.

A lei, nº 14.274, promulgada em dezembro após veto do Executivo, determina que produtos embalados ou vendidos a granel ou in natura tenham nos rótulos as seguintes expressões: " (nome do produto) transgênico", "contém (nome do ingrediente) transgênico(s)" e "produto produzido a partir de (nome do produto) transgênico".

Assim, passa a ser obrigatório rotular, por exemplo, um frango que foi alimentado com milho transgênico. O polêmico "T", dentro de um triângulo amarelo, previsto pela lei federal, será mantido.
Além disso, a lei paulista exige a informação no rótulo sobre a espécie doadora do gene no local reservado para a identificação dos ingredientes e a segregação dos produtos transgênicos no varejo. "É uma lei bastante rigorosa e de difícil aplicação, mas a gente acredita que deva existir", disse a deputada Maria Lucia Prandi (PT), autora do projeto. "Vai ser uma briga boa".

Por enquanto, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) diz que não entrará na Justiça questionando a constitucionalidade da nova lei. "Caso não haja mudança até a entrada em vigor da lei, vamos orientar nossos associados a rotular todos os produtos no caso de haver dúvida se há ou não presença de alguma matéria-prima transgênica", afirma Edmundo Klotz, presidente da Abia.

Para Klotz, a indústria não vê problema em informar a presença de transgênicos. Mas o setor não concorda com o "T" impresso nas embalagens. "O problema não é estrutural da indústria, mas a maneira como a comunicação é feita". Em nota, a Associação Paulista de Supermercados (APAS) afirmou que analisa a lei "para orientar os associados da melhor forma possível sobre sua aplicação".

Segundo o Idec, a lei é "interessante" porque aprofunda a questão da separação dos produtos, tornando esses produtos de mais fácil identificação ao consumidor.

Estimativas da própria indústria mostra que 90% dos alimentos utilizam algum ingrediente à base de soja ou, principalmente, milho. "

Veja o texto integral da lei AQUI.

22 de janeiro de 2011

Restaurante - Chácara Somé



Hoje o restaurante da Chácara Somé reabriu as suas portas.
Dias e horários de funcionamento:
De segunda a sexta das 12:00 às 14:00 horas.
Excepcionalmente nos finais de semana.
Hoje (sábado) e amanhã (domingo) o restaurante estará aberto.
Bom apetite!


imagem: arquivo pessoal
(foto tirada em nossa primeira visita
ao Bairro Demétria, em julho de 2008)

16 de dezembro de 2010

Impacto da pecuária bovina sobre o Brasil e o planeta

Diante de um bife mesmo os mais “conscientes” ambientalistas rendem-se à tentação e se enfastiam de tanta carne. Engole-se a pecuária bovina no Brasil como algo natural, sem notarmos a sua dimensão e urgência. Mais do que cercas e marcos, as fundações do Brasil foram socadas à pata de boi. Jamais o Brasil parou para pensar o impacto de sua decisão pela pata do boi, medir seu impacto social, ambiental e, mesmo, econômico.

Empurramos o problema para o fundo do Brasil, distante das grandes cidades, das telas das TVs... E deixamos terras arrasadas – a Mata Atlântica, a Caatinga, e agora o Cerrado e a Amazônia. Afinal, o Brasil é imenso, as terras, infinitas, e o boi sempre parte da paisagem, não é?


A “quente” última década nos oferece um cardápio picante, com temas novos como as mudanças climáticas e o esgotamento do planeta. São estudos científicos e relatórios internacionais, que desossam a questão e, pela primeira vez, apontam o impacto da pecuária bovina sobre o Brasil e o planeta. Se o tema era visto como bravata de alguns radicais, ocupa crescente espaço, ainda de canapés, longe de ser o prato principal das questões de estado. O Brasil é que não se percebe, é o peão-de-culatra, que nada vê, a boiada adiante, pra trás a poeira...

As mudanças climáticas, a segurança alimentar, a conservação da biodiversidade, a sobrevivência de populações tradicionais, as crescentes desigualdades entre ricos e pobres, o acesso a água, são hoje questões centrais e se relacionam diretamente à maneira que a nossa comitiva conduz a pecuária bovina: de forma extensiva, a ocupar terras infinitas, ao provocar o maior processo de deslocamento de populações tradicionais, e de erosão do planeta Terra.


Leia o restante desse artigo AQUI
 Bois apreendidos pelo Ibama na Amazônia dentro da Floresta Nacional do Jamanxin (Nelson Feitosa/Ibama)


4 de dezembro de 2010

Resultado da 3ª enquete do Blog Alô Bairro Demétria!





Sim: 17   53%

Não: 12   37%

Tento ser: 3   9%

Total de votantes: 32


"Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as hipóteses de sobrevivência da vida na Terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, pelos seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da humanidade."
Albert Einstein


12 de novembro de 2010

VEGETARIANISMO: Comprimidos, mitos e desinformação

Por Robson Fernando em 13/7/2010, AQUI

Em tempos de ascensão do vegetarianismo e do veganismo entre a população brasileira e mundial, ainda temos que lidar com pessoas que, manifestando implícita ou explicitamente sua oposição a esse hábito alimentar e/ou de consumo, tentam desinformar as pessoas e atrapalhar a conscientização relacionada à exploração animal e seus impactos ambientais. Já não bastassem os polemistas e "alfacistas", ainda hoje persistem os jornalistas que tentam pôr em xeque a sustentabilidade nutricional da alimentação sem carne, laticínios, ovos e outros derivados de animais.

Houve casos desse tipo várias vezes no jornalismo nos últimos anos, sendo a mais recente investida a do site feminino Delas, do portal IG, datada do último 10 de julho. A reportagem em questão, que critico abaixo, é intitulada "Frutas, verduras e... comprimidos?" Buscou-se "alertar", com mitos, argumentos mal embasados e vícios jornalísticos, para o falso perigo de subnutrição que a alimentação vegetariana poderia causar.
A princípio, percebem-se várias falhas no texto: ouviu-se apenas uma especialista, ignorando-se o mandamento de ouvir uma segunda opinião em se tratando de orientação médico-nutricional; não foram procurados especialistas em nutrição vegetariana – como os muito conhecidos George Guimarães e Eric Slywitch, maiores nomes desse ramo da Nutrição no Brasil; ao entrevistar um tatuador, procurou-se explorar implicitamente o estereótipo do "vegano underground", que gosta de tatuagem e outros elementos culturais alternativos, reforçando a imagem inconsciente do "vegano radical e esquisitão" existente no senso comum; divulgou-se uma informação equivocada, longe de qualquer especialização científica, vinda do mesmo tatuador – ele dizendo que "dá pra viver só de legumes"; não se mostrou nenhum dado científico ou estatístico que corroborasse as diversas acusações caluniosas levantadas.
Sedentarização e industrialização
Além do mais, repetiu-se o tão surrado mito de que o vegetarianismo não provê quantidades suficientes de ferro, cálcio e vitaminas do complexo B. Inclusive, fala-se na reportagem que "para que a opção [vegetariana] não resulte em problemas de saúde sérios [sic], é prudente que um médico avalie o quadro nutricional do paciente e prescreva a complementação dos suplementos [sic] que não são [sic] ingeridos com os alimentos", propagando o medo infundado dos maus efeitos que o banimento da carne e de outros derivados animais do prato supostamente causaria à saúde.
A autora da matéria e a única "especialista" entrevistada – que ainda por cima é endocrinologista, não nutricionista – insistem em vários pontos da matéria que o vegetarianismo completo, livre de qualquer alimento de origem animal, é "radical" e, portanto, nocivo. Usam em um ponto do texto uma dialética malfeita, que confessa por um lado que "apesar das limitações [sic], não é correto afirmar que os vegetarianos e vegans não são saudáveis", mas "alerta", por outro, que "o radicalismo [palavra-código que significa o abandono total de alimentos de origem animal, ou mesmo o simples banimento da carne do prato] é o fator alarmante, que pode aumentar [sic] o número de deficiências nutricionais".
Toca-se no assunto da vitamina B-12, falando que o vegetariano completo precisa porque precisa tomar comprimidos, destoados das refeições, para continuar vivendo saudavelmente e ignorando que ela pode ser injetada na farmácia mais próxima em doses que duram até um ano. Com a imagem do comprimido, nutre-se ainda mais a antipatia existente pela maioria da população ao vegetarianismo, que é exibido como uma dieta "radical" e antinatural.
Ora, a dieta humana há milênios não é mais natural, visto que nenhum outro animal faz uso comum da agropecuária e nenhum outro animal que come carne promove o confinamento e abate instrumentalizado de suas presas. Nossa sedentarização e industrialização nos livrou da necessidade de caçar e coletar, meios realmente naturais de se obter alimento. Sem falar nos diversos alimentos que hoje vêm obrigatoriamente enriquecidos com, por exemplo, ferro e ácido fólico (alimentos industrializados com base de trigo) e iodo (sal marinho ensacado).
Reportagem desinforma e amedronta
Assim sendo, falar de alimentação natural não soa mais coerente na sociedade moderna industrializada. Uma pessoa que consome macarrão enriquecido e carne de animais tratados com antibióticos e hormônios não tem autoridade para acusar o vegetarianismo completo, que requer a ingestão ou injeção periódica de B-12, de antinatural – ou explorar negativamente a imagem da alimentação artificialmente condicionada, como é o caso da reportagem em questão.
Nas últimas partes, ainda há uma coroação com duas auréolas de espinhos. Primeiro quando se fala que o fator mais influente para a adoção da dieta vegetariana seria o desejo de emagrecer e que "o consumo exclusivo [sic] de verduras e frutas" pode causar obesidade. E segundo quando se acusa o vegetarianismo de causar a chamada ortorexia, uma obsessão por alimentos estritamente saudáveis que, segundo podemos deduzir pelo texto, seria a causa maior do afastamento dos vegetarianos de ocasiões sociais em que haja um consumo livre e alto de carne – em vez da convicção ética de não compactuar com a exploração animal. A reportagem chama o vegetarianismo, indiretamente, de radicalismo obsessivo e nocivo!
Ignora-se, quando se afirma que o vegetarianismo enfatizaria por definição a alimentação estritamente saudável, a existência de junk food desprovido de carne, como hambúrgueres vegetais, pizzas veganas, salgadinhos sem ingredientes de origem animal e mesmo as velhas batatas-fritas – todos esses podendo ser livremente consumidos por vegetarianos que não estavam pensando em saúde quando pararam de comer animais.
Quem ler livros e artigos realmente esclarecedores, como o impresso "Alimentação sem Carne", de Eric Slywitch, o relatório da American Dietetic Association, atualizado em 2009, que elogia o vegetarianismo como sendo saudável, e diversos artigos de autoria de George Guimarães, vai perceber que a reportagem do Delas/IG desinforma e amedronta muito mais do que conscientiza ou informa pessoas que querem orientação para livrar seu prato de qualquer exploração animal.
Mais seriedade e ética
Por último, terminamos de ler a fatídica reportagem reparando que não há quase nenhuma alusão às razões éticas e ambientais para a adoção do vegetarianismo e do veganismo – este não recebendo qualquer distinção que transcenda a alimentação, sendo tosca e erroneamente identificado com o vegetarianismo completo. No máximo uma alusão ligeiríssima por parte do tatuador ao fato de que o leite animal é para o filhote, não para o ser humano – nada tendo que ver com exploração e privação de direitos dos animais. É como se estivesse sendo empreendido um esforço para proteger a pecuária e a indústria frigorífica e láctea da "perversa" ameaça vegetariana.
São necessárias prudência e seriedade para uma revista, jornal ou site, ainda mais quando não é especializado em saúde e nutrição, escrever sobre vegetarianismo, tomando-se cuidado para não cair em velhos mitos caluniosos. Mas não foi o que se viu nessa reportagem. O que pudemos ver foi uma leiguice nociva, carregada de erros primários de investigação jornalística. Leiguice essa que poderá muito bem ser interpretada por muitos leitores como desonestidade e manipulação, visto que pecuaristas e empresas frigoríficas adoram quando uma reportagem tenta desqualificar o vegetarianismo e exaltar o consumo de alimentos de origem animal.
Não acuso a autora da matéria de atender a esse tipo de interesses, mas recomendo a ela e a todos os demais jornalistas que, da próxima vez, lancem mão de mais seriedade e ética ao falar de vegetarianismo. Forneçam às pessoas esclarecimento competente e devidamente embasado cientificamente, não matérias cheias de vícios e falhas cujas consequências são o amedrontamento e a desinformação.